domingo, 24 de junho de 2007

Para desgraça da mídia, "inferno" dos atrasos nos vôos acabou

Para presidente da Infraero, "inferno" dos atrasos nos vôos acabou CAROLINA FARIAS
"O inferno aparentemente acabou". O brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero (estatal que administra os aeroportos) comemora a volta da normalidade nos aeroportos durante este final de semana e atribuiu o resultado ao plano emergencial da Aeronáutica --que incluiu remanejamento de controladores e reforço de equipes. Apesar de apostar na volta da normalidade dos vôos, Pereira diz que o grande "teste" do plano emergencial ocorrerá nesta segunda-feira, quando o movimento é tradicionalmente maior nos aeroportos. "Nesta segunda-feira será o teste, mas acredito que esteja tudo bem", disse o brigadeiro. De terça a sexta-feira da semana passada os aeroportos do país viveram o caos por conta da suspensão de vôos e maior espaçamento entre as decolagens. O governo federal atribuiu os problemas a uma "sabotagem" dos controladores de tráfego aéreo do Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo) e afastou os apontados como líderes do movimento. Para Pereira, as "constantes" operações realizadas pelos controladores de tráfego aéreo causavam não somente transtornos nos terminais --com filas imensas e a revolta dos passageiros--, mas também na logística dos aeroportos. "Estavam acontecendo essas operações [dos controladores ] há meses. Uma hora pediam um espaçamento entre os vôos de 20 minutos. Então, tudo era organizado para se adaptar a isso. Logo depois, diziam que o espaçamento era de cinco minutos. A logística terrestre não suporta isso", afirmou o brigadeiro. A organização do funcionamento de um aeroporto, segundo Pereira, ficava comprometida por conta da falta de previsão do que os controladores fariam. "Você não imagina o horror que é organizar o abastecimento de um avião sem saber o que o controle vai fazer", disse. Setores como a manutenção, limpeza e de alimentação para as aeronaves também sofriam transtornos com a operação dos controladores. "Quando está estipulado o espaçamento, mesmo que seja 20, 30 minutos, mas que não vai mudar, a logística vai se adaptar a isso. Eles [controladores] estabeleceram um ambiente de caos, sabiam o que estavam fazendo", afirmou o brigadeiro.
Normalidade
Segundo o presidente da Infraero, o plano emergencial elaborado pela FAB (Força Aérea Brasileira) foi bem elaborado e há meses estava sendo analisado, no entanto, teve de ser aplicado às presas por conta da operação realizada pelos controladores na semana passada. Parte do plano consiste no remanejamento de controladores de vôo do Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília. Profissionais do Controle da Defesa Aérea substituem os 14 controladores transferidos. "Houve críticas de que os profissionais da Defesa Aérea não estavam aptos para assumir o controle aéreo civil. Isso é errado porque o Controle de Defesa Aérea é muito mais complexo, passam por um treinamento muito mais completo", afirmou Pereira. A Defesa Aérea trabalha no controle do tráfego de aeronaves militares em missões, treinamentos entre outras atividades. De acordo com o brigadeiro, o movimento nos aeroportos é menor durante os finais de semana, mas ainda assim a normalidade deste domingo é reflexo do plano emergencial da FAB. Um boletim da Infraero dos vôos realizados até as 15h de hoje aponta que foram registrados atrasos com mais de uma hora em 5,1% dos 818 vôos programados. O percentual de cancelamentos foi de 5,9%.

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