segunda-feira, 25 de junho de 2007

Recorde de automóveis e empregos

Indústria de automóveis bate recordes e atinge nível histórico de emprego
A indústria de automóveis no Brasil revive o bom desempenho de 1997, considerado o ano dourado do setor no país. Todos os recordes devem ser batidos: produção, vendas no mercado interno e receita com exportação. Os empregos gerados também acompanham o movimento de alta e, até maio, somam 110 mil funcionários, com tendência de crescimento - em 1997, eram 115 mil funcionários. Hoje, porém, o setor tem uma nova cara. Se em 1997 eram nove empresas em atividade, hoje a recuperação é puxada por 22. O ABC, antes conhecido como o berço da indústria automobilística, divide as atenções com outras regiões do país. Em 1997, o setor produziu 2 milhões de unidades e as vendas no mercado interno somaram mais de 1,9 milhão de veículos. Em 2007, as projeções apontam para uma produção de 2,8 milhões de veículos, com 2,2 milhões voltados para o mercado interno. “O ano [1997] foi recorde e convenceu as empresas a investirem US$ 20 bilhões nos anos seguintes”, afirma José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors. O que se viu, no entanto, foram quedas constantes, que resultaram no corte de vagas - -chegou a 90 mil em 2003. A retomada só começaria em janeiro 2004. Agora, a condição favorável do país, com reservas internacionais elevadas e com o menor risco-país da história, faz o setor apostar em um crescimento sustentável, diferente do que ocorreu em 1997. Para as empresas, a estabilidade econômica, a queda da Selic e a expansão da massa salarial e do crédito explicam e seguram as altas. Os financiamentos, mais longos e com juros menores, respondem por 85% das vendas. Assim, o contexto geral estimula as empresas a investir e reverter os prejuízos da chamada “década perdida”, como definem alguns executivos. A Fiat abriu 1.200 vagas em janeiro e anunciou outras 1.700 contratações entre maio e junho, enquanto a Volkswagen empregou 700 temporários em Taubaté (SP). A General Motors criou 600 vagas para engenheiros em 2006, sendo que metade ainda será preenchida neste ano, além de 400 para sistemistas na unidade de Gravataí (RS). A Daimler-Chrysler contratou 450 para a fábrica da Mercedes-Benz, a Renault abriu 600 vagas para o complexo, onde também funciona a Nissan, e a Honda contratou 550. A Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores) resume a expectativa do setor: “alta na produção aumenta o nível de emprego, fato que pode ser observado neste momento. A expectativa é de crescimento do setor, sobretudo das vendas internas e da produção, o que abre perspectivas para o incremento de vagas na cadeia automotiva”. De acordo com a entidade, cerca de 200 mil empresas têm suas atividades ligadas à produção e aos serviços automotivos. Segundo a Anfavea, considerando os empregos diretos nas montadoras, indiretos da cadeia de suprimentos e de distribuição e da cadeia de serviços, como oficinas, seguradoras, financeiras e postos de abastecimento, o setor gera 1,5 milhão de empregos. O presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, durante lançamento da linha 2008 da empresa, ponderou: “Estamos otimistas com o futuro, mas demoramos dez anos para equiparar as vendas internas que foram registradas em 1997”. Pinheiro Neto, da GM, também acredita que o setor está “avançando para 1997”, mas defende que a situação é diferente dessa vez. “Todo o setor, no mundo inteiro, tem altos e baixos. A situação frágil que o Brasil viveu após o espetacular 1997 não persiste. Os juros declinantes, as reservas fantásticas e o reconhecimento com a queda do risco país indicam condição favorável”. O diretor de RH da Fiat, Roberto Gioria, diz que “o mercado superou as previsões mais otimistas de crescimento”. Como resultado, a empresa abriu um terceiro turno, elevando a capacidade em 10%. “Mas verificamos a necessidade de reforçar ainda mais a produção, com novas contratações.

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