quarta-feira, 18 de julho de 2007

A DIALÉTICA DA MENTIRA

José Serra, a "cratera do Metrô"e a "tragédia da TAM"
Na doutrina de Aristóteles (384-322 a. C.), dialética representa “raciocínio lógico que, embora coerente em seu encadeamento interno, está fundamentado em idéias apenas prováveis, e por esta razão traz sempre em seu âmago a possibilidade de sofrer uma refutação”. Dialética, portanto, é a palavra perfeita para definir o discurso da mídia sobre dois assuntos recentes e candentes: o das vaias a Lula no Maracanã e o da tragédia de ontem no aeroporto de Congonhas. A dialética dos pseudo “formadores de opinião” sobre os dois assuntos está amplamente fundamentada na mentira, elevando ao paroxismo o conceito aristotélico sobre dialética. A mídia reproduz enxurradas de acusações de gente que não votou em Lula – e que, portanto, perdeu a eleição – como se fossem representativas do senso comum. Numa dessas acusações, afirma-se que Lula foi vaiado porque “destruiu a classe média”, a mesma classe média que nestas férias de julho lotou os aeroportos para passar férias no exterior e que esvaziou as concessionárias de carros zero quilômetro, nas quais a espera por alguns modelos mais populares vem chegando a meses devido ao excesso de demanda. Mas que bela “destruição da classe média” a do governo Lula, não? Sobre a tragédia com o avião da TAM, as primeiras manifestações dos tais “formadores de opinião” são no sentido de que têm motivos para afirmar que o que aconteceu ontem é continuação do que aconteceu no fim do ano passado com o vôo 1907 da Gol, que se chocou com um jatinho Legacy. Apesar de todas as investigações – da Polícia Federal e da CPI que a oposição e a mídia quiseram criar – terem apontado que a culpa pelo acidente foi dos americanos que pilotavam o jatinho, os simulacros de jornalista tentam mesclar dois assuntos que nada têm que ver um com o outro e atropelam opiniões de especialistas que dizem ser grande a possibilidade de falha humana ou mecânica no acidente de ontem, ou seja, de falha do piloto do avião ou do próprio avião. A vítima da dialética da mentira, em tese, deveria ser a sociedade civil, que seria enganada por cabos eleitorais do PSDB e do PFL disfarçados de “jornalistas”, que, por sua vez, ignoram tragédias como a do buraco do metrô em São Paulo, que não encontra explicação além de falta de fiscalização do governo Geraldo Alckmin sobre o consórcio de empreiteiras Via Amarela. Essa sonegação de informações sobre aquele desastre visa não comprometer os políticos “amigos” daqueles para os quais os cabos-eleitorais disfarçados de jornalistas trabalham. Contudo, apesar de esses cabos-eleitorais dizerem que um Maracanã lotado pela elite que cria filhos que espancam mulheres no meio da rua vale mais do que o resultado da eleição presidencial do ano passado e do que todas as pesquisas de opinião, o fato é que eles vêm fracassando miseravelmente em beneficiar eleitoralmente a oposição tucano-pefelista. A dialética da mentira, como a própria mentira, tem língua grande, mas tem pernas bem curtinhas.
Escrito por Eduardo Guimarães
Veja Também:

Nenhum comentário: