quinta-feira, 5 de julho de 2007

Fofoqueiras de Jô

Fofoqueiras do Jô
Nas madrugadas de segunda à sexta há um programa que pretende aliar show e entrevistas. Imitação de um talk-show importado. Às quartas-feiras, de vez em quando, o programa assume novo formato. Em vez da entrevista tradicional (único caso em que entrevistador aparece mais que o entrevistado), reúnem-se quatro pseudo-jornalistas para fofocar sobre a política nacional. Compreensivelmente, essas quatro possuem grande espaço nas corporações de mídia: ocupam rádio, tv e jornal com uma superficialidade notável. Falam, feito tagarelas, sempre a mesma coisa. Regurgitam uma idéia ou fato que seus chefes querem manter em pauta. No programa de ontem, passaram boa parte do tempo criticando a suposta furada de fila do ex-ministro Palocci. Realmente, trata-se de um fato grave: furar fila no aeroporto, coisa feia. Só porque é político... As quatro peruas, assim como as corporações que lhes pagam o salário, acreditam que Palocci deve ser criticado por furar uma fila no aeroporto, e não por implementar uma política econômica extremamente lesiva aos interesses nacionais. Na semana passada, ficaram um bloco inteiro criticando a classificação indicativa do Ministério da Justiça. Uma das fofoqueiras se exaltou e disse em tom de discurso, dirigindo-se à platéia com pompa e circunstância: "Eu venho de uma geração que lutou contra a ditadura. Talvez os mais novos não saibam o que é uma ditadura". Uma outra completou: "Qualquer critério é censura. E se é censura nós somos contra". Aplausos dos universitários presentes, cuja maioria leu até 3 livros não didáticos na vida. "Qualquer critério é censura". É de um refino intelectual de dar inveja... Obedecer a um troço chamado Constituição nem passa pela cabecinha dessas pseudo-jornalistas, que certamente não se envergonham de ter feito o juramento abaixo em vão. Além das fofocas sobre política, arriscam comentários sobre economia. Tudo num nível muito rasteiro e vulgar. Se perguntarem como se define o câmbio, que elementos são responsáveis pela valorização de uma moeda, o que causa uma crise, ninguém sabe responder. São as Mainardis de calcinha. Oscilam entre o deboche barato e a indignação moralista. No final do programa de ontem, passaram a comentar a matança no Complexo do Alemão. Alguns argumentos foram: "Todo mundo fala que nossa polícia é violenta, mas ninguém fala da polícia da França, que bate pra valer, nem da Coréia, aquela que vai andando com escudos na frente batendo em estudantes". Outro argumento: "Trata-se de uma guerra, não tem jeito. Vai morrer gente". E ainda: "Tem que intimidar bandido" e "Não é um problema de classe devido à topografia do Rio. Morre gente de classe média também de bala perdida". E o Jó concluiu, afinadíssimo com o presidente da República: "O governador Sérgio Cabral está sendo impecável".

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