segunda-feira, 9 de julho de 2007

Os demolidores do Estado II

Uma campanha contra os bancos públicos.
A Folha de hoje volta com o tema da privatização dos bancos públicos. O pretexto são as irregularidades na Nossa Caixa e no BRB, que a matéria "Politização de Bancos gera insatisfação" (só para assinantes) não identifica como sendo entidades dirigidas por nomeações de governadores da oposição. Em São Paulo, do PSDB, há doze anos, e em Brasília, do PFL, hoje DEM. De propósito, o jornal mistura insatisfações com nomeações no BB e na CEF, normais em qualquer democracia, com denúncias de corrupção na Nossa Caixa tucana e no BRB do DEM. Na verdade, assistimos nos últimos anos uma campanha sem precedentes contra as nomeações "políticas" nos bancos públicos e fundos de pensão, que tinha como único objetivo manter essas instituições sob direção de indicados no Governo FHC. Os balanços e os números desmentem qualquer gestão "política" ou aparelhamento partidário. O BB e a CEF e os fundos Previ, Funcef e Petros vão muito bem. O que essa campanha quer é interditar petistas e não permitir que dirijam bancos públicos, fundos e não ocupem cargos nos ministérios estratégicos – Fazenda, Tesouro Nacional de BC - para a definição daquilo que interessa às elites: seus ganhos financeiros e o controle do financiamento público. Assim surgiu a campanha contra o aparelhamento partidário e as nomeações políticas. Quando os fatos desmentem essas acusações, danem-se os fatos. Essa é a verdade nua e crua.Quanto à campanha pela privatização dos bancos públicos e da CEF e a critica de que o PT não permite que o BC promova mais privatizações, a Folha se esquece que, em 2006, o pais votou claramente contra a política de privatizações. Sem falar no fato trivial de que não é o BC que decide essa política, e sim o Presidente da República. O Brasil não precisa de privatizações bancárias. Precisa é de mais concorrência e fiscalização no setor financeiro e bancário. Precisa de um setor público financeiro forte e eficiente, como acontece com o BNDES, BB, CEF e BNB. E, por fim, percebam que jamais a imprensa fez essa mesma análise nos governos tucanos e pefelistas. Nesses, todos são técnicos e competentes. E ninguém é filiado ao PSDB e DEM. Uma gracinha.

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