sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Ricos não são menos brasileiros que pobres

Presidente da Philips (do Brasil?) "descobre" que ricos não são menos brasileiros que pobres. Isso a gente já sabe há cinco séculos.
Alguém precisa avisar ao presidente da Philips (do Brasil?) que não existe movimento social apolítico.Toda manifestação é política.Um movimento sem proposta não é um movimento. O presidente da Philips é um dos idealizadores do movimento sem causa, o Cansei! Se a primeira manifestação do movimento Cansei será no cemitério de Congonhas, o Paulo Zottolo precisa explicar qual é o motivo de ter escolhido o lugar.É para se manifestar contra a pista, contra os pilotos, contra a TAM, contra a Airbus ou contra o governo Lula? Ora, se o movimento não é a favor de nada, nem contra nada, não faz sentido existir. O Paulo Zottolo diz que "os ricos não são menos brasileiros que pobres". Isso a gente já sabe há cinco séculos. A gente também sabe que os ricos se acham MAIS brasileiros que os pobres. E, na prática, são mais brasileiros que os pobres. Isso é um fato. Basta descobrir quem ganha mais ações na Justiça: o Zé Pereira ou a Philips do Brasil? Basta descobrir quem pena mais com a falta de transporte público: a Gilmara Cerqueira ou o Paulo Zottolo? Se o movimento Cansei é de fato apartidário e quer de fato prestar um serviço à maioria dos brasileiros, deveria fazer uma manifestação de repúdio à falta de ônibus em Taboão da Serra. O Paulo Zottolo acha que a gente é idiota. Ele pergunta: "Ou será que quanto mais pobre eu for mais brasileiro eu sou?". Resposta: "É lógico que não, estúpido. Quanto mais pobre você for, menos brasileiro você é".
"Não estou aqui para derrubar o governo", diz o presidente da Philips (do Brasil?). Pretensioso o doutor. Ele acha mesmo que poderia derrubar o governo? Ele quer APENAS "derrubar esses conceitos de direita-esquerda, pobre-rico, de elite branca, de elite de Campos do Jordão, de movimento Oscar Freire". Entendi: o doutor Paulo Zottolo quer, de uma penada só, acabar com a política. E depois reclama que nós é que queremos cercear o direito dele de se manifestar. Seus direitos nunca foram cerceados no Brasil, doutor. Nunca houve no Brasil um só golpe político dos pobres contra os ricos. Já houve vários movimentos "apolíticos" em que os ricos usaram os pobres como massa de manobra para atingir seus objetivos. Ou o doutor Zottolo faltou à aula de História? O Instituto Brasileiro Ação Democrática (IBAD) e o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES), que tramaram o golpe de 1964, também eram "apartidários" na superfície e contavam com o apoio da mídia golpista, de agências de publicidade e de empresas multinacionais. Todos se diziam "imparciais", todos se diziam "cerceados", todos tinham "medo"."Medo" alimentado pelo terror tocado pela mídia "imparcial", inclusive com notícias fabricadas - uma delas, que saiu no Globo, dava conta de planos para a implantação de um gabinete comunista no Brasil. O doutor Paulo Zottolo deveria pedir ao governador José Serra que, por decreto, acabasse com a concentração de renda no Brasil, além de derrubar os preços da Oscar Freire e promover excursões populares a Campos do Jordão. Francamente, como é que o doutor Paulo Zottolo chegou à presidência da Philips (do Brasil?) com esse tipo de visão da sociedade brasileira? Alguém diga a ele, por favor, que o Brasil tem a maior concentração de renda do mundo e que não vai ser um movimento "apolítico" que vai acabar com isso. Alguém explique a ele que a falta de educação, de saúde, de dentes, de emprego e de transporte público do brasileiro estão diretamente relacionadas a essa concentração de renda. Alguém, por favor, peça a ele para inventar um motivo para o Movimento sem Causa. Francamente, cansei da Philips. Meu movimento será individual e politizado. Não compro mais produtos da Philips. Peço aos talentosos blogueiros do SIVUCA que produzam um símbolo para minha campanha de boicote à Philips. A partir de agora aqui em casa só entram produtos da Sony e da Toshiba. Vou jogar fora uma TV meia-boca da Philips que estava encostada aqui em casa. Philips, go home! Onde é o home da Philips? Sei lá. Só sei que não quero viver no mesmo mundo "imaginário" do doutor Paulo Zottolo, que nunca fez compras na Oscar Freire. Duvido que tenha sido por falta de dinheiro.

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