sábado, 29 de setembro de 2007

EDITORIAL do VERMELHO

A mídia e a lama do PSDB
Isso tudo é uma hipocrisia, disse em 1992 Paulo César Faria, o PC, tesoureiro da campanha do então presidente Fernando Collor; era o auge da campanha do Fora Collor, que acabou expulsando o presidente neoliberal do Palácio do Planalto.
A hipocrisia continua, quinze anos depois. Sua última manifestação é o comportamento da mídia e da oposição de direita às declarações do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), da última quarta-feira. O senador foi governador de Minas Gerais e presidente do PSDB, afastado quando se soube que usou caixa 2 na campanha eleitoral de 1998.
Investigado, Azeredo defendeu-se atacando; não só reconheceu a falcatrua como disse, em entrevista para a Folha de S. Paulo, que os recursos irrigaram também a campanha de Fernando Henrique Cardoso que, naquele ano, disputou - e venceu - a reeleição para a presidência da República. Cerca de 150 candidatos tucanos (entre eles o atual governador Aécio Neves, que na época era candidato a deputado federal) e de partidos aliados. Eles teriam sido beneficiados pelos fundos amealhados pelo caixa 2 tucano, que envolveu recursos da ordem de R$ 100 milhões, embora a prestação de contas para o TSE tenha declarado que a campanha do então governador mineiro tenha gasto ''apenas'' R$ 8 milhões (8% do total arrecadado).
O alvoroço no ninho tucano foi imediato. Cardeais do PSDB passaram a exigir, nos bastidores, o afastamento de Azeredo do partido. Os impropérios multiplicaram-se, e os qualificativos mais suaves usados contra ele foram ''mau-caráter'' e ''transtornado''. É ''algo surrealista'', disse o lider tucano no Senado, Arthur Virgilio (AM). Tasso Jereissati, presidente do PSDB - que tentou, em vão, obter uma retratação de Azeredo - disse que as declarações são demonstrações de indignação e transtorno mental.
Os catões tucanos, que posam de puros, inocentes e ''republicanos'', para usar um termo da moda, foram pegos no contrapé e são obrigados, pela voz de um de seus próprios pares, a provar do mesmo fel que destilam, desde o início de 2006, contra o governo do presidente Lula. E saem, na maior cara de pau, defendendo o ex-presidente FHC com o argumento de que ele não sabia de nada.

Pior: a mídia e alguns tucanos notórios, passaram a defender a tese de que não há semelhança entre os acontecimentos relatados - o uso de dinheiro sujo na campanha tucana de 1998 em Minas Gerais e também para a presidência da República - e as acusações que fazem contra o presidente Lula, o PT e demais partidos da base aliada. Seriam coisas diferentes, como defendeu o escriba Augusto de Franco em artigo publicado na Folha de S. Paulo.
O próprio procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, passou recibo a este comportamento ambíguo ao se irritar com a divulgação de um relatório da Polícia Federal com resultados da investigação sobre o caso, e disse que não levará em conta as conclusões daquele documento. É uma atitude pouco condizente com a imparcialidade que se espera da justiça e de seus servidores. Afinal, ele não manifestou irritação semelhante quando a imprensa difundiu amplamente acusações contra o governo Lula, o PT e seus aliados, com base em fontes nas mesmas fontes.
Há um recado implícito no comportamento conservador: para a classe dominante e seus políticos, tudo é permitido, desculpável, compreensível. As declarações do senador Azeredo revelaram a lama tucana. Que a mídia e os políticos conservadores tentam ocultar aos brados de ''não é a mesma coisa''.
Portal vermelho.

Um comentário:

Jussara Seixas disse...

PSDB ENLOUQUECIDO E A MÍDIA CALADA
Quando Roberto Jefferson foi pego – com as mãos, boca e pés na botija – roubando os Correios, atacou para se defender. Acusou o PT do tal mensalão. Foi cassado porque não provou o que disse, não provou a existência do mensalão. Foi cassado porque disse que recebeu 4 milhões do PT, caixa 2, para a campanha do PTB (não disse o que fez com dinheiro). Agora a PGR vai denunciar o Eduardo Azeredo, do PSDB, como chefe da quadrilha do mensalão do PSDB. Mensalão virou terminologia para caixa 2. Segundo relato da PGR, há vários envolvidos, há provas concretas contra vários políticos do PSDB, e farta comprovação documental de que Azeredo era o chefe da quadrilha que organizava desvios financeiros das estatais de MG. Azeredo envolveu FHC, Aécio também foi citado nessa roubalheira: tudo indica que o caixa 2 não foi somente mineiro, teve âmbito nacional. A conferir com as denuncias da PGR nos próximos dias. O PSDB está agindo como Roberto Jefferson: para de defender, resolveu atacar o presidente Lula. Se o Azeredo for denunciado, clamam, o presidente Lula também tem que ser. São loucos, estão desesperados, babando na gravata. Em 04/03/2006, o relatório confidencial da Polícia Federal com os resultados do inquérito aberto para apurar o escândalo do mensalão registra que, após oito meses de investigação, não se detectou um único indício de envolvimento do presidente Lula no caso que resultou na maior crise política do atual governo. O trabalho da polícia reforça a versão oficial do governo: informado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) da existência do mensalão, o presidente teria determinado a dois auxiliares – Aldo Rebelo, à época ministro, e Arlindo Chinaglia, líder do governo na Câmara – que apurassem o fato. A PGR não denunciou o presidente Lula porque é boazinha com o presidente, mas porque não há a mínima prova contra o presidente Lula. O presidente Lula foi investigado por três CPIs, pelo MPF e pela PF. Todos os políticos da oposição investigaram a vida do presidente Lula, do nascimento até os dias de hoje. Não encontraram nenhuma prova que lhes desse a mínima chance de envolver o presidente Lula. Criaram achismos, ilações, invencionices, mas nenhuma prova, nenhuma evidência, nenhum indício. A PGR denunciou 40 supostos envolvidos e o STF aceitou a denuncia. O presidente Lula não foi denunciado, mas o Azeredo será. Os corruptos safados e covardes foram pegos com a boca na botija. Caiu a casa do PSDB. Toda a farsa da ética, da moralidade, do decoro parlamentar, virá à tona. A mídia está encolhida, não foi procurar FHC para dar opinião, ele que adora dar opinião, não cerca Azeredo para pedir explicações, não questiona os políticos do PSDB, não entrevista o Marcos Valério sobre o caixa 2 mineiro. A mídia tucana murchou, está com o rabinho nos meio da pernas, tal qual cachorro que cagou na igreja.
Jussara Seixas