sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A Palavra do Presidente do Senado

"A Força da Verdade"

(Vale a pena reproduzir texto escrito pelo presidente do senado Renan Calheiros, publicado no Blogdosblogs Renan Calheiros)
Venceu a justiça, venceu a verdade. Perderam aqueles que, movidos por interesses escusos e pela má-fé, têm a avidez de desmoralizar homens públicos, acossar políticos e condenar sem qualquer prova. Venceu o Senado, que mostrou estar muito acima da chantagem, da maledicência. Provou seu equilíbrio e sua independência, ao escapar da fácil tentação de um processo de natureza política, alimentado por adversários rancorosos e setores irresponsáveis da imprensa.
Não foi a ambição pelo poder que me fez resistir a cento e dez dias de martírio. Foi a clareza de estar sendo vítima de uma campanha leviana, a necessidade de defender minha honra e de ver valer a verdade. Em mais de cinco mil páginas de processo, não conseguiram apresentar uma única prova contra mim, não conseguiram apontar uma única ilegalidade. E nem seria possível: sempre me conduzi pelas vias retilíneas da lisura e da transparência, jamais fui indigno do cargo que tenho a honra de ocupar.
Devassaram minha vida, violaram minha intimidade. Se algum erro cometi, foi um erro pessoal, que diz respeito apenas à minha família. Mas nunca neguei meus atos. Reconheci e dei completa assistência à minha filha. Assumi todas as responsabilidades de um pai. Diante de ilações maldosas – porque provas, essas nunca existiram – comprovei com documentos que tinha condição de arcar com minhas despesa pessoais. Documentos cuja autenticidade foi atestada pela própria Policia Federal.
Uma a uma, demoli todas as calúnias envolvendo meu nome – notas frias, declarações falsas, gado superfaturado...Informações distorcidas, difamações, intrigas, tudo suportei com a certeza não apenas de minha inocência, mas de que o Senado saberia honrar o voto popular com um julgamento de caráter jurídico, e não político.
Quem manipula a opinião pública e se arvora o poder de destruir homens de bem não se acanha em escolher, a cada dia, a cada semana, uma nova vítima. Não se detém frente à possibilidade de atingir, em cheio, instituições democráticas cuja solidez foi construída a custa de muita luta.
O resultado da votação da última quarta-feira não poderia ser outro: sem delito, sem crime, não há quebra de decoro. Acatar a risca tal princípio é a única maneira de evitar que mandatos conquistados com a legitimidade das urnas sejam tragados a partir de vinganças de adversários, de maiorias eventuais e de conveniências de grupos – o que levaria o Senado a um cenário de permanente instabilidade.Foi em nome de minha honra, em defesa de minha inocência que não me afastei nem me afastarei da Presidência do Senado. Jamais poderia compactuar com esse jogo cruel, que é a política sem grandeza. A justiça não pode estar ausente da política, nem esta ser relegada ao ódio, à inveja, à chantagem e crueldade.
Não abrigo ressentimentos, não guardo mágoas. O diálogo e o respeito sempre pautaram e continuarão pautando minha vida pessoal e política. Mais que tudo, saio fortalecido pela convicção de que o Senado Federal, do alto dos seus 180 anos, não admite ser regido pelo receio da notícia negativa da imprensa, que disputa com o Congresso a representação da sociedade.
*Presidente do Senado Federal

Nenhum comentário: