sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Dilma: Choque de gestão tucano só serve para peça de propaganda

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, classificou de “propagandista” o termo “choque de gestão”, bastante usado pelos governantes do PSDB para seus métodos de administração, e completou que tal atitude não resolve os problemas da administração pública. A afirmação foi feita nesta quinta-feira (4), durante entrevista a repórteres do jornal Folha de S.Paulo. A ministra respondeu a perguntas de quatro entrevistadores e também da platéia das 11h às 13h. Dilma foi entrevistada por Fernando de Barros Silva, Renata Lo Prete, Valdo Cruz e Eliane Cantanhêde. Segundo Dilma, não é possível resolver todos os problemas da administração pública com um choque. “Não se muda uma gestão com um choque. Só se maquia”, afirmou. Para ela, uma verdadeira mudança na gestão deve ser estrutural e demora muito mais do que um ano para ser implementada. “Não se faz modificação estrutural sem criar centros de excelência de gestão, sem impedir o mau gasto corrente”, disse. “Caso contrário, faz-se um choque, economiza-se algum dinheiro e gasta-se tudo no quarto ano”. Sobre o aumento do número de cargos comissionados no governo atual, a ministra afirmou que o que ocorre é o aumento dos cargos de função gratificada – cargos comissionados que só podem ser ocupados por funcionários concursados. “Assim cria-se uma meritocracia”, afirmou Dilma. “Se não fizermos isso, perde nossos melhores quadros”. Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a criação de secretarias no governo federal não representa um inchaço da máquina pública e que o verdadeiro choque de gestão está na contratação de funcionários.
Imprensa
Durante a entrevista, a ministra lamentou que a mídia não encontre nenhum ponto bom no governo Lula.
“O governo Lula e eu achamos que há um valor fundamental na liberdade da imprensa, mas há, de fato, às vezes, uma posição acrítica, generalizada, difícil de achar um ponto bom. Mas isso não leva a nenhuma desconsideração, já que somos pessoas públicas e devemos satisfação”. PMDBSobre a participação do PMDB do governo, Dilma afirmou que o partido terá cargos desde que os indicados tenham competência nos setores em que trabalharão.
“Acredito que, no ponto de vista do governo, a Petrobras e os portos, por exemplo, terão gestão profissional. Se a indicação tiver este perfil, tudo bem”.
Para Dilma, é fundamental para a governabilidade a existência de coalizões. “Para um país do tamanho do Brasil, é fundamental”. Mas a ministra disse que é necessário regular a que termos é feito isso. Para ela, esta regulação viria por meio da reforma política.
“Nossa relação com o PMDB é programática. Mas isso não quer dizer que o partido não possa assumir cargos”.
2010
Questionada, a ministra descartou uma possível candidatura sua à Presidência em 2010. “Não sou candidata. Acredito que o PT pode ter candidato próprio, e tem o direito de pleitear isso, ou pode haver uma composição”, afirmou.
Segundo ela, ainda é cedo para discutir a sucessão presidencial. “Temos seis meses, dez meses de governo. Não interessa ainda a sucessão de 2010. Mesmo porque isso pode parecer uma tentativa de encurtar o mandato do presidente Lula”, afirmou.

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