quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Ex-dono do Banco Econômico condenado a 13 anos de prisão

O juiz Toru Yamamoto, da 3ª Vara Criminal federal, condenou os dirigentes do extinto Banco Econômico S.A. (Besa) por crimes contra o sistema financeiro nacional. O banqueiro Ângelo Calmon de Sá, dono do banco, foi sentenciado a 13 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. José Roberto David de Azevedo, vice-presidente, foi condenado a seis anos. Os dois poderão recorrer em liberdade. Segundo o juiz Toru Yamamoto, Ângelo Calmon da Sá, na qualidade de presidente do Econômico, era "o principal estrategista, promotor e mandante dos fatos da denúncia, além de destinatário dos recursos ilicitos. Foram condenados à prisão, mas em regime semi-aberto, o ex-diretor Ildebrando Crisóstomo da Silva Filho e o ex-gerente Fernando Antônio Azevedo Marques Prestes. Segundo denúncia do Ministério Público Federal, os administradores do banco captavam linhas de crédito junto a instituições financeiras estrangeiras, com a finalidade expressa de pré-financiar exportações brasileiras, oferecendo como garantia contratos de câmbio de exportação. A acusação mostrou que, além de usar o mesmo contrato para lastrear duas ou mais operações, os recursos obtidos eram aplicados em proveito do próprio banco, servindo de liquidez para aliviar a situação crise em que se encontravam as empresas do grupo.
Oligarquia quatrocentona e amigos do rei fhc
O Banco Econômico, sediado na Bahia, já foi o sexto maior banco privado do Brasil, mas quebrou após a implantação do Plano Real, em 1994. Recebeu então R$ 9,6 bilhões do governo Fernando Henrique Cardoso através do Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), auxílio a banqueiros falidos fraudulentamente, tidos como criminosos do colarinho branco. Mesmo assim, o Econômico sofreu intervenção em 1995 e entrou em liquidação judicial em 1996. Ângelo Calmon de Sá, filho de uma oligarquia baiana que vem dos primórdios do Brasil Colônia, além de banqueiro foi ministro do governo Geisel, sob o regime militar. À frente do Econômico, foi um dos financiadores do grupo "carlista", do falecido senador Antonio Carlos Magalhães, que movimentou-se ativamente durante a crise pós-Real para tentar salvar o império financeiro baiano. Quando o banco quebrou, mudou-se para a Bahia, onde adquiriu fazendas envolveu-se em conflitos com os sem-terra.

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