segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Sobre impostos, imposturas e gasto público

“Seria pedagógico levar empresários e demais cidadãos que não gostam de pagar impostos para conhecer as filas quilométricas do SUS numa madrugada fria, ou, ainda, visitar algumas famílias nas regiões mais pobres do país que recebem o benefício do Bolsa Família.
Impostos são, por definição [algo que se impõe], encargos antipáticos: arrisco-me a generalizar e dizer que ninguém gosta de pagar impostos. Isso é fato. Porém, também é fato que essas contribuições (impostas aos cidadãos) servem para assegurar o funcionamento do Estado.
Outro fato inconteste: os cidadãos anseiam por serviços públicos de qualidade, e alguns poucos anseiam, ainda, pelo muitas vezes esquecido Estado do bem-estar social. Parecem-me, portanto, contraditórios, incoerentes e irreconciliáveis os discursos de pessoas que se dizem de esquerda, e, em face disso (mas não só por isso), clamam por um fortalecimento do Estado, mas, ao mesmo tempo, pedem a redução de uma supostamente escorchante carga tributária ou, até mesmo, a pura e simples extinção de impostos. Esse discurso seria mais coerente/pertinente como produto do ideário liberal (ou neoliberal) que defende (apenas na teoria, ou “para inglês ver”) a diminuição da presença do Estado na economia, ou o chamado Estado mínimo – no fundo, o que os nossos liberais “de meia pataca” almejam é a privatização do Estado.”
Lula Miranda, Carta Maior

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