terça-feira, 27 de novembro de 2007

Massa salarial tem aumento recorde de 11,97% em 2006

Valor Econômico -
O mercado de trabalho brasileiro está mais qualificado, paga salários melhores e tem empregado trabalhadores mais experientes - os mais velhos e com maior tempo de estudo. Esse cenário, atrelado à política de valorização do salário mínimo e à inflação em queda, permitiu um crescimento recorde da massa salarial, que avançou 11,97% em termos reais entre 2005 e 2006. A alta foi fruto da expansão de 5,77% do emprego e de 5,86% do salário médio, o maior aumento desde 1996.
Em termos absolutos, foram os trabalhadores com 30 a 39 anos que mais se beneficiaram do crescimento do emprego com carteira assinada, ficando com 482,7 mil do total de 1,9 milhão de vagas geradas em 2006. Já a maior variação relativa ficou na faixa etária que vai de 50 a 64 anos, na qual o emprego subiu 9,77%. Isso pode ser explicado pela maior qualificação dessas pessoas. [...]
[...] Uma novidade nos dados da Rais é que também as pessoas mais qualificadas tiveram aumentos de salários acima da média do trabalhador brasileiro. Antes, o que se via era um crescimento da renda sempre mais forte para a parte mais pobre e menos qualificada da população e um achatamento dos maiores salários. Isso também aconteceu em 2006, ano em que a remuneração média dos analfabetos subiu 9,77%, mas foi acompanhada por uma alta de 7,21% nos salários de quem concluiu a universidade, acima dos 5,86% verificados para o média dos trabalhadores. Já aqueles que têm uma qualificação mediana, como o ensino médio completo, tiveram aumento menos robusto nos rendimentos, de 4,1%, por exemplo. O maior aumento dos rendimentos dos mais qualificados é explicado pela lei da oferta e da demanda. O crescimento econômico, segundo ele, passou a exigir uma mão-de-obra mais qualificada. Como não há tanta gente assim no mercado de trabalho, o preço do trabalhador especializado aumentou. "As empresas estão disputando essa mão-de-obra", explica Corseuil. Uma consequência negativa da alta dos salários dos mais qualificados, que têm os maiores rendimentos, seria uma maior desigualdade social. No entanto, como o salário dos sem qualificação também está crescendo, esse efeito tende a ser diluído. E como explicar o crescimento forte da renda dos analfabetos e dos que não completaram nem a quarta-série? "Salário mínimo", responde o pesquisador. Em 2006, esse salário foi reajustado em 16,7%, um aumento real de 12%, número próximo, por exemplo, da alta de 9,8% na remuneração média dos trabalhadores analfabetos.

Nenhum comentário: