sexta-feira, 23 de novembro de 2007

MENSALÃO TUCANO: DANTAS NAS DUAS PONTAS

Paulo Henrique Amorim
. O Procurador Geral da República enviou ao Ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, denúncia contra 15 pessoas do mensalão tucano de Minas Gerais, que o PIG chama de “mensalão mineiro”.
. Trata-se do mensalão tucano, porque diz respeito à lavagem de dinheiro e ao peculato cometidos para beneficiar o senador tucano Eduardo Azeredo, então governador de Minas e candidato à reeleição.
. Para beneficiar também o candidato a vice (derrotado) de Eduardo Azeredo e vice do governador tucano Aécio Neves, no primeiro mandato, de 2003 a 2007, Clésio Andrade.
. Portanto, a fina flor do tucanato: Eduardo Azeredo e Aécio Neves.
. Outro envolvido até os dentes é Walfrido Mares Guia, chefe da tesouraria da campanha de Eduardo Azeredo, e hoje Ministro do Governo Lula (aparentemente demissionário).
. Mares Guia, porém, não retira da denúncia seu caráter central: foi um crime para beneficiar um tucano.
. Quer dizer, se houve mensalão ou quadrilha, foi para beneficiar uma operação tucana.
. Da mesma maneira, a denúncia parte da premissa (incompleta, como se verá) de que o dinheiro do “valerioduto” vinha de fontes estatais.
. No caso do mensalão tucano, o dinheiro provinha de duas empresas controladas pelo governo tucano de Minas Gerais: Copasa e Cemig.
. Portanto, era “tucano que roubava tucano” – se se pode usar esse verbo ao tratar de seres imaculados, como os tucanos.
. Vale a pena lembrar que a Cemig foi dada na bacia das almas – no “avanço” tucano da privatização – a um grupo de empresários, entre eles, e sobretudo ... DANIEL DANTAS, do Banco Opportunity.
. Portanto, a Cemig era estatal, “pero no mucho”.
. Com 33% das ações com direito a voto, os capitais privados controlaram a empresa, a partir de maio de 1997.
. A campanha para governador estava nas ruas.
. E o candidato de oposição - finalmente vencedor -, Itamar Franco, anunciou que ia acabar com aquela falcatrua.
. O representante de Daniel Dantas na Cemig era Elena Landau.
. A Cemig foi “vendida” a Daniel Dantas e a duas empresas americanas, Southern Electric e AES, com o apoio inestimável do então presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros.
. Quer dizer, tucano é o que não falta no “mensalão dos mineiros” ...
. Quem mandou todos eles embora foi o grande presidente Itamar Franco, quando derrotou Eduardo Azeredo e assumiu o Governo de Minas. (Clique aqui para ler que Itamar Franco considera que a venda da Cemig por Eduardo Azeredo foi uma operação escusa, e não era ele, Azeredo, quem mandava na empresa)
. Vamos agora tratar do que o Procurador Geral não disse ao Ministro Barbosa:
1) Ele diz que Marcos Valério não era publicitário, mas um operador financeiro, que usou uma empresa de publicidade para “financiar” Eduardo Azeredo, porque em agências de publicidade “tudo pode”, quer dizer não fica rastro, não se paga CPMF ...
2) Por que a operação de Marcos Valério para os tucanos é uma operação financeira para lavar dinheiro e para os petistas é para montar o mensalão de apoio do Governo Lula (ainda mais que bancos envolvidos são os mesmos, Rural e Bemge)?
3) O Procurador Geral não disse ao Ministro Barbosa que desde julho de 1998 o maior cliente da empresa de “publicidade” de Marcos Valerio (a SMP&B) foi a Telemig do empresário Daniel Dantas. (*)
4) Exatamente no auge da campanha de Eduardo Azeredo.
5) Que em poucos meses o faturamento da SMP&B se multiplicou por 10.
6) Que no auge da denúncia do “mensalão” apareceram umas notas fiscais da SPM&B queimadas – e a maioria das notas fiscais era da Telemig...
7) Que o Procurador Geral procura o que quer achar: no caso do mensalão dos tucanos, ele não estabelece o vínculo óbvio entre a empresa de “publicidade” de Marcos Valerio com a origem dos recursos da campanha do tucano Eduardo Azeredo; assim como no caso do mensalão dos petistas, ele acha que todo o dinheiro do “valerioduto” veio de fontes estatais, a Visanet.
8) Quem continuava a ser o maior cliente da SMP&B – no mensalão tucano e petista ? A Telemig ...
9) E por que a Telemig precisava fazer tanta publicidade ? “Publicidade” ?
10) Finalmente, o Procurador Geral se esqueceu de informar ao Ministro Barbosa sobre algumas “empresas privadas” que aparecem na denúncia. Senão, vejamos: pág. 14: “Além do desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais, diretamente ou por meio de empresas estatais, EMPRESAS PRIVADAS, com interesses econômicos perante o referido Estado puderam valer-se do esquema disponibilizado pelo grupo para repassar clandestinamente valores para a campanha eleitoral”; e, pág. 16: “b) empréstimos fictícios obtidos por empresas de Clésio Andrade, Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz em favor da campanha, cujo adimplemento seria com recursos públicos ou oriundos de EMPRESAS PRIVADAS interessadas economicamente no Estado de Minas Gearias (peculato e lavagem).” Também na pág. 59, o Procurador fala em “c) recursos públicos ou valores advindos de EMPRESAS PRIVADAS com interesses econômicos perante o estado de Minas Gerais eram empregados para quitar o empréstimo”.
11) Por que o Procurador Geral não levantou a hipótese de, talvez, por acaso, por ventura, Daniel Dantas estar nas duas pontas do processo: na Cemig e na SMP&B ?
. Ou o procurador só procura o que quer achar ?
. Procurador, que EMPRESAS PRIVADAS são essas ? O Ministro Barbosa não precisa saber ? Nem o distinto público ?
. A menos que, no futuro, o Procurador tenha tempo para fazer outras denúncias.
. É o que ele dá a entender na pág 38 da denúncia: “Todas as provas coletadas na fase pré processual revelam que o esquema verificado em Minas Gerais no ano de 1998, para financiar clandestinamente a disputa eleitoral, foi planejado e executado, sem prejuízo do envolvimento de outras (DENUNCIADAS NESSE MOMENTO OU NÃO) ...”
. Diante de tantas lacunas na denúncia do Procurador Geral, o Conversa Afiada tomou a liberdade de encaminhar esse M&M ao Ministro Joaquim Barbosa.

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