terça-feira, 25 de dezembro de 2007

A CPT mente, mente!

As falácias da CPT contra o projeto da transposição do São Francisco


A adutora não foi feita para abastecer nenhum projeto especifico de agrobusiness ou industrial; ela reforça as adutoras e açudes já existentes, dando ao Nordeste uma perspectiva de longo prazo de desenvolvimento econômico, urbano, agrícola. O bispo não menciona quais seriam esses projetos gigantes. Procurei exaustivamente e acabei encontrando a origem da desinformação: um documento da Comissão Pastoral da Terra, hoje a principal produtora de falácias contra o projeto, ao ponto de desbancar a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), que não admitia perder uma gota do rio que aciona seus geradores em Paulo Afonso. A CPT alega que a adutora “vai servir para a siderúrgica do Pecém, vai servir para a agroindústria do Apodi”. Ora, a siderurgia do Pecém fica próxima ao litoral, no Ceará, distante centenas de quilômetros do ramo Norte do projeto, que mal entra no Ceará, desviando-se em direção à Paraíba e ao Rio Grande do Norte, depois de reforçar o Riacho dos Porcos. Desse riacho até Pecém são centenas de quilômetros de rios que até mudam de nome e passam por açudes diversos. Não tem nada a ver com a siderúrgica, que já tem abastecimento local assegurado de 2 metros cúbicos por segundo, para um consumo de apenas 1,73 metros cúbicos por segundo. Esses dados foram admitidos pela Agência Brasil de Fato, do MST (www.brasildefato.com.br). Como contradizem o argumento da CPT, a agência alega que, no futuro, quando outras indústrias forem atraídas pela siderúrgica, “caso o complexo prospere, a demanda de água superará a oferta atual”. Notem o ato falho na utilização da palavra “prospere”. Eles não querem que nada prospere. Também omitem que a siderúrgica vai produzir placas grossas, para exportação, e não as placas finas que atrairiam empresas metalúrgicas de processamento. Mais FALACIOSO ainda é chamar a agricultura de Apodi de agrobusiness, ao modo de um palavrão que desclassifica tudo. Apodi é uma história de sucesso e exuberância agrícola e grande diversidade de produção e formas de propriedade. Ali cresce, graças à Embrapa, a mais produtiva variedade de acerola. Ali o governo federal está implantando um projeto específico de financiamento da agricultura familiar. Ali existem seis assentamentos agrícolas e três cooperativas de produtores. Ali o governo instalou também um projeto de três minifábricas familiares para o processamento da castanha do caju, e um outro que vai beneficiar 400 pequenos produtores de mel. Um único projeto de irrigação em andamento no Apodi, com água pressurizada, vai atender a mais de 200 agricultores. Todas essas FALÁCIAS e mais algumas foram inventadas pela CPT depois que se desmoralizou o argumento principal anterior de que a adutora ia secar o Rio São Francisco. Ocorre que, em julho de 2004, depois de intensos debates técnicos, o governo inverteu a lógica do antigo projeto pelo qual as águas do São Francisco seriam transpostas para os sistemas do semi-árido sempre que seus açudes estivessem baixos, sem levar em conta o nível da represa de Sobradinho. Ficou decidido que será retirada uma quantidade mínima para garantir o consumo humano, e só quando Sobradinho tiver excesso de água, a captação será maior. Na sua nova formulação são retirados 26,4 metros cúbicos por segundo, cerca de 1% da vazão no local da captação, e somente quando Sobradinho estiver vertendo, ou seja, botando fora excesso de água, a captação pode aumentar, mesmo assim até o limite de 87,9 metros cúbicos. O Rima estima que, na média anual, a perda do rio vai ficar em 65 metros cúbicos por segundo. Trecho do artigo O Natal da Discórdia, de Bernardo Kucinski

2 comentários:

Paulo disse...

Caro Hélio
Entendo sua perplexidade frente à atitude do bispo em relação à transposição e concordo que a transposição, se mantido o volume de 28 m3/s para uso humano exclusivo, não vai secar o São Francisco. Mas veja um pouco do que o Ciro Gomes diz, comentado por mim e por outros que vêm analisando esta questão há muito tempo:

Ciro defende a transposição e sempre desqualifica os opositores da idéia. Tudo bem, faz parte do jogo político. Mas quando se trata de esclarecer e entender a questão, o comportamento é inadequado. Vamos tomar um ponto frequente usado pelo Ciro: a transposição vai atender a demanda de água para consumo humano. NO início das suas apresentações, esta é a argumentação. Mas logo aparece uma demanda de 1500 litros por dia para cada cidadão (do contingente de 11 milhões a serem atendidos), nas planilhas da obra. Por que este consumo tão alto? Porque é o consumo social, e não apenas para água, banho, etc. Envolve também os usos indiretos, na indústria e no comércio. Tudo bem vá lá que seja. Mas logo adiante aparecem canais para captar muito mais do que os 28 .000 litros por segundo necessários (com vasta sobra) para atender a população planejada. NO limite os canais podem levar até 300.000 litros por segundo. E porque este aumento de mais de 10 X o planejado? Aí o Ciro explica que, quando for possível vai se captar do rio este volume para a agricultura. Aí a coisa muda de figura: primeiro - a água, passando sobre a serra do Araripe e andando quase 1500 km, vai ser tão cara que nenhum agricultor poderá pagar. Basta levantar a água 50 m de altura e ela já fica muito cara, todo agricultor sabe disso. Se for subsidiada, está errado: há milhões de hectares na beira do próprio São Francisco que não são irrigadas porque o curto da água é proibitivo, a menos que se subsidie... segundo - A água vai servir para irrigar o que, se os terrenos por onde passam os canais e rios aproveitados são na sua maioria rasos demais, com terras de pouquíssima aptidão agrícola? terceiro - de que adianta produzir, se fosse possível, naquelas paragens, se os grandes centros consumidores estão a muitas centenas de km de distância? quarto - Ciro diz que as águas só vão ser captadas em grande volume quando houver volume guardado em Sobradinho. Maso reservatório só ultrapassa os 90% durante três ou quatro meses. E fora disso, como o felizardo agricultor que vai receber água subsidiada se vira? O reservatório so vai permitir uma retirada significativa entre maio e agosto... Enfim, se fosse só para uso humano, nao precisava de canal, só de adutora. Agora, a gente se pergunta: tem gente morrendo de sede no sertão de PE, PB, CE ou RN? Quando alguém precisa de água pega uma mula, anda kms e vai buscar. Volta sem água? Nunca. O que ocorre é que, água, há. O que é péssima é sua distribuição, manipulada por políticos corruptos há séculos, que vão fazer o mesmo com as águas da transposição.

Por fim, Hélio, a CPT é contra muito mais por causa do custo absurdo desta água, da dificuldade (ou mesmo impossibilidade) de uma distribuição justa e da falácia de que ela vai resolver o problema do sertão, que não via nem a pau. Estou pronto a tomar uma cerveja ai em JP quando for por aí e conversar com calma, ouvindo seus argumentos e a batida das ondas.

Cordialmente.
Paulo Andrade
andrade@ufpe.br

DANIEL PEARL disse...

Desejo a você HÉLIO um MARAVILHO e ABENÇOADO 2008! Gostaria de convidar a assistir ao nosso novo vídeo YuoTube:
“GLOBO NADA A VER” (IMPERDÍVEL. A história da maior indústria televisiva de manipulação do Brasil.
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http://desabafopais.blogspot.com/
Um abraço, Daniel – editor.