sábado, 29 de dezembro de 2007

Lula é o mais bem avaliado dos últimos 20 anos.

Lula é o mais bem avaliado dos últimos 20 anos.Ainda segundo a pesquisa, 49,6% apóiam a Transposição, enquanto apenas 19,5% apóiam a farsa do Bispo Baiano-Italiano.

Eduardo Bresciani Uma nova pesquisa do instituto Brasmarket vem consolidar a percepção da fortaleza que cerca a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final do seu quinto ano de mandato. O levantamento feito na capital paulista aponta o petista como o melhor presidente desde a redemocratização e mostra uma vantagem para Lula mesmo em temas espinhosos como a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a transposição do Rio São Francisco. Para o professor de Ciências Políticas do Centro Universitário do Distrito Federal (Unidf), Leonardo Barreto, os seguidos resultados positivos para o presidente decorrem de seu estilo de liderança. "Ele é um líder carismático e nesses casos escapolem fatores racionais das análises das pessoas. Elas acreditam que a capacidade do líder está acima de todas as coisas", diz. Barreto afirma que o mito Lula vai criar grandes dificuldades para quem tiver a missão de substituí-lo a partir de 2011. "Ele é tão forte que é difícil ver um sucessor. Conseguimos enxergar candidatos a presidente, mas ninguém com a dimensão dele", afirma.

Lula lembrado com 51,5%

O tamanho da força de Lula ficou evidente principalmente quando os entrevistados foram convidados a apontar qual o melhor presidente do País desde o fim da ditadura. Lula apareceu com 51,5%, superando com folga a soma de seus quatro últimos antecessores, que foi de 31,5%. O tucano Fernando Henrique Cardoso registrou 17,6%, o agora senador José Sarney (PMDB-AP) foi lembrado por 5,7%, seguido do também senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), com 4,1%, mesmo percentual do vice que assumiu após o impeachment do alagoano, o mineiro Itamar Franco. O percentual dos pesquisados que se negaram a apontar um preferido foi de 17%. Se o desempenho do atual presidente perante seus antecessores foi muito bom, o "debate" sobre os temas atuais está no mesmo patamar.

CPMF

Os dados do levantamento do Brasmarket mostram que o governo conseguiu vender para a população seu discurso sobre a CPMF, apesar de ter sido derrotado no Congresso. O instituto perguntou aos entrevistados qual a real motivação que levou o Congresso a extinguir o tributo. A maioria respondeu que o fim do "imposto do cheque" se deveu ao interesse da oposição em prejudicar o presidente Lula (30,8%) e em benefício de ricos e empresários (23,4%). Para 17,9% dos entrevistados o interesse no fim do tributo foi do povo em geral e para 11% o benefício é dos mais pobres. Outros 17% não quiseram opinar. Para Barreto, o resultado evidencia a distância entre o pensamento da classe média e do restante da população. "A classe média é muito pequena hoje e esse discurso de redução de impostos, assim como o ético, é mais importante apenas para essa camada da população". O professor da Unidf acredita que o resultado se deve também ao fato de a maior parte da população não pagar o tributo de maneira direta, somado à constatação de que foram os próprios PSDB e DEM que criaram a CPMF. "A população não enxergou sinceridade no discurso da oposição. Eles não pareciam ser realmente contra, até porque o PSDB negociou até a última hora e foi o partido, junto com o DEM, que criou a CPMF". Para ele, o levantamento mostra que a tentativa da oposição de levantar a bandeira em favor de menos impostos foi fracassada. Barreto observa também que a impressão da população é que a disputa foi apenas partidária. "A pesquisa mostra que tudo foi visto como uma simples briga partidária e o discurso do governo de que o dinheiro era para a saúde e para os programas sociais ecoou na sociedade".

Transposição do São Francisco.

Outra amostra do apoio popular ao presidente foi dada quando a questão da transposição do rio São Francisco foi colocada diante dos entrevistados. O governo decidiu tirar do papel a transposição, tendo inclusive licitado o primeiro lote da obra. Movimentos sociais, no entanto, questionam o projeto e acusam que o objetivo do empreendimento é beneficiar o agronegócio e não resolver o problema da falta de água para a população. Foi esse o principal argumento que levou o bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio, a fazer uma greve de fome para tentar forçar a paralisação do projeto, iniciativa que acabou fracassando. O Brasmarket quis saber dos paulistanos qual a opinião sobre o embate. Questionados sobre quem tinha razão no imbróglio mais uma vez Lula se saiu bem. Para 49,6% dos entrevistados o presidente está correto, enquanto que 19,5% preferem o posicionamento do bispo. Outros 13,6% acham que nenhum tem razão, enquanto 3,3% dividem os méritos. Não quiseram responder ao questionamento 13,9% dos entrevistados. Barreto vê nessa questão a principal amostra da força do presidente petista. Ele destaca que a maioria da população não conhece a fundo o assunto e que mais uma vez o carisma de Lula decide. "É impressionante o papel do Lula. É praticamente impossível ele perder qualquer debate na sociedade. Essa, por exemplo, é uma questão em que a maior parte das pessoas não tem informação, então o que pesa mesmo são o carisma e a força política do presidente", concluí

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