quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Operação da Receita e da PF prende presidente da Assembléia (DEM) e ex-governador de Alagoas

Jailton de Carvalho - O Globo; Gazetaweb; Globo News TV; O Globo Online
BRASÍLIA, MACEIÓ E RIO - Numa operação conjunta com a Receita Federal, a Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira o presidente da Assembléia Legislativa de Alagoas, Antonio Albuquerque (DEM), o ex-governador do estado Manoel Gomes de Barros, e o ex-comandante da Polícia Militar de Alagoas, coronel José Acírio Nascimento. Ao todo, já foram presas 39 pessoas, acusadas de participação no esquema que teria desviado R$ 200 milhões da assembléia, em cinco anos. Também foram apreendidos carros, um jet-ski, um quadriciclo e TVs de plasma. - Encontramos toda as características de uma organização criminosa, mas não houve resistência às prisões - explicou o superintendente da PF em Alagoas, José Pinto de Luna, que contou ainda que os policiais encontraram uma metralhadora e uma arma calibre 357 na fazenda do ex-governador:
- Tratam-se de armas que estavam raspadas e não podem ser usadas por civis. Apesar de terem alegado que as mesmas pertencem a um policial militar, não encontramos nenhum militar na propriedade.
No início da manhã, a Assembléia Legislativa foi cercada por 50 policiais federais, que estavam acompanhados por cinco delegados. Eles apreenderam computadores e documentos. Ao todo, a Operação Taturana contou com 370 policiais federais que cumprem 40 mandados de prisão e 85 de busca e apreensão em várias cidades do estado, além de Pernambuco e São Paulo. Não é a primeira vez que o ex-governador se vê envolvido em denúncias. Ele chegou a ser indiciado, em 2000, pela CPI do Narcotráfico. Na ocasião, disse diz ter sido vítima de injustiça.
Quadrilha fraudava restituição do IR
A quadrilha é acusada de contratar funcionários fantasmas e de fraudar a restituição do imposto de renda de servidores. Os fraudadores se apropriavam de recursos da Casa através de sua folha de pagamentos, com a inclusão de funcionários fantasmas e laranjas.
Os envolvidos declaravam à Receita Federal retenções de imposto de renda em valores superiores aos efetivamente retidos. Dessa forma, os criminosos se beneficiavam das restituições de imposto promovidas pela Receita Federal aos falsos funcionários. A forma de atuação da quadrilha lembra o escândalo dos Gafanhotos, esquema do governo de Roraima com parlamentares que criava funcionários fantasmas e laranjas para receber seus salários.
A PF investigou a quadrilha durante um ano e seis meses e contou com a colaboração da Receita Federal, Banco Central, Coaf e Ministério Público Federal. O nome Taturana é uma referência a lagarta que come folhas sem parar durante sua existência.
O delegado da PF Janderlie Gomes de Lima, encarregado da operação, disse que os acusados serão denunciados por estelionato, formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro, peculato e lavagem de dinheiro.

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