quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

'Lula é o único economista que presta no Brasil'

Delfim Netto diz que virtude de Lula é falar a verdade sobre a economia

Roberval Angelo Schincariol e Roger Marzochi, da Agência Estado 

Pedro Bottino/arte estadao.com.br

Em meio ao desespero nos mercados, Lula surge como encarnação do otimismo. SÃO PAULO - Para o economista Antônio Delfim Netto, ministro da Fazenda em tempos de chumbo e de milagre econômico, o que fará a diferença na economia do tão temido ano de 2009 é a sensibilidade do brasileiro. E, segundo o professor emérito da FEA-USP, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a encarnação do otimismo. "Lula é o maior economista do Brasil", diz Delfim. Em entrevista à Agência Estado, concedida na manhã do dia 10 de dezembro, em seu escritório localizado ao lado do Estádio do Pacaembu, no bairro paulistano de Higienópolis, o economista falou de Platão, Aristóteles, Henry Paulson, Alan Greenspan e, claro, Lula. A seguir, os principais trechos da entrevista. Qual a avaliação que o sr. faz sobre os impactos da crise financeira no Brasil em 2009? Você está em um ambiente complicado e é claro que o Brasil vai pagar o preço de fazer parte do mundo, como tem os benefícios. O Brasil usou a expansão que houve no mundo. E eu estou convencido de que esta crise é, simplesmente, a própria crise de 2001 consertada pelos economistas. Teve a crise em 2001, que foi a crise do pontocom, que explodiu, e apareceu aquela patifaria da Enron. E como é que os economistas resolveram essa crise? Fornecendo liquidez e permitindo que toda a imaginação do sistema financeiro se exercitasse plenamente, com a idéia de que o sistema tinha em si uma moralidade ínsita. Portanto, ninguém precisa se preocupar porque é tudo gente correta, que não vai fazer nada de patifaria... O sr. avalia que hoje, então, houve o estouro da bolha da moralidade? Não, a moralidade já explodiu na Enron. E o que o governo foi fazendo? O Fed e o Tesouro americano passando a grosa, permitindo que você fizesse um curto-circuito aqui, outro lá. Quando o (Henry) Paulson (secretário do Tesouro) tomou posse, em 2006, ele declarou: "Eu vim para acabar com o resto de regulação que está perturbando o crescimento." Em 2006! A crise já estava explodindo! Então, você está diante de um fato: os economistas são capazes de produzir uma crise, mas não podem resolvê-la. A crise está fora da economia. Seria uma crise de expectativa? Seria uma crise de expectativa, de crença, de confiança Qual é a origem da sociedade? Está no velho Platão, antes do Aristóteles. Para a coisa funcionar, tem de ter possibilidade de trocar o meu trabalho com outro. E tem de ter uma moeda. Nós estávamos produzindo milho. Eu vivia pobre, você também. Mas eu produzia o meu, você produzia o teu. Mas chegamos a um acordo. Eu vou produzir o milho e você vai fazer um buraco aí até conseguir água, depois a gente irriga o milho, vai dobrar a produção e vamos viver melhor. Esse é o progresso. Está no Adam Smith. Divisão do trabalho. Isso exige que eu confie que, enquanto eu estiver produzindo o milho, você esteja fazendo o buraco. Então, a confiança precede a sociedade. Ela é o cimento, o fator catalítico que faz funcionar a sociedade. Os economistas nunca se preocuparam em saber o que estava por trás do mercado. Atrás do mercado está o Estado. E, atrás do Estado, está a confiança. É quando o sr. diz que economia não é ciência. É claro que economia não é ciência. É um bom conhecimento empírico que deve ajudar a administração. Porque o homem tem um defeito enorme: ele pensa. Se o átomo pensasse, a física seria bem mais complicada. Na verdade, o homem aprende. Na economia, ele aprende e se defende. A minha idéia é que você tem de pagar o preço de estar no mundo, mas temos condições melhores. Nem é por virtude. Foi por um acidente. Nós tivemos uma crise bancária muito séria, fizemos um Proer e, com ele, nós demos uma arrumada no sistema bancário. O Proer foi positivo para o sistema? Eu vejo o Banco Central (BC) como dois 'animais'. Um tem nota dez, outro tem nota dois. O BC fiscalizador se saiu muito bem. Os bancos estão hígidos, têm alavancagem baixa, são cuidadosos. É claro que o Brasil tem contato com o mundo e precisava de financiamento externo para fazer funding dos bancos. Na atual crise, o BC agiu no tempo certo? A ação do BC foi no tempo próprio, com alguns pecadilhos. Em lugar nenhum do mundo o BC diz: "Eu vou dar dinheiro para banco grande comprar banco pequeno." Muito menos vou dar dinheiro para banco público, porque aqui você tem dois problemas graves: a higidez de um banco não depende nem da sua propriedade nem do seu tamanho. O banco público não é muito mais seguro que nenhum banco privado. Mas por uma simples razão: porque banco, por definição, é quebrável. Quando o sr. diz que o BC não deveria ter dito que o dinheiro era para comprar bancos pequenos, deveria ter dado o dinheiro sem dizer... Não, deveria ter feito as coisas já de uma vez! Não deveria usar a técnica do conta-gotas. Quando se faz um sistema no qual eu compro a carteira do outro, estou levantando dúvidas sobre essa carteira. É como ter um dinossauro Rex de boca aberta e tem uma galinha que eu estou espantando para a boca do dinossauro. Hoje sofremos o risco de, ao tentar resolver esta crise, criarmos outra? Eu acho que hoje as pessoas estão aprendendo. Primeiro, porque se não fosse o Brown (Gordon Brown, primeiro-ministro britânico), o Paulson estava até hoje procurando a causa do problema. Com sua intuição inglesa, Brown disse: "Não, o problema é do capital. O problema veio da alavancagem que vocês fizeram." Nunca houve uma coordenação mundial como está havendo. Se tudo funcionar mais ou menos, essa crise deve ser menor do que seria sem a intervenção do governo e mais rápida do que seria sem ela. Mas o sr. não avalia que a crise financeira será tão forte no Brasil como está sendo para o resto do mundo? A crise americana vem vindo desde o começo de 2007. No Brasil, não. É uma crise datada. Vinha se desarrumando e, quando o Paulson faz a barbeiragem no Lehman, desaba tudo. Ou seja, ele matou o fator catalítico, que era a confiança. E no Brasil ocorreu uma função descontínua. É uma crise de confiança que atingiu os bancos lá fora. Mas houve uma queda na concessão de crédito no Brasil. Você imagina uma coisa. Chega um grande banqueiro brasileiro no Waldorf-Astoria e encontra com o homem do Citi, na sua importância, para dizer: "Eu ainda não cortei o crédito lá." O homem do Citi diz: "Esse sujeito não faz parte do nosso clube " Agora, nenhum deles fez patifaria aqui, nem sei se por virtude. É que aqui tinha formas de ter retorno muito mais seguro e mais alto que com a patifaria. Com juros? Então, nós já tínhamos a mais alta taxa e fizemos o maior aumento do mundo. Quando o mundo inteiro reduziu, nós continuamos insistindo na mesma política. Isso tudo, que era um defeito enorme, agora as pessoas dizem que foi uma clarividência. É como aquele francês, para quem ofereceram a Brigitte Bardot. Só que hoje ela está com 80 anos! Se o senhor fosse o presidente do BC, qual seria a taxa ideal de juros? O Brasil não tem nenhuma razão para ter a maior taxa de juro do mundo. A taxa de equilíbrio é 3%, 3,5%, como é no mundo todo. Com inflação de 5%, poderíamos rodar com 8% nominal. Mas tudo isso é absolutamente irrelevante porque o BC nem tem mecanismo para fazer esse negócio. Então, vamos pensar onde paramos. Paramos por uma questão psicológica. O Lula é o único economista que presta no Brasil porque é o único que está falando a verdade. A intuição dele mostra o seguinte: nós estamos interrompendo o circuito econômico porque, se você não comprar o carro, porque tem medo de ficar desempregado, é certo que você vai ficar desempregado, porque a Volkswagen não faz o carro por medo que não vai ter demanda. E o banqueiro, no final, que pensa que está salvo, ele também vai morrer junto com o sistema. É como o sr. já comentou que, ao pregar a morte do crédito, os banqueiros acabam se "suicidando"? Eles se suicidam porque não têm outro remédio. Porque nenhum banco é seguro! E aqui é que vem a segunda crítica à política do BC. Quando ele diz que está dando dinheiro para o Banco do Brasil, para a Caixa Econômica pra fazer isso ou aquilo, está dizendo o quê? Esses bancos são mais seguros. Isso tudo é um equívoco monumental. Como o sr. mede a expectativa hoje? O Lula, com todas as críticas... As pessoas ficam furiosas com o Lula. Porque há, na verdade, um preconceito enorme. A vantagem do Lula é não ter um curso superior. É uma vantagem? Sim, não é um prejuízo. Senão ele estava igualzinho aos de curso superior aí dizendo "tá tudo perdido!, "estamos perdidos!", "'sifu' para todos nós!". Então, o que acontece? É uma atitude ingênua, mas que corresponde a uma realidade. O fator principal é restabelecer aquilo que é o cimento da sociedade, que é a confiança. Em uma entrevista recente, o sr. afirmou que não fazia previsões para 2009... O que você pode esperar do Brasil? Devido a essas condições, pode-se esperar uma situação um pouco melhor. Não adianta fazer editorial dizendo que o Lula é oportunista, que fala errado. Também ele não vai brigar por conta disso. E dizer que o Lula não conhece física quântica porque ele também prefere não saber física quântica. O que ele conhece é gente. Então, se quatro quintos do Nordeste e dois terços do Sul acreditam no Lula, é porque tem alguma coisa que funciona. E quanto disso pode se refletir no crescimento do Brasil? Qualquer número é um chute. A minha convicção é a seguinte: quando o Brasil cresce? Cresce quando cresce mais que o mundo. O sr. não pensa em voltar para o governo? Você está louco! Esquece essas coisas. Deixa eu te contar. Hoje é outro mundo. Hoje você precisa de gente e de uma arrumação do governo. Desligou já isso (o gravador)? Não, não tem nada de desligar não, é isso mesmo.

Dívida líquida do setor público é a menor em dez anos

Quem diria que nós perderíamos as principais bandeiras levantadas pelos partidos de esquerda, como déficit público, dívida impagável com o FMI, em um Governo, que por questões lógicas, chegou ao poder de forma legal, no voto? Impensável, não era não?
Segundo o Banco Central (BC), a dívida alcançou R$ 1,047 trilhão em novembro, equivalente a 34,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Em outubro, esse valor era de 36,3% do PIB. De acordo com o BC, a alta do dólar contribuiu para a redução. A alta do dólar contribuiu para que a dívida líquida do setor público atingisse em novembro o menor nível em dez anos. Segundo números divulgados há pouco pelo Banco Central (BC), a dívida alcançou R$ 1,047 trilhão no último mês, equivalente a 34,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Em outubro, esse valor era de 36,3%. De acordo com o BC, esse é o menor nível desde maio de 2008. Apenas a desvalorização cambial contribuiu para a redução de 1,2 ponto percentual no valor do endividamento. No final do ano passado, a dívida líquida do setor público equivalia a 42% do PIB. Desde então, o valor caiu 7,1 pontos percentuais do PIB. Desse total, conforme o BC, 4,5 pontos percentuais são resultantes do superávit primário, 3,7 pontos percentuais vêm do crescimento do PIB e 3,7 pontos percentuais foram resultado da alta acumulada de 31,7% da moeda norte-americana no ano. A dívida líquida corresponde ao que o setor público (União, estados, municípios e estatais) devem, descontado o que tem a receber. Com a desvalorização do dólar, o valor a ser recebido aumentou em reais, o que contribuiu para a redução da dívida líquida. Menor déficit nominal A queda dos juros da dívida pública e o aumento do superávit primário fizeram o setor público (União, estados, municípios e estatais) registrar o menor déficit nominal já observado. Segundo números divulgados pelo Banco Central (BC), o déficit nominal atingiu R$ 10,8 bilhões nos 11 primeiros meses do ano, equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse é o melhor resultado desde que o BC começou a divulgar os números das contas públicas, em 1991. No acumulado de 12 meses, o déficit nominal somou R$ 34,7 bilhões (1,21% do PIB). O resultado nominal inclui tanto o superávit primário, economia de recursos para pagar os juros da dívida, quanto a apropriação de juros. Atualmente, os juros estão um pouco maiores que o superávit primário, o que resulta em déficit nominal. A meta do governo é zerar o déficit nominal até 2010. Para a queda observada neste ano, contribuíram o aumento de 0,5% do PIB no superávit primário para formar o Fundo Soberano e a redução dos juros da dívida de janeiro a novembro, que caíram 0,73% do PIB na comparação com o mesmo período de 2007.
Com informações da Agência Brasil: http://www.agenciabrasil.gov.br

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Nem tudo são espinhos!


Paraíba supera 20 estados na geração de empregos formais

Ao contrário do que aconteceu em 15 estados brasileiros – o país perdeu 40.821 postos de trabalho -, a Paraíba voltou a registrar crescimento no número de empregos formais. No mês de novembro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego, foram criados 8.204 empregos com carteira (6.757 demissões), resultando num saldo positivo de 1.447. Com a criação dos novos postos celetistas, na Paraíba, o número de empregos gerados este ano, no período de janeiro a novembro, chegou a 12.295. De acordo com os números do Caged, o nível de emprego formal no país apresentou ligeira queda de 0,13% em novembro em relação ao estoque de assalariados celetistas do mês anterior, o que representou uma perda considerável. Entre os estados que apresentaram resultado negativo estão potências econômicas como São Paulo (-20.884), Minas Gerais (-33.921), Goiás (-6.238), Mato Grosso (-8.025), Mato Grosso do Sul (-1.689), Paraná (-172) e Bahia (-357). Estado ocupa 4º lugar na geração de emprego e renda No ranking dos estados que apresentaram resultados positivos em termos de geração de empregos, a Paraíba ocupa o quarto lugar em nível regional, ficando atrás apenas do Ceará (+ 4.245), Pernambuco (+ 2.802) e Sergipe (+ 1.770). Na relação nacional, ficou em sétimo, em função do desempenho do Rio de Janeiro (+ 17.547), Rio Grande do Sul (+ 8.036) e Santa Catarina (+ 3.847), os únicos três estados fora da Região Nordeste que mais geraram empregos. O secretário executivo de Indústria e Comércio, Fabrício Oliveira, disse que há um esforço extraordinário do governo estadual para estimular as empresas no estado a ampliarem suas instalações e, conseqüentemente, buscarem novos mercados, tanto interno como externo. "Além disso, a atração de novas empresas para a Paraíba foi determinante para geração de empregos, renda, riquezas e oportunidades de trabalho, que continua permanentemente até os dias atuais, sem contar que o governador Cássio Cunha Lima tem atuado diretamente em muitos casos, assegurou, adiantando que "fruto dessas ações tem aflorado a toda hora, resultando numa economia que cresce constantemente e se destaca diante de potenciais estados do Nordeste".
Fonte: imprensa-pb

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Educação - Lula sanciona lei que muda organização dos Cefets

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta segunda-feira (29), a lei que reorganiza a estrutura dos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), das escolas agrotécnicas e das escolas técnicas das universidades federais. A partir de agora, todos esses 168 campi passarão a ficar sob o guarda-chuva dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFETs). Serão criados 38 institutos federais espalhados por todos os estados para controlarem as atividades regionalmente. Os IFETs nascem com 168 campi, mas o governo pretende aumentar essa estrutura para 311 campi até 2010. Durante esse período, segundo o Ministério da Educação (MEC), o número de vagas disponíveis nos cursos técnicos aumentará de 215 mil para 500 mil. Ainda de acordo com o MEC, a estrutura atual do IFET conta com 14 mil professores. Até 2010, o governo pretende contratar outros 15 mil docentes por concurso público. Os quadros de técnicos administrativos também aumentarão, passando de 20 mil para 32 mil até 2010. As contratações serão feitas ao longo dos próximos dois anos. Metade das vagas dos institutos será destinada ao Ensino Médio integrado ao profissional, o que permite aos estudantes a oportunidade de se formar profissionalmente. Na educação superior, receberão destaque os cursos de engenharia e bacharelados tecnológicos, que contarão com 30% das vagas. Outros 20% serão reservados para licenciaturas em ciências da natureza, com o objetivo de reverter o déficit de professores nas áreas de física, química, matemática e biologia.
Do Portal G1

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Dois anos em 2008



O que vai abaixo é o artigo do autor do Entrelinhas para o Correio da Cidadania. Um balanço do estranho ano de 2008, em segunda mão para os leitores do blog Helio Jampa.

"Definitivamente, não é nada fácil fazer uma análise retrospectiva sobre 2008. No fundo, foram dois anos em um: o primeiro começou dia 1° de janeiro de 2008 e terminou talvez em 15 de setembro, quando o Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, pediu concordata. Sim, é claro que a crise financeira global não começou em 15 de setembro de 2008, mas aquele dia já pode ser considerado um marco histórico porque a partir dali o mercado financeiro entrou em parafuso, ampliando em muitas vezes o pânico já reinante. Foi também a partir daquela data que o sistema de crédito, especialmente nos EUA mas também na Europa, simplesmente parou de funcionar. As linhas existentes foram paralisadas pelo temor de que o governo norte-americano poderia permitir que instituições financeiras de peso simplesmente quebrassem. Dias depois, porém, o governo dos EUA anunciou o primeiro de uma série de planos de resgate, no valor de US$ 700 bilhões, que seria rejeitado na Câmara de Representantes em 29 de setembro e depois aprovado em outubro, com um novo formato. Detalhes sobre o desenrolar da crise após 15 de setembro, porém, não são o foco deste artigo, mesmo porque essa história ainda está em curso e, como já foi apontado, não começou em 2008, ao contrário, seria preciso retroceder bastante para explicá-la – trabalho este muito mais adequado aos historiadores e economistas do futuro. O que importa aqui é analisar, em retrospectiva, como foi o ano de 2008 na política brasileira e também um pouco na economia, uma vez que neste ano essas duas esferas estiveram especialmente entrelaçadas, tendência que deverá se repetir em 2009. Assim, e tendo em vista o marco do agravamento dos problemas na economia mundial a partir de setembro, é possível tentar entender o que ocorreu aqui dentro analisando dois cenários bastante distintos – pré e pós-agravamento da crise financeira global. No campo econômico, entre janeiro e outubro o Brasil viveu um período de crescimento bastante expressivo. O consumo das famílias aumentou, a criação de empregos formais bateu recorde mês após mês, o desemprego também cravou marca histórica, caindo para 7,5% no final do ano, o investimento das empresas cresceu substancialmente e tudo isto podia ser percebido nas ruas, especialmente nas capitais, abarrotadas de automóveis novos e com edifícios sendo construídos em toda parte. A atividade foi tão pujante nos três primeiros trimestres do ano que já garantiam crescimento no Produto Interno Bruto superior a 5% , mesmo que não houvesse avanço algum no último trimestre de 2008. Sim, já começavam a aparecer problemas por aqui, como a queda do superávit comercial, uma vez que a economia mundial vinha desacelerando à espera do que viria pela frente, mas os resultados da economia nacional eram até surpreendentemente melhores do que o clima bem mais moderado lá fora, desde o início do ano, poderia ensejar. Política: Lula nas alturas e as eleições municipais Como reflexo do crescimento cada vez mais forte da economia, a popularidade do presidente Lula bateu sucessivos recordes em 2008, terminando em mais de 80% no final do ano, já com a crise em curso e começando a “bater” aqui no Brasil. Tal taxa é maior do que a obtida por todos os presidentes brasileiros desde a redemocratização – o recorde anterior era de José Sarney, que no auge do plano Cruzado teve seu governo aprovado por 72% dos brasileiros. No Nordeste, Lula consegue espantosos 90% de apoio popular e a rejeição ao seu governo não chega a 5%. É muito, para qualquer parâmetro comparativo que se utilize. Além da altíssima popularidade do presidente, dois outros fatos são importantes para uma análise sobre a política nacional em 2008. Em primeiro lugar, as eleições municipais, que transcorreram de forma tranqüila, inusitadamente tranqüila, alguém poderia dizer. Mais uma vez ficou claro que a política nacional hoje é marcada pela despolitização. Em qualquer democracia, a campanha eleitoral e a eleição são os momentos em que os partidos se organizam para exporem as suas diferenças e revelarem o seu pensamento em relação à realidade do país. Não é o que tem acontecido nas últimas disputas eleitorais no Brasil e a deste ano foi especialmente emblemática deste movimento. Do Oiapoque ao Chuí, pouquíssimos candidatos se arriscaram a bater no governo federal. A esmagadora maioria seguiu a estratégia de “municipalizar” o pleito, restringindo o debate aos temas locais. Mesmo nas poucas cidades em que a eleição ganhou relevância nacional (São Paulo, Salvador, Belo Horizonte), foi mais pela insistência da mídia do que dos candidatos. Senão vejamos. Na capital mineira, o que estava em debate era a criação de uma frente plural que unia PSDB, PT e uma enorme gama de partidos em torno de um candidato desconhecido do público, o empresário Márcio Lacerda (PSB). O processo foi desde o início conturbado, mas o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT) conseguiram impor a seus partidos a candidatura de Lacerda com um vice oriundo do PT. Aécio fez o PSDB engolir o sapo de não lançar candidatura própria nem participar formalmente da aliança por capricho da direção nacional petista, que proibiu o acordo. O que parecia uma jogada de risco do governador e prefeito se revelou mesmo uma jogada de risco: Lacerda venceu a eleição, mas passou maus momentos e teve que suar a camisa (e usar o cofrinho) contra outro desconhecido, o deputado Leonardo Quintão (PMDB), um jovem político de futuro promissor, que com um estudado jeitão caipira conquistou o eleitorado que desaprovou a estranha aliança tucano-petista. Durante toda a campanha, a imprensa questionou e especulou sobre a jogada de Aécio, que para muitos estaria sinalizando uma possível solução político-partidária para 2010, superando as divergências entre PT e PSDB em torno, naturalmente, de seu nome como cabeça de chapa para a disputa presidencial, ainda que fora do ninho tucano, no mesmo PMDB que acabou sendo a pedra no sapato da disputa municipal em Belo Horizonte. O sucesso relativo da estratégia de Aécio Neves acabou botando um pouco de água no chope de quem já dava como favas contadas a saída do governador mineiro para o PMDB e uma candidatura presidencial em 2010, com apoio do presidente Lula. De qualquer forma, não deixa de ser interessante notar que BH foi, paradoxalmente, a eleição mais “nacionalizada” do país por obra dos caciques locais, que avalizaram a tão questionada aliança em torno de Lacerda. São Paulo: PSDB rachado, acertos de Kassab e erros de Marta Em São Paulo, foi a imprensa quem tratou de nacionalizar a eleição. Os candidatos Gilberto Kassab (DEM), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marta Suplicy (PT) pouco utilizaram os apelos da política nacional, e mesmo assim só o fizeram na fase final da campanha. Desde o início, porém, a mídia imprimiu à disputa paulistana o caráter de “grande prova para a popularidade de Lula e sua capacidade de transferência de votos em 2010”. Bobagem, até porque, como diria o filósofo futebolista, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” – ou seja, 2008 é 2008, 2010 é 2010. No fundo, do processo eleitoral paulistano dá para tirar, sim, algumas lições válidas para a política nacional, apesar e até mesmo em função da falta de apetite dos candidatos para o debate mais profundo sobre os problemas do Brasil. Em primeiro lugar, a insistência do tucano Geraldo Alckmin de sair candidato, a despeito dos reiterados apelos do governador José Serra para que o PSDB apoiasse Kassab, revela que as tensões no tucanato ainda não estão devidamente sanadas. A derrota de Alckmin foi certamente um alívio e uma vitória para Serra, que saiu reforçado do pleito de 2008 com a vitória do democrata Kassab – não é a primeira vez que Serra vence quando seu partido perde, diga-se de passagem –, porém as recentes declarações de Aécio Neves de que a candidatura presidencial tucana não está escolhida mostra que Serra ainda terá que vencer alguns obstáculos para ser o candidato à presidência de um PSDB unido, coisa que não ocorre desde 1998, quando Fernando Henrique foi reeleito. Por outro lado, a polarização da eleição entre Kassab e Marta mostrou que a população entendeu o debate eleitoral como eminentemente local, isto é, de uma proposta de administração, a atual, contra outra, a anterior. O esperto Gilberto Kassab chegou a elogiar Lula diversas vezes e se concentrou em bater forte na candidata, apostando na estratégia de maximizar a alta rejeição que a ex-prefeita apresentava. O jingle “bate na madeira, Marta de novo, nem de brincadeira” é a expressão acabada desta estratégia. Deu certo, pois do outro lado a campanha de Marta não sabia muito bem para que lado atirar quando percebeu que o apoio de Lula seria discreto e não resolvia a questão da rejeição da candidata. No final, os marqueteiros perderam a cabeça e apelaram para insinuações sobre a suposta homossexualidade do prefeito (“ele é casado, tem filhos?”), despolitizando de vez a campanha. Antes de entrar no caso de Salvador, vale a pena um rápido comentário sobre o comportamento das oposições de esquerda ao governo Lula, hoje representadas majoritariamente pelo PSOL, na eleição municipal deste ano. Para ser sucinto, foi algo entre o ridículo e o covarde. Dois exemplos bastam para que o leitor tenha a dimensão da falta de arrojo das esquerdas: em São Paulo, o candidato do PSOL não conseguiu nem sequer se posicionar a favor de uma medida nitidamente favorável aos mais pobres – o pedágio urbano -, com medo de perder os votos dos proprietários de veículos; no último mês de campanha, já sob o que os jornalões classificavam de “maior crise da história do capitalismo”, os candidatos do PSOL simplesmente ignoravam a questão, prosseguindo nas críticas pontuais aos adversários e tentando explicar que iriam fazer auditorias nas dívidas municipais para liberar verbas e investi-las nos necessários programas sociais. O primeiro caso é apenas ridículo, o segundo revela o medo das esquerdas de realizar o debate que de fato importa. Salvador: quem bate em Lula, apanha nas urnas A capital da Bahia é um ótimo exemplo de como a eleição municipal pode ser nacionalizada “às avessas” e demonstra a enorme força do presidente Lula no Nordeste. Faltando pouco mais de um mês para as eleições, o candidato do DEM, ACM Neto, herdeiro da oligarquia que dominou o Estado até 2006, era o favorito na eleição. O segundo colocado era o tucano Antonio Imbassahy, ex-prefeito da capital soteropolitana. Em terceiro estava o petista Walter Pinheiro e apenas em quarto lugar aparecia o prefeito João Henrique (PMDB), filho de João Durval, adversário histórico do avô de ACM Neto. A campanha começou a ganhar emoção no momento em que o tucano Imbassahy, percebendo a ascensão de Pinheiro e João Henrique, partiu para o ataque e decidiu que sua chance era tirar o candidato democrata da disputa. A campanha do PSDB, e não a do PT ou PMDB, foi quem primeiro levou ao ar a gravação de ACM Neto prometendo “dar uma surra em Lula”. A partir daí, Neto, como é chamado na Bahia, começou a perder apoio, e teve que justificar o feito na televisão: “Exagerei na dose, reconheço. Hoje, mais amadurecido, não repetiria aquelas palavras”, desculpou-se o candidato no horário político em uma frase dúbia, que desloca a culpa pela trapalhada a, talvez, “doses a mais”. Tarde demais, de qualquer forma: a partir de setembro ACM Neto perdeu pontos a cada pesquisa e assistiu à ultrapassagem de Pinheiro e João Henrique, que de resto atropelaram também o tucano Imbassahy. O prefeito acabou reeleito, mas o que vale aqui destacar é que embora a campanha não tenha sido das mais politizadas no país, ganhou o caráter nacional pelo debate em torno da figura do presidente. E restou provado que pelo menos no Nordeste, quem bate em Lula acaba apanhando nas urnas. Fazendo um balanço geral das eleições deste ano, é possível destacar três grandes vitoriosos ao final do processo: o PMDB, que na frieza dos números foi o grande vencedor da eleição (conquistou o maior número de prefeituras, de vereadores e empatou com o PT nas capitais – ambos comandarão 6, mas as peemedebistas têm mais peso político); José Serra, que conseguiu eleger o seu candidato à prefeitura da maior capital do país e com isto consolidou a sua própria candidatura à presidência do Brasil (especialmente pelo naufrágio de seu “companheiro” Alckmin) e por fim o PT, que mais uma vez cresceu bastante (36%, saltando de 410 para 558 prefeituras), em mais um passo para se tornar uma legenda de alcance nacional. Apesar da vitória pessoal de Serra, a oposição sofreu um baque forte na eleição deste ano. Os dois principais partidos, DEM e PSDB, perderam espaço. No caso dos democratas, a queda foi grande: em 2004, 794 cidades estavam sob o comando do DEM, número que passou para 501 – queda de quase 37%, isto é, mais de um terço das prefeituras. Já o PSDB, que comandava 870 cidades caiu para 788 (-9,43%). Evidentemente, a análise quantitativa esconde a excepcional vitória democrata em São Paulo, cidade que o partido jamais havia conquistado pelo voto, nas urnas. Já o PSDB pela primeira vez ficou sem nenhum prefeito nas capitais dos três Estados mais importantes do país (SP, Rio e MG)– só venceu em Curitiba, São Luís, Cuiabá e Teresina. Crise e política Eleições à parte, a última questão a ser analisada é o impacto da crise mundial na política brasileira em 2008. Ainda é difícil perceber a influência das turbulências internacionais na cena política porque os efeitos econômicos também não foram ainda sentidos na intensidade que se imagina que serão no próximo ano. O que se pode dizer é que entre setembro e dezembro, o noticiário foi dominado pelo pessimismo – todos os dias o leitor, ouvinte e telespectador se deparava com uma notícia pior do que a do dia anterior. A maior parte das notícias, é certo, diziam respeito ao que se passava lá fora, mas à medida que o tempo foi passando começaram a aparecer na mídia os efeitos da crise no Brasil, como a queda abrupta na venda de automóveis, a diminuição do crédito ao consumidor e às empresas e o início das demissões que um ciclo de diminuição da atividade econômica naturalmente provoca. Nada disto, porém, parece ter tirado o ânimo dos brasileiros, que em dezembro avaliaram a gestão do presidente Lula com mais de 80% de “ótimo” e “bom”, fundindo a cabeça dos analistas mais conservadores, que já esperavam uma queda na popularidade do presidente. Ainda não há dados conclusivos sobre o comportamento da economia no último trimestre de 2008, o que se pode dizer até agora é que de fato ocorreu uma queda forte na atividade econômica em outubro e novembro. Os dados para dezembro só serão conhecidos em 2009, mas pelo que se vê nas ruas e se escuta nas entrevistas dos líderes dos sindicatos patronais, o 13° e o Natal devem sustentar algum crescimento no período, elevando assim a estimativa do PIB de 2008 para alguma coisa acima de 5,5%. Assim, ainda que o ritmo de crescimento tenha sido freado no final do ano, os efeitos políticos da bonança econômica persistiram e o presidente Lula termina 2008 em alta com o povo que governa. Sim, talvez ele também tenha conseguido passar para o distinto público a impressão de que reagiu rápido e à altura da crise, com medidas importantes para a classe média e empresas em dificuldades, mas ainda é cedo para julgar se a alta popularidade já poderia ser atribuída não ao bom desempenho da economia, mas à condução da crise, como já começam a dizer alguns analistas. Evidentemente, este é o sonho de consumo dos petistas: atravessar a crise sem macular a espetacular popularidade do presidente – neste caso, só um milagre poderia impedir Lula de fazer seu sucessor".

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Chora, Mídia: Lula é o 18º homem mais influente do mundo

Lula é o 18º homem mais influente do mundo, aponta Newsweek.



O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, figura como a 18ª pessoa mais influente do mundo numa lista elaborada pela revista americana "Newsweek" para delinear a nova estrutura de poder global. Na edição com data de 5 de janeiro de 2009, o periódico publica reportagem especial sobre a ascensão de Barack Obama ao posto de pessoa mais influente do mundo e aponta os 49 políticos, grupos e personalidades com mais potencial de destaque durante o mandato do próximo presidente americano. Ao justificar a escolha de Lula como a 18ª pessoa mais influente do planeta, a Newsweek escreve que, depois de pegar o Brasil à beira da ruína no início de 2003, o atual presidente hoje governa um país com mais de US$ 200 bilhões em reservas internacionais e com o menor índice de inflação entre os países emergentes. Encabeçada por Barack Obama, a lista da Newsweek conta com o presidente da China, Hu Jintao, em segundo lugar, e o da França, Nicolas Sarkozy, em terceiro. Os quarto, quinto e sexto lugares são ocupados, na ordem, pelos presidentes dos bancos centrais dos EUA, da Europa e do Japão, Ben Bernanke, Jean-Claude Trichet e Masaaki Shirakawa, respectivamente. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, aparece em sétimo lugar, seguido pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo chefe de governo da Rússia, Vladimir Putin. O décimo lugar é ocupado pelo rei Abdullah da Arábia Saudita. Lula aparece à frente de figuras como o papa Bento XVI (37º), o milionário saudita no exílio Osama bin Laden (42º) e o dalai-lama (46º). No texto de apresentação, a revista admite que a elaboração da lista é altamente subjetiva e arbitrária, mas assegura que as escolhas foram cuidadosamente avaliadas e representam a tendência do novo equilíbrio de poder no mundo. As informações estão no site aberto da "Newsweek".

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Prefeito de João Pessoa (PSB) é destaque no Congresso em Foco


Matéria publicada nesta quarta-feira (17) pelo site nacional especializado em cobertura política "Congresso em Foco", um dos mais lidos do país, destaca o Prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB) como um dos seis Prefeitos eleitos nas capitais que conseguiu prestar contas à justiça eleitoral, sem precisar de novos recursos após o pleito de outubro último.
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x
O site cita textualmente o nome de Ricardo Coutinho, ao lado de outros cinco vitoriosos em primeiro turno e lembra que os outros eleitos corriam o risco de não serem diplomados e tomar posse por conta das restrições da Justiça eleitoral. Entre os que disputaram o segundo turno, somente Duciomar Costa (PTB), reeleito em Belém, não precisou de novos aportes financeiros após 26 de outubro. Reforço de R$ 19 milhões para prefeitos eleitos Dos 26 eleitos nas capitais, só seis não precisaram de novos recursos após eleição para acertar prestação de contas e escapar de punição Dos 26 prefeitos eleitos em outubro, 20 receberam, ao todo, R$ 19 milhões após a eleição em doações de pessoas físicas e jurídicas ou dos comitês partidários. A quantia representa 16,3% dos R$ 117 milhões arrecadados pelos candidatos vitoriosos nessas cidades durante a campanha. Caso não recebesse a injeção financeira após a disputa das urnas, parte deles corria o risco de não poder ser diplomada e tomar posse por conta das restrições da Justiça eleitoral. Em números absolutos, quem mais levantou recursos após a eleição foi o novo prefeito de Belo Horizonte (MG), Márcio Lacerda (PSB). Eleito em coligação com o PT e com o apoio informal do PSDB, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais recebeu R$ 6.054.093,38 após derrotar o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) no segundo turno. A maior doação que Lacerda recebeu foi de R$ 500 mil, feita pelo diretório nacional do PSB. Com isso, ele subiu sua arrecadação para R$ 17.545.331,61, um aumento de 34,5%. Dos 15 que saíram vitoriosos já no primeiro turno, somente cinco não registraram doações depois de 5 de outubro. São eles os prefeitos reeleitos: Raimundo Angelim (PT), de Rio Branco (AC); Roberto Sobrinho (PT), de Porto Velho (RO); Ricardo Coutinho (PSB), de João Pessoa (PB); Cícero Almeida (PP), de Maceió (AL), e Luizziane Lins (PT), de Fortaleza (CE). Já dos 11 candidatos que tiveram que enfrentar mais três semanas de campanha e um novo turno de eleição, somente Duciomar Costa (PTB), reeleito em Belém, não precisou de novos aportes financeiros após 26 de outubro.
FONTE: http://congressoemfoco.ig.com.br/Noticia.aspx?id=25897

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Tucano cassado não sai este ano

Grau desconhece embargos de Cássio, mas Versiani pede vistas e adia julgamento.

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Eros Grau, rejeitou os embargos interpostos pelo governador Cássio Cunha Lima (PSDB), mas o ministro Arnaldo Versiani pediu vistas, adiando o julgamento para depois do recesso judiciário, que se estende até fevereiro de 2009. O pedido de vistas aconteceu depois que o advogado do governador, Eduardo Ferrão, levantou dois pedidos de fato: o programa Ciranda de Serviços foi interrompido no período eleitoral (fato contestado por Grau) e a distribuição de cheques tinha provisão orçamentária e legislação especifica, atestados pelo Tribunal de Contas do Estado (fato também contestado pelo relator). Em suas ponderações, o presidente do TSE, Carlos Ayres Brito, chegou a declarar que confiou no voto de Grau mas que, no momento, não se sentia mais a vontade para votar a matéria. Brito reiterou as perguntas sobre a data do Ciranda e sobre a legislação orçamentária do programa. - Me sinto constrangido por ser contestado, disse Eros Grau. - Quero ficar tranqüilo com meu voto, respondeu Ayres Brito. - Meu argumento encerra no meu voto, rebateu Grau. Logo após o diálogo, Versiani pediu vistas. O pedido suscitou declarações duras do ministro Joaquim Barbosa, obrigando intervenção do presidente. Se a rejeição dos embargos tivesse sido acolhida pelos ministros, o governador teria que deixar o cargo já a partir de amanhã, abrindo caminho para a posse do senador José Maranhão (PMDB). O TSE só tem mais uma sessão antes do recesso, mas os embargos não devem figurar na pauta. Como votaram os ministros:. O ministro Joaquim Barbosa foi o único ministro a acompanhou o voto do relator. Ele sugeriu a continuação do julgamento, apesar do pedido de vista. Os ministros Arnaldo Versiani, Felix Fischer, Fernando Gonçalves e Marcelo Ribeiro preferiram aguardar o voto-vista para continuar o julgamento do caso. Voto do relator: Para o relator, os recursos apresentados pelo governador, por seu vice, José Lacerda Neto, pelo Democratas (DEM) e pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) devem ser rejeitados por que apenas pretendem “rediscutir” matéria já decidida pelo TSE. Além disso, o relator decidiu não aceitar o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) como integrante do processo e não conhecer o recurso apresentado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) contra a decisão do TSE que determinou a perda do mandato ao governador.
Fonte: TSE

Rands: PT rejeita qualquer mudança que prejudique direitos trabalhistas



O líder do PT na Câmara, deputado Maurício Rands (PT- PE), disse na terça-feira (16) que a bancada petista não aceita apoiar qualquer mudança que retire direitos trabalhistas, mesmo que temporariamente. "A bancada do PT é contra essa discussão. Não existe qualquer hipótese de apoiarmos medidas nesse sentido", afirmou Rands, ao comentar proposta do presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, feita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de flexibilização temporária das leis trabalhistas em função da crise econômica mundial. Entre as propostas do empresário, está a redução de salários, da jornada de trabalho e dispensa de contratos trabalhistas.O relator da comissão especial criada para dar parecer sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) 231/95, que trata da redução da carga horária de trabalho semanal de 44 para 40 horas. deputado Vicentinho (PT-SP), criticou a proposta apresentada por Agnelli. "Quando a Vale estava lucrando seus bilhões, ele estava calado. Agora, que a empresa ainda continua ganhando muito, surge essa proposta. Se vier proposta de flexibilização de leis trabalhistas para cá, não aceitamos. Posso garantir uma coisa: vai ter briga", avisou Vicentinho.Ele qualificou a proposta de "inoportuna" e lembrou que os empresários sempre procuram uma chance para serem beneficiados. "É muito engraçado que quando a Vale dava lucro de bilhões não falava nada. Agora, continua ganhando muito e vem com tal proposta contrária aos trabalhadores. " disse Vicentinho,. As centrais sindicais, como a CUT, também se pronunciaram contra a possibilidade de flexibilização da legislação trabalhistas.
Agência Informes (www.ptnacamara.org.br)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Faltou um divã para FHC?

Gilson Caroni Filho

Deve ter sido muito doloroso para o “príncipe uspiano” descobrir que a sociedade nova não só estava com Lula como, após seis anos de governo, continua a apoiá-lo. Como nunca antes na história desse país. No dia em que saem mais duas pesquisas dando conta da aprovação recorde do governo e do aumento da popularidade do presidente, o que deve calar mais fundo na oposição é a lembrança do passado recente. E o quanto os seis anos de governo petista representaram de ruptura com ele. Das prioridades internas, com ênfase no mercado interno e nas políticas redestributivas, à inserção externa soberana e bem orientada, as mudanças foram por demais substantivas para serem ignoradas. Assim, é hora de, no final de 2008, relembrarmos o ocaso de um governo que levou o país à bancarrota. Vivíamos o ano de 1999. Num quadro de crise de ideologias, de fim de utopias, de aumento de desemprego, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deitava falação sobre as mudanças ocorridas no Brasil. Detectava o surgimento de uma nova sociedade e acreditava que a parte moderna dela iria aderir ao projeto neoliberal. Aquele em que a arquitetura política era vista como defeituosa e as virtudes deveriam ser creditadas aos agentes do mercado, os empreendedores, “heróis” do capitalismo de massa, que deixariam perplexos tanto a esquerda quanto a direita conservadora. Seriam eles "os heróis de nossa gente", filhos do "silêncio" e do "medo da noite". Correto ao diagnosticar as transformações em curso no país, FHC se equivocava em acreditar que os novos e emergentes setores da sociedade, quando se organizassem efetivamente, apoiariam seu projeto de reformas. Como bem destacou, na época, a cientista política Maria Vitória Benevides, as afirmações de que a crise de representação era algo novo no país e a de que os movimentos sociais, em especial o MST, estavam enfraquecidos eram falácias tão gritantes que deixavam no ar uma impressão de bonapartismo sugerido. O que o ex-presidente insinuava era que o velho não estava com ele, mas o novo só não o apoiava por falta de organicidade. A incapacidade de pensar o país foi a marca do governo tucano. O cenário era desolador. O ambiente pós-desvalorização ficou confuso. Sem crescimento, não se recuperava o nível de emprego. O desemprego que explodiu em janeiro de 1998 por causa da crise asiática, não dava sinais de reversão. A combinação de queda na renda e desemprego atingia o setor produtivo. O comércio registrava perdas expressivas durante 18 meses. Com vendas fracas, indústria e comércio tendiam a segurar os preços, deixando claro que só com ambiente recessivo o governo tucano conseguia reduzir a taxa de inflação. Diante disso, é possível falar em continuidade de modelo? Nesse quadro, os partidos de apoio ao Governo-PSDB, PFL (DEM) e parte expressiva do PMDB - atribuíam à falta de comando do então presidente as disputas e brigas na base aliada. O distanciamento de Fernando Henrique do dia-a-dia da política e a crise econômica minaram sua autoridade, e resultado foi um verdadeiro tiroteio entre os principais políticos desses partidos. Aécio Neves, lembram disso?, se dizia inconformado com o processo de privatização de Furnas. No PFL, a comoção se dava por conta da não nomeação do ex-ministro Luiz Carlos Santos para nenhum cargo, depois de lhe terem prometido a presidência da BR Distribuidora. No PMDB, o desconforto foi causado por uma promessa não cumprida de FHC a Michel Temer de nomear um amigo do ex-presidente da Câmara para a direção da Petrobrás. O acúmulo de ressentimentos sinalizava para uma conclusão melancólica de governo. As digressões de Fernando Henrique soavam a alheamento da realidade. Pior, uma fuga dela pelo discurso diletante. A situação se apresentava como nunca antes navegada: a impopularidade do presidente era maior que a do seu Governo, o real se contaminava com tudo isso e a bloco de poder contemplava a rota de afastamento. E nenhum jornal pensou em chamar um psicanalista para analisar um presidente em seu ocaso. Ou ouvir a população que, ao reprová-lo, mostrava não fugir da realidade. Um Jacob Pinheiro Goldberg para falar em “mecanismos de negação freqüente quando se enfrenta uma situação de impotência". Afinal, deve ter sido muito doloroso para o “príncipe uspiano” descobrir que a sociedade nova não só estava com Lula como, após seis anos de governo, continua a apoiá-lo. Como nunca antes na história desse país. Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Diretório municipal do PT ganha novo coletivo político


Dez dos dezessete candidatos a vereadores que concorreram as eleições municipais em outubro de 2008 pelo Partido dos Trabalhadores - PT, em João Pessoa, após vários encontros e reuniões resolveram, neste final de semana, formalizar e divulgar a criação do mais novo Coletivo político do partido na Paraíba.
O Grupo que ganhou o nome de PT Solidário e que congrega, além dos suplentes de vereadores petistas na capital, várias lideranças sindicais e comunitárias terá como focos principais a construção partidária, apoio ao Governo do Presidente Lula e a atual administração municipal de João Pessoa. Segundo carta encaminhada a direção partidária, cuja á integra publicamos a seguir, o PT Solidário interagirá nos movimentos sociais e políticos, bem como buscará espaços dentro da própria agremiação.
Veja a carta:
Ao Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores – PT, na Cidade de João Pessoa. ATT: Dr. Anselmo Castilho – Presidente da Diretoria Executiva Prezado companheiro, Na condição de suplentes de Vereadores nesta cidade, pela legenda petista, nos dirigimos a Vossa Senhoria para solicitar que se digne comunicar a todos os filiados e as instâncias regulares do nosso Glorioso partido, o que se segue: Que nós, filiados e filiadas, militantes do Partido dos Trabalhadores, que participamos recentemente das eleições municipais e que contribuímos com mais de1/3 (um terço) da votação que possibilitou efetivamente a eleição de dois dos nossos companheiros ao cargo de vereador, inclusive garantindo a permanência numérica de nossos representantes na casa de Napoleão Laureano, que demos nossa contribuição à expressiva vitória e consequente reeleição do nosso aliado Ricardo Coutinho, reunidos neste sábado, dia 13/12/2008, com a presença ainda de vários outros valorosos companheiros e companheiras, membros e simpatizantes do PT, decidimos unanimemente formalizar e tornar público a criação e consolidação do nosso coletivo partidário cujo mesmo denominamos de PT Solidário. Deixamos claro e empenhado o nosso mais profundo respeito às instâncias partidárias, bem como ao estatuto, ao programa e ao regimento interno do Partido dos Trabalhadores, elementos estes imprescindíveis às garantias democráticas da agremiação.. O nosso propósito maior ao nos fundirmos, é o de podermos, de forma organizada, coeza e eficaz, contribuir efetivamente com a permanente construção partidária e com o projeto político, social e econômico levado a efeito pelo governo Lula e pela atual administração municipal de nossa cidade. Portanto, temos a convicção de que este passo dado agora, sepulta de uma vez por todas a nossa ação individualizada e conseqüentemente desprovida de êxito. E mais, solicitamos desde já que a direção partidária, suas instâncias e/ou comissões de negociações, oficialmente constituídas, zelem por lembrar-se de nossa existência e da necessidade de sermos participantes ativos, nunca passivos, dos processos e encaminhamentos partidários. Queremos ser ouvidos e contribuirmos, sempre! O coletivo PT solidárionasce com a seguinte composição: 10 suplentes de Vereadores, três diretorianos, inumeros filiados e militantes de João Pessoa e de cidades adjacentes além de uma disposição tremenda de colaborar para com o avanço partidário. O Coletivo PT Solidário estará doravante, formando suas lideranças, aperfeiçoando suas ações, se reciclando e oferecendo ao partido e as instâncias partidárias, suas potencialidades; estaremos disputando politicamente os espaços na sociedade, quer seja nos bairros, no movimento sindical, no movimento político e social como um todo, bem como dentro do próprio partido, em encontros, convenções, congressos e PED’S. Mesmo declarando a nossa identidade própria enquanto grupo político interno, estaremos sempre abertos ao diálogo com outros agrupamentos e com as instâncias, inclusive para planejarmos ações em bloco e em parcerias políticas, tudo isso com um único foco: fazer valer a grande e tão almejada supremacia partidária. Finalizando queremos reafirmar o nosso compromisso de lutar por um partido cada vez mais democrático, mais forte, mais combativo e, acima de tudo, mais ético e em sintonia com as mais legítimas reivindicações do povo pessoense, paraibano e brasileiro.

Viva o PT!

João Pessoa, 13 de dezembro de 2008

sábado, 13 de dezembro de 2008

Depois do SIFU, LULA CHAMA DE IMBECIL QUEM "TORCE PARA CRISE CHEGAR AO BRASIL"


Li no Nlog Democracia e Politica que Leu no UOL o seguinte texto produzido para a Folha Online:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que muitos comentaristas e articulistas de economia torcem contra o seu governo e usam a crise financeira internacional para atingi-lo. Para Lula, "tem gente que torce" para que a crise chegue ao país e "derrote" o seu governo. "O imbecil não sabe que se a crise vier o derrotado não será o governo, será o País, que está experimentando o maior índice de crescimento da sua história", afirmou Lula em discurso durante uma inauguração de obra em Belo Horizonte, ao lado do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Lula lembrou que as crises econômicas que ocorreram no mundo aconteciam em países pobres --como Brasil, Rússia, Malásia, México e Argentina. "Mas esta crise que nós estamos vivenciando nasceu no coração da economia mais rica do planeta. É uma crise que os Estados Unidos estão exportando para o mundo". Segundo o presidente, a crise americana já chegou na União Européia, Japão, China e Índia, e pode atingir também o Brasil. "É preciso saber a que tamanho que ela pode chegar e nós poderemos definir o tamanho que esta crise pode chegar ao Brasil". No discurso, Lula assegurou que nenhuma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal, será paralisada. Ele afirmou que está pedindo para que governadores e prefeitos também não interrompam investimentos em infra-estrutura. EUA Em Belo Horizonte, Lula comparou o seu governo com as promessas de campanha feitas pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama. Segundo o presidente brasileiro, Obama afirmou que vai gerar 2 milhões de empregos e investir em obras de infra-estrutura. "Na verdade, acho que ele vai fazer um PAC, acho que ele vai fazer um PAC lá", disse Lula. "É que ele está prometendo criar 2 milhões de empregos até 2011. Somente este ano no Brasil, de janeiro a outubro, nós criamos 2,2 milhões de empregos com carteira profissional assinada".

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Lula determina revisão de juros em bancos públicos, diz Dilma



A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse nesta quinta-feira, 11 que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preocupado com o aumento dos juros "cobrados na ponta" e determinou que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal façam uma revisão das taxas que estão cobrando. A ministra explicou que o objetivo do governo é fazer o possível para reduzir o custo de capital e aumentar o volume de crédito. A cobrança de Lula vem no dia seguinte ao da decisçao do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 13,75% ao ano.
"Me refiro ao spread", disse ela ao ser indagada sobre a determinação presidencial aos bancos públicos. Segundo a ministra, "como não há aumento no custo de captação, não faz sentido uma cobrança de juros acima do que se fazia antes (da crise internacional)." Spread é a diferença entre o juro cobrado nos empréstimos e as taxas pagas pelos bancos aos investidores. Esta diferença é o que determina o lucro dos bancos nas operações de crédito. Dilma disse ainda que o governo quer uma explicação de quais são as razões técnicas "de spreads tão elevados". Ela acrescentou que "o medo não é técnico e obter maior lucratividade em cima da retração brasileira não é correto." A ministra disse ainda que o presidente Lula pediu uma explicação ao BB e a CEF sobre os juros cobrados e "determinou uma política mais condizente com razões técnicas para os juros nos bancos públicos". Indagada se o objetivo do governo não é incoerente com a decisão tomada ontem pelo Copom de manutenção da taxa Selic, a ministra limitou-se a dizer que não comenta decisões de política monetária. Investimentos A ministra disse que o governo vai "manter os investimentos intactos" apesar da crise. Segundo ela, o governo brasileiro considera a crise muito grave e maior do que em 1929, mas ao contrário do que ocorria antes, "o estado não está quebrado". Citando as reservas brasileiras e o fato de que o País é hoje credor, a ministra garantiu que o governo tem capacidade de "agir diante da crise, com instrumentos de política fiscal e monetária, e terá condições de fazer frente às turbulências". Segundo ela, um dos principais objetivos do governo é ampliar o crédito. "As doenças se transmitem pelo sangue e pela saliva. Esta crise é pelo crédito", afirmou ela em palestra em evento em Farmanguinhosa, unidade de produção e desenvolvimento de medicamentos da Fiocruz, que está comemorando 90 anos de criação do Serviço de Medicamentos Oficiais do Brasil. Segundo a ministra "nós queremos ampliar o crédito, reduzir o custo de capital, aumentar a capacidade de investimento e vamos manter o PAC, assegurar o investimentos no pré-sal, e manter os programas sociais". A ministra disse ainda acreditar que o dólar deve se estabilizar entre R$ 2 e R$ 2,50, mas explicou depois em entrevista que o governo não trabalha com nenhuma meta cambial e o principal objetivo é que o câmbio fique estável.
Fonte: Ag. Estado

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

União deve rever imposto de renda e seguro-desemprego


Patrícia Acioli

  
SÃO PAULO - Para minimizar os efeitos da crise financeira sobre a economia real do Brasil, o governo sinalizou ontem caminhos que deverá seguir. Um deles é a mudança na tabela de Imposto de Renda de pessoa física (IRPF), repassando o reajuste previsto de 4,5% para 10%. Outro, é a discussão encaminhada pelo Ministério do Trabalho de aumentar o número de parcelas do seguro desemprego, hoje em cinco, para até 10. Essa proposta deverá integrar a pauta de reunião do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), no dia 17. A correção na tabela do IRPF já havia sido prometida pelo governo, quando a reforma tributária foi enviada para o Congresso. O secretário-geral da Presidência, ministro Luiz Dulci, confirmou que estudos sobre o tema estão sendo coordenados pelo secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado. Essa é uma das medidas que as centrais sindicais pressionam o governo a realizar. Ontem, reunidos com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, os representantes sindicais cobraram ações de blindagem contra o desemprego. Entre uma lista de 18 reivindicações, o debate ficou centralizado na tabela de IRPF e em contrapartidas das empresas que recebem incentivos do governo para manutenção do emprego e o tópico do dia: redução de taxa Selic e spread bancário. Sobre a correção da tabela, as centrais apresentaram duas alternativas: ou se faz uma revisão geral na tabela "para fazer quem ganha menos, pagar menos e quem ganhar mais, pagar mais", explicou Sérgio Luiz Leite, primeiro-secretário da Força Sindical, ou se faz o reajuste em 10%, "média do valor que as categorias de trabalhadores conquistaram em suas campanhas salariais ao longo do ano". "Quando as Centrais negociaram o acordo sobre o aumento do salário mínimo até 2011, o reajuste da tabela do imposto de renda ficou acertado em 4,5% pelo mesmo período. Mas o cenário mudou e a inflação superou esse índice", contou. "Queremos que o governo revise a correção da tabela, porque isso significa aumento de renda do trabalhador e, conseqüentemente, colabora para manutenção do consumo no enfrentamento da crise internacional", explicou. O vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Antônio Cortizo, reforça a tese de que a correção na tabela é uma ação direta para aquecer o mercado interno. "Isso significa dinheiro no bolso do consumidor, o que gera imediatos recursos no mercado", afirmou "A intenção é de se assegurar o emprego", completou Cortizo. No quesito contrapartida das empresas para garantia de vagas, os sindicalistas sabem que não há como impor uma cláusula contratual nas negociações que setores econômicos vem fazendo com o governo para impedir demissões. Eles pleiteiam, no entanto, participar das discussões entre empresários e governo. Mesmo assim, os sindicalistas ouviram do ministro Dulci que o BNDES vai estudar a proposta das centrais sindicais para atrelar a concessão de crédito à manutenção do emprego pelas empresas. Dulci telefonou para o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para marcar encontro com os dirigentes sindicais. Segundo ele, o esforço do presidente Lula e do governo é para garantir o emprego. "O presidente é interessado que as reivindicações das centrais sejam analisadas", ressaltou. Segundo fontes ouvidas pelo DCI, o governo prepara um novo pacote de renúncia fiscal para as empresas e os sindicalistas tendem a aproveitar o momento de lançamentos de ' medidas do bem' para o setor produtivo e incluir, entre elas a diminuição da jornada de trabalho como forma de assegurar os empregos. Após almoçar com o ministro Mantega, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, afirmou que o governo deverá anunciar também medidas para baixar os juros e os custos financeiros dos empréstimos. "O Mantega falou que vai usar o poder do governo para baixar o custo financeiro", disse. As medidas, de acordo com o sindicalista, serão tomadas por meio dos bancos públicos que deverão reduzir as taxas cobradas, forçando a concorrência com bancos privados. Criticado por alguns setores de mercado pela paralisia de ações, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, estuda levar o aumento da e parcelas do seguro desemprego para a próxima reunião do Codefat. A ampliação pretendida é de 10 meses, porém sindicalistas mais realistas acham difícil ver essa mudança se concretizar, porque ela depende da edição de uma medida provisória ou projeto de lei. Uma alternativa é repetir o que aconteceu em Santa Catarina, onde houve, por meio da assinatura de uma portaria, o acréscimo de duas parcelas no seguro-desemprego. Sob a expectativa de aumento do desemprego para 2009 - as centrais vêem o anúncio de férias coletivas e licenças remuneradas como uma antecipação para demissão - a medida seria mais do que bem-vinda. "Estamos atentos. Janeiro, fevereiro e março prometem ser meses difíceis para o trabalhador", disse Leite.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

GOVERNO LULA x Oposição oportunista

Imagem do blog do Saraiva e de Maria Rodrigues, extraido do blog da amiga Jussara.

PIB cresce 6,8% no terceiro trimestre; no ano, expansão é de 6,4%

Folha Online, no Rio. A economia brasileira teve expansão de 6,8% no terceiro trimestre de 2008, na comparação com igual período no ano passado. No acumulado do ano, o incremento do PIB (Produto Interno Bruto) chega a 6,4% em relação ao período de janeiro a setembro de 2007, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira. Em relação ao segundo trimestre de 2008, o PIB cresceu 1,8%. Ao todo, a economia movimentou R$ 747,3 bilhões de julho a setembro. A taxa acumulada dos últimos 12 meses (encerrados em setembro) indica alta de 6,3% do PIB em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. As taxas de crescimento no ano (6,4%) e em 12 meses (6,3%) são recordes desde o início da série, em 1996. O IBGE revisou o PIB de 2007, que subiu de 5,4% para 5,7%. O PIB do primeiro trimestre de 2008 subiu de 5,9% para 6,1%, e o do segundo trimestre passou de 6,1% para 6,2%. O investimento, medido pela chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), cresceu 19,7% no terceiro trimestre, se comparado a igual período no ano anterior. Na comparação com o segundo trimestre, houve incremento de 6,7%. De janeiro a setembro, a taxa de investimento aumentou 17,3% em relação ao período de janeiro a setembro de 2007. O setor industrial cresceu 7,1% em relação ao terceiro trimestre de 2007, e acumula 6,5% no ano. Na comparação com o segundo trimestre, a indústria teve expansão de 2,6%, e nos últimos 12 meses, tem alta de 5,8%. O setor de serviços registrou incremento de 5,9% frente ao terceiro trimestre de 2007 e de 5,5% de janeiro a setembro. Em relação ao segundo trimestre, o segmento aumentou 1,4%, e nos últimos 12 meses, tem alta de 5,7%. O setor agropecuário cresceu 6,4%, na comparação com o período de julho a setembro do ano passado. No ano, essa expansão chega a 6,7%. Em relação ao segundo trimestre de 2008, a agropecuária teve alta de 1,5%, e nos últimos 12 meses, acumula incremento de 7,2%. A taxa de investimento no terceiro trimestre representou 20,4% do PIB. Foi o maior nível para um terceiro trimestre desde o início da série, em 2000. Consumo O consumo das famílias aumentou 7,3% no terceiro trimestre, e acumula alta de 6,5% de janeiro a setembro, sempre na comparação com iguais períodos em 2007. Em relação ao segundo trimestre, constatou-se crescimento de 2,8%, e nos últimos 12 meses, acumula incremento de 6,7%. O consumo do governo registrou alta de 6,4% no terceiro trimestre deste ano, se comparado a igual período em 2007. No ano, essa elevação ficou em 5,7%. Em relação ao segundo trimestre deste ano, o consumo do governo aumentou 1,5%, e nos últimos 12 meses, acumula expansão de 5,1%. O PIB, que mostra o comportamento de uma economia, é a soma das riquezas produzidas por um país --é formado pela indústria, agropecuária e serviços. O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações. http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u476932.shtml

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

João Pessoa (PB) é a primeira do Nordeste em atenção especializada de saúde bucal

  

Desde 2006, com a implantação e reestruturação dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), o município de João Pessoa deu um salto qualitativo nos serviços de saúde bucal especializado. A cidade saiu de último (em 2005) para o primeiro lugar do Nordeste, em 2007, em cobertura de ações especializadas em saúde bucal. De acordo com o Data SUS do Ministério da Saúde, João Pessoa realizou 120.296 procedimentos odontológicos especializados em 2007, numa média de 0,18 procedimentos por pessoa, o que representa 54% acima da média do Nordeste. O município também conquistou o segundo lugar, em 2007, em procedimentos odontológicos realizados na Atenção Básica. Enquanto em 2004 foram realizados 335.951 procedimentos, no ano passado foram 556.506, um crescimento de 61%. Os investimentos feitos em Saúde Bucal de 2005 a 2008 na reforma e ampliação de CEO, compra de insumos e instrumentais e contratação de equipe de manutenção de equipamentos da rede, somaram R$ 2.347.454,54. Os resultados desses investimentos e na política de saúde bucal também são positivos em números de procedimentos básicos, de primeira consulta, índices de cáries e na redução de extrações. Balanço – O coordenador de Saúde Bucal do Município, Edson Hilan, lembrou que em 2005 quando a atual gestão assumiu, o município encontrava-se “numa situação deplorável de abandono das equipes de saúde da família, como também dos consultórios odontológicos”. Ele disse que 26 consultórios odontológicos permaneciam nos corredores da Secretaria de Saúde, 59 encontravam-se nas Unidades de Saúde sem estar instalados e cinco em estoque no almoxarifado. “Todos os consultórios odontológicos foram instalados e equipados, dando condições aos cirurgiões-dentistas para atender aos usuários de forma digna”, observou. Edson Hilan ressaltou que os resultados obtidos pela gestão com a implantação da saúde bucal podem ser verificados pelo fato de que enquanto cresce o número de procedimentos realizados há a queda em 44% do número de extrações e a redução do índice de cáries em crianças e adultos. Em João Pessoa existem três Centros de Especialidade Odontológica (CEO): um no Centro, outro em Mangabeira e um terceiro no Cristo Redentor. Nos anos de 2006 e 2007 foram realizados cerca de 130.000 atendimentos especializados e aproximadamente 14.000 considerados de urgência (Dados do Boletim de Produção Ambulatória – BPA). Especialidades – O CEO do Centro oferece 21 consultórios odontológicos e dispõe também do serviço de Urgência Odontológica (24 horas) todos os dias da semana. São nove especialidades odontológicas: diagnóstico bucal, periodontia, odontopediatria, endodontia (tratamento de canal), cirurgia bucal, prótese dentária total e parcial temporária, radiologia bucal, restauração dental e atendimento a usuários com necessidades especiais. No ano de 2006, o CEO realizou 4.583 atendimentos; em 2007 foram 5.640 e em 2008 mais de 6 mil. De acordo com o diretor do CEO do Centro pessoense, Danilson da Cruz, o serviço foi reconhecido pelo Ministério da Saúde como um dos cinco mais importantes do País pela quantidade de consultórios instalados, equipe de trabalhadores, número de especialidades e atendimentos ofertados à população usuária. Ele destacou que com a implantação do Laboratório Regional de Prótese Dentária (LRPD), o CEO passou a ser a primeira experiência de oferta de prótese dentária em serviço público no município.
Da assessoria de imprensa ao Paraibeaba-Notícias e serviços

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A MÍDIA SIFU


Jussara Seixas

A imprensa está histérica, os abestalhados em polvorosa: o Presidente Lula, em discurso, falou "sifu", de se fodeu. "Imagine se um de vocês fosse médico e atendesse um paciente doente. O que você falaria para ele? "Você tem um problema, mas a medicina já avançou demais. Vamos dar tal remédio e você vai se recuperar". Ou você diria: "Meu, sifu. Se você chega dizendo a gravidade da doença, você acaba matando o paciente.” Quantas vezes todo mundo, eu disse todo mundo, já falou e ouviu essa expressão? Centenas de milhares de vezes. Mas o Partido da Imprensa Golpista, empregador de jornalistas educados, que não se vendem, não manipulam informações, não inventam, mentem, está indignado. O desejo PIG e do resto da oposição é que o Presidente Lula diga para o Brasil, para todos os brasileiros, em rede de TV no horário nobre, que estamos todos fodidos. Que a crise promovida pela ganância e irresponsabilidade dos banqueiros e do governo dos EUA fodeu o Brasil. O desejo da imprensa, das oposições, é que o Brasil se foda, pois essa seria a única maneira de dizer que a economia do governo Lula foi um fracasso, e que por isso o Brasil sifu. E que eles, oposição, que quebraram o Brasil três vezes, têm a solução para a crise, e por isso têm que voltar ao poder. Quem é imoral, sem ética: o Presidente Lula, que fez este país muito melhor para todos, que construiu uma economia sólida, capaz de passar por essa crise mundial só com alguns arranhões, ou o PIG e seus jornalistas abestalhados, que torcem pelo pior, desejam o pior, inventam crises diárias desde 2003? O Presidente Lula é um estadista, o mundo todo reconhece isso. O Presidente Lula fala a linguagem do povo, que o povo entende. E o povo ficou sabido. Mesmo em meio ao cenário econômico sinistro desenhado pela mídia, o Presidente Lula está com a popularidade e aprovação do seu governo nas alturas. O Datafolha divulgou hoje a pesquisa: "A avaliação positiva do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a bater novo recorde e agora 70% dos brasileiros consideram seu governo ótimo ou bom. Nenhum presidente no Brasil, desde a redemocratização, atingiu esse patamar. O recorde anterior já pertencia ao próprio Lula: 64% o avaliavam positivamente em setembro. Pesquisa Datafolha realizada entre os dias 25 e 28 de novembro mostra que o Presidente conta com a avaliação positiva da maioria da população em todos os segmentos socioeconômicos e regiões do país." Os jornalões do PIG e a oposição abestalhada sifu...
Jussara Seixas

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Para desespero da Mídia Dem-Tucana: Povão continua comprando mais

 
Do Blog Entre linhas: Conforme este blog previa, a versão impressa da Folha de S. Paulo não tem dado o menor destaque aos surpreendentes índices que vem saindo sobre o comportamento da economia brasileira, a maior parte já referentes a outubro, portanto em plena crise. O jornalão que presta serviço à candidatura de José Serra à presidência adotou o lema "o que é bom a gente esconde, o que é ruim (para o governo Lula, é claro), a gente mostra". Este blog aposta que a Folha vai esconder a notícia abaixo ou então dará bem grande, com o título: "Crise leva brasileiros a estocar alimentos"...

Vendas nos supermercados crescem 11,48% em outubro, aponta Abras.

Flávia Albuquerque Repórter da Agência Brasil São Paulo - Os supermercados brasileiros registraram, em outubro, aumento de 11,48% nas vendas reais (descontada a inflação), comparado ao mesmo período do ano passado. Com relação a setembro, houve alta de 6,62%. Já no acumulado de janeiro a outubro, a elevação foi de 9,19%, resultado considerado o melhor entre os acumulados de 10 meses. Em valores nominais, o Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apresentou crescimento de 18,63% com relação a outubro de 2007 e 7,10% com relação a setembro deste ano. No acumulado do ano, as vendas aumentaram 15,30%. De acordo com o presidente da Abras, Sussumu Honda, a alta surpreendeu o setor, que esperava detectar efeitos da crise internacional em seus números de outubro. Ele atribuiu esse resultado ao fato de que o crédito não é o principal indutor de vendas para o setor na área de alimentação. “O crescimento da massa salarial, que se situou próximo a 10%, é um dos fatores determinantes desse resultado”,afirmou. A cesta de 35 produtos analisada pela entidade, o AbrasMercado, teve alta nominal de 2,35% em outubro ante o mês de setembro. Sem contar a inflação, o índice ficou em 1,90%. Na comparação com outubro de 2007, o AbrasMercado teve alta nominal de 17,81%, passando de R$ 218,91 para R$ 257,90. Já nos valores reais, o aumento registrado foi de 10,71%. A pesquisa realizada pela Abras sobre as vendas de final de ano revelou que 71% dos 500 supermercadistas entrevistados aumentaram os pedidos feitos à indústria, 25% mantiveram as encomendas no mesmo patamar e 4% reduziram suas compras. Em 2007, 65% disseram ter aumentado os pedidos. Entre os produtos que devem sofrer reajustes maiores de preços, estão os produtos importados, entre os quais, os vinhos e destilados, além das castanhas, azeites e bacalhau. Honda explicou que esse otimismo se deve aos próprios resultados vistos até o mês de outubro, além da entrada do 13o salário no mercado em novembro e dezembro, o que deve impactar no aumento das vendas no período. “Outro fator que acaba beneficiando o setor é a impossibilidade de comprar pelo crediário devido aos juros mais altos”. Na avaliação de 75% dos entrevistados pela Abras, as expectativas são otimistas para as vendas de final de ano, com faturamento 10% maior do que em 2007. Outros 20% esperam vendas semelhantes ao ano anterior e 5% acreditam que as vendas serão 4% mais baixas. Com relação à contratação de funcionários temporários, 57% pretendem contratar e 43% não contratarão. Segundo a pesquisa as festas de final de ano devem gerar 11 mil novas vagas nos supermercados brasileiros, com 10% desses efetivados. Sussumu disse acreditar que as vendas fechem o ano de 2008 com crescimento de 9% a 10%. A preocupação fica por conta dos três primeiros meses do ano de 2009, já que os desdobramentos da crise mundial chegaram apenas no crédito e não ainda no consumo da população. “Nesse período já se tem uma diminuição da criação de emprego, o que impacta certamente na massa salarial”. Mesmo assim Sussumu considera que o setor continuará crescendo no ano que vem, já que o mercado de consumo interno é o que tem dado sustentação a esse crescimento.

domingo, 30 de novembro de 2008

Mantega: Brasil virou protagonista na busca por novo modelo econômico mundial

 
Os programas e ações do governo Lula tornaram o Brasil menos vulnerável à atual crise financeira e mudaram radicalmente a posição do país no cenário mundial, que agora figura como protagonista nas discussões de cúpula que buscam um modelo econômico capaz de reverter os estragos do neoliberalismo. Essas foram as principais conclusões do debate promovido pelo PT na noite de quarta-feira (26), em Brasília, com o ministro da Fazenda Guido Mantega e com o assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia – na primeira da série de encontros que a direção nacional do partido pretende fazer sobre a crise internacional e as alternativas de esquerda para superá-la. Os próximos acontecem em São Paulo e em Salvador nos dias 2 e 16 de dezembro, respectivamente, e envolvem parcerias com o PCdoB e o PSB. No debate de Brasília, que lotou o auditório da sede do PT Nacional, tanto Mantega como Marco Aurélio, lembraram que a crise terá maior impacto nos Estados Unidos, na Europa e nos países centrais do capitalismo, que desregulamentaram excessivamente o mercado financeiro, permitiram que grupos especuladores movimentassem somas muito superiores às da economia real e agora, com estouro da bolha, correm risco iminente de entrar em depressão. “A crise será de forte impacto nos EUA, fortíssimo na Europa e de impacto importante, mas diferenciado, nos emergentes”, avaliou Marco Aurélio. Ele e Mantega concluíram que, entre os emergentes, o Brasil – a partir das condições criadas pelo governo Lula – é o que está mais preparado enfrentar os principais efeitos da crise no plano mundial (diminuição do crédito, queda de consumo, recuo das exportações e desemprego). Mantega fez uma apresentação com as primeiras medidas do Brasil contra a crise e as políticas de governo que colocam o país em situação menos vulnerável: democratização do crédito, fortalecimento do Estado e dos bancos públicos, programas de distribuição de renda e de valorização dos salários, desdolarização da dívida pública, aumento das reservas internacionais, investimentos em infra-estrutura e incentivos ao setor produtivo, entre outras. “O país realmente trabalhou nestes anos e se preparou para enfrentar situações difíceis”, afirmou Mantega. “Desde o início nos preparamos para um novo ciclo de desenvolvimento. Reintroduzimos essa agenda. Temos uma nova forma de crescimento, com mais emprego e distribuição de renda (...) e uma nova forma de ação do Estado, que volta a ser protagonista (...); temos a redução da vulnerabilidade externa, a inflação sob controle e a construção de um mercado de massa – talvez o mais importante. Isso estava no nosso programa de governo de 2002. Hoje é uma realidade, existe”. O ministro também lembrou os problemas vividos pelo Brasil em crises anteriores, “que eram de bilhões, não de trilhões”, e de como o cenário mudou. “Hoje estamos muito mais fortes do que nas crises vividas nos anos 90, que eram periféricas, não estavam no centro do sistema capitalista. Mesmo assim, o Brasil balançou em todas elas porque estava fragilizado. Imaginem se tivéssemos a crise de hoje nas condições de ontem. Já estaríamos de joelhos”. A fala de Marco Aurélio Garcia seguiu o mesmo raciocínio e explicou que a rede de proteção criada pelo Brasil é importante porque hoje, diferentemente do que aconteceu em 1929, a crise tem se alastrado muito mais rapidamente para a “economia real”. “Em 29, a crise levou meses para se propagar. A crise atual leva horas e, às vezes, minutos. Declarações recentes do Paulson (Henry Paulson, secretário do Tesouro norte-americano) meia hora depois estavam derrubando a bolsa de São Paulo. Vivemos na realidade do capital insone, que não dorme nunca. Sempre existe uma bolsa aberta ou um grupo de especuladores acordado”, disse. Batalha de idéias e protagonismo brasileiro Além das boas condições que o Brasil apresenta, Marco Aurélio acredita que a redução dos impactos da crise nos próximos anos também vai depender dos acertos da política econômica interna. Respondendo a questionamentos do plenário sobre a taxa Selic praticada pelo Banco Central, ele disse acreditar que a eficácia da política econômica será maior se houver uma redução efetiva dos juros. “É inclusive uma recomendação do G20”, comentou. Também será decisiva, na avaliação de Marco Aurélio, a capacidade da esquerda em enfrentar a “grande batalha de idéias” entre os que defendem mudanças no modelo e os que insistem no mantra neoliberal. “Hoje não estamos tirando grande proveito dessa batalha. É preciso deixar claro que o que desmoronou não foram as nossas teses, mas as idéias neoliberais (...). Faltou Estado, faltou política econômica. O que fracassou foi a estrutura financeira internacional (...). O extraordinário é de que essas pessoas (as que pregam o neoliberalismo) continuam insistindo nas mesmas receitas que nos conduziram a essa situação”, disse. Para ele, o primeiro reconhecimento desse fracasso foi a substituição do G8 (só países ricos) pelo G20 (países ricos e principais emergentes, entre eles o Brasil) como a instância que deverá regulamentar o capitalismo e dar mais transparência às relações internacionais daqui em diante. O fortalecimento do G20 também foi citado por Mantega como prova de que mesmo os países ricos, que conduziram o mundo para o desastre do neoliberalismo, já concordam com uma mudança de modelo. “Em Washington, eu procurei, mas não encontrei nenhum liberal”, brincou, referindo-se ao último encontro realizado pelo grupo, nos EUA. “Ao contrário do Marco Aurélio, acredito que a disputa ideológica vai ser relativamente fácil. O setor público salvou o privado, este é o fato. No G20 vamos fazer propostas de regulamentação do sistema. Isso significa uma nova ordem econômica mundial. O G20 promoveu os emergentes a protagonistas. Temos a chance de reorganizar a economia mundial”, disse, lembrando do respeito com que o Brasil e o presidente Lula têm sido tratados nestes encontros multilaterais. “Quando o Brasil participa das reuniões do FMI, o país tem o respeito total nas suas iniciativas e propostas. A relação hoje é outra: o país protesta e é ouvido”, assegurou o ministro. Para Mantega, a insistência nas fórmulas neoliberais – principalmente por parte de colunistas da grande imprensa – não encontra mais respaldo na realidade. “Hoje há consenso mundial de que isso não serve mais”, concluiu.
Fonte: PT Nacional

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Lula cobra de prefeitos ampliação do Bolsa Família


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou hoje (25) que fará uma cobrança aos prefeitos para que o Bolsa Família chegue às famílias pobres. O presidente afirmou, ao participar do Prêmio Práticas Inovadoras de Gestão do Bolsa Família, em um clube da capital, que se sente incomodado ao descobrir que muitos pobres ainda não recebem o benefício. Segundo Lula, todos os anos os prefeitos vão a Brasília com uma série de pedidos durante a Marcha de Prefeitos. Mas em janeiro de 2009, quando reunirá os prefeitos eleitos na capital, ele já adiantou que será sua vez de apresentar as reivindicações. "Eu ando por lugares do Brasil e encontro gente pobre que não está recebendo o Bolsa Família. A gente fez o programa para ajudar as pessoas mais pobres. Isso significa que o Poder Público não chegou para população pobre ", reclamou. "Estou convencido de que as políticas públicas do governo federal só chegarão lá na ponta se os prefeitos estiverem engajados e os governos dos estados estiverem engajados nessa política", acrescentou. Desmatamento. O presidente disse que pretende fazer um pacto com as 36 prefeituras e estados com alto índice de desmatamento, que chamou de "jogo combinado". "Em vez de ficar brigando pela imprensa, é melhor chamar os governadores desses estados e os prefeitos das cidades com mais queimadas e pactuar com eles uma política de co-responsabilidade, em que o prefeito seja o principal fiscal para evitar o desmatamento", explicou. Lula reafirmou que não tirará dinheiro dos programas sociais por causa da crise financeira mundial. "Não haverá crise no mundo que me faça tirar um centavo dos pobres", garantiu. O presidente pediu, mais uma vez, que o trabalhador continue a comprar para manter o emprego. Ele argumentou que o consumo assegura as vendas do comércio, a produção das indústrias e, como conseqüência, a manutenção dos postos de trabalho. O presidente viajou para o Rio de Janeiro, onde se encontrará o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, em um jantar no Palácio das Laranjeiras.
Fonte: Correio da Paraiba

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Cala a boca, FHC!


“Quem disse: “ A globalização é o novo Renascimento da humanidade.” Quem disse: “Quem acabou com a inflação, vai acabar com o desemprego.” Quem disse: “Esqueçam o que eu escrevi.” Quem disse: “Vou virar a página do getulismo.” Quem disse, no último comício de Alckmin, no segundo turno, com a camisa fora da calça, desesperado: “Lula, você acabou, você morreu.” Quem disse: “O Estado brasileiro gasta muito e gasta mal” e entregou o Estado com a dívida pública 11 vezes maior. Quem disse: “Eu tenho um pé na cozinha” e depois de terminado o mandato, cinicamente acrescentou: “na cozinha francesa”. Quem quebrou a economia brasileira três vezes e na última, em 1999, subiu a taxa de juros para 49%? Quem reprimiu e tentou criminalizar os movimentos sociais? Quem fez a Petrobras mudar de nome para Petrobrax, para tentar privatizá-la. Quem vendeu 1/3 das ações da Petrobras nas bolsas de valores de Nova York e de São Paulo? Quem quebrou o monopólio estatal do petróleo no Brasil? Quem comprou votos de parlamentares para mudar a Constituição e conseguir um segundo mandato? Quem aumentou como nunca o trabalho precário no Brasil? Quem entregou o patrimônio público a preço de banana aos grandes capitais privados nacionais e internacionais, depois de sanear empresas públicas com dinheiro do BNDES e financiar essa transferência com juros subsidiados, no maior caso de corrupção da história brasileira. Quem disse que os trabalhadores brasileiros são preguiçosos? Quem disse que o Brasil tem vários milhões de pessoas “inimpregáveis”? Quem sumiu o Brasil na longa recessão a partir de 1999, que só foi superada no governo Lula? Quem quase liquidou o Mercosul com suas idéias de livre comércio e de prioridade de comércio com os países do norte? Quem promoveu a mais ampla privatização da educação no Brasil? Quem fracassou e teve seu governo largamente rejeitado quando seu candidato foi derrotado em 2002? Quem não conseguiu nem que o candidato do seu partido defendesse seu governo nas eleições de 2006? Quem é o político atualmente mais rejeitado pelo povo brasileiro, como tendo sido o presidente dos ricos? Quem tinha o apoio de 18% dos brasileiros a esta altura do mandato, quando Lula tem 80% de apoio e 8% de rejeição. Quem disse e fez tudo isso, FHC, deve calar a boca para sempre. O povo o rejeitou, o Brasil o rejeitou, democraticamente. CALA A BOCA, FHC!”

Novo marco regulatório promete acirrado debate entre nacionalistas e entreguistas


Recebi do blog COMITEPETROLEORSpedido para coloborar com a Luta pelo "Petróleo tem que ser Nosso", e como patriota estatizante que sou, copio posts abordados por eles, como indico o endereço do Blog para consultas, pesquisas, adesão e distribuição dos seus textos.
O debate sobre o novo marco regulatório para o setor petróleo vem sendo adiado, desde agosto. O final de novembro foi a última data anunciada para entregar ao presidente Lula as propostas que estão sendo preparadas por uma comissão interministerial. Não faltam suposições para explicar os constantes adiamentos. Cautela do governo, diante de um tema que certamente vai gerar muita polêmica? Esta é uma hipótese bastante provável. A grande imprensa noticiou que a prorrogação do debate sobre o pré-sal já era esperada pelo mercado, principalmente em função dos desdobramentos da crise mundial. O governo também estaria esperando assentar a poeira das eleições. Embora o presidente Lula já tenha afirmado que todas as notícias publicadas na imprensa "não passam de especulação", é importante saber em que direção especulam. Dentre as idéias que estariam em estudo, citam-se: 1) a capitalização da Petrobrás, trocando as reservas sem concessão por ações da estatal; 2) o marco regulatório provavelmente será válido apenas para o pré-sal, deixando à margem da nova lei todas as demais áreas e as que atualmente já são exploradas; 3) para o pré-sal, "a tendência é a opção pelo modelo de capitalização, com a criação de um escritório para gerir os interesses da União em áreas ainda não exploradas. Tal escritório - ou estatal - faria parcerias com petroleiras tradicionais para investir na exploração, em modelo semelhante ao vigente na Noruega, já apontado pela ministra Dilma como seu preferido". Enquanto a proposta do marco regulatório permanece fechada a sete chaves para a maior parte da sociedade, o setor empresarial parece ansioso, mas, ao mesmo tempo, confiante. Parece acreditar na possibilidade de "bons negócios". É o que indica o tom de um seminário programado para o próximo dia 18 de novembro, no Rio, inclusive com a presença do presidente do BNDES. A clientela são os representantes das empresas interessadas no pré-sal e os debates vão girar em torno das "oportunidades do pré-sal", anunciado como "o maior projeto econômico da história do país". O objetivo do "Seminário Internews" é discutir as estratégias para a concretização dos negócios. Além do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, participam, como debatedores, o superintendente de tecnologia da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ex-gerente do Cenpes e ex-assessor da direção da Petrobrás), além de consultor de logística e suprimentos em projetos de E&P, Aloísio Nóbrega; o presidente da Associação Brasileira dos Geólogos do Petróleo e da HR&T Petroleum, Márcio Mello; a ex-procuradora geral da ANP, advogada Sônia Agel; o ex-diretor da ANP e atual diretor da J. Forman Consultoria, John Milne; o diretor geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo, Eloi Fernández y Fernández; o diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura, Adriano Pires, além do secretário executivo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Álvaro Alves Teixeira. O cenário coloca para os movimentos sociais, que se organizam em torno do Fórum contra a Privatização do Petróleo e Gás, grandes desafios. Felizmente, a Campanha "O Petróleo tem que ser nosso" ganha fôlego e cresce, em todo o país. No mesmo período em que os empresários estarão se reunindo para traçar as suas estratégias, com o objetivo de lançar mão das riquezas nacionais, estará acontecendo, em São Paulo , uma reunião nacional para traçar as nossas estratégias de resistência contra a entrega do nosso petróleo e gás aos oligopólios. O petróleo será do povo brasileiro. Quem viver, verá. Fonte: Agência Petroleira de Notícias

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

TSE confirma cassação do mandato do governador da Paraíba


20 de novembro de 2008 - 22h38 
   
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram há pouco confirmar a cassação do mandato do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima. Na decisão, os ministros não aceitaram recurso apresentado pelo governador contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral paraibano (TRE-PB) que cassou o seu mandato.

O governador é acusado de ter distribuído cheques para cidadãos de seu estado, por meio de um programa assistencial mantido pela Fundação Ação Comunitária (FAC), instituição vinculada ao governo do estado, durante o período eleitoral de 2006. De acordo com os autos do processo, a fundação era a responsável pela distribuição de cheques para a população. 

Com a decisão, o TSE também cassou a liminar concedida pelo próprio Tribunal para manter o governador no cargo até o julgamento final do processo. Depois da publicação do acórdão da decisão desta quinta-feira, o segundo colocado na eleição de 2006, o senador José Maranhão, deve assumir o cargo.

Da decisão, ainda cabe recurso, porem o recurso não impede a saida do Governador logo a divulgação do acórdão.

TSE.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

EXCLUSIVO – Lobistas de Cássio (PSDB/PB) assediam dirigentes do PCB

 

Numa tentativa explícita de subornar dirigentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB) para que eles destituam a banca de advogados responsáveis pela ação que culminou na cassação do governador Cássio Cunha Lima no rumoroso Caso FAC, ‘lobistas’ do governador estão procurando meios de acesso à cúpula partidária para abrir o canal de negociação e assim oficializar a proposta. De acordo com informações exclusivas passadas à Redação de O COMBATE, empresário interessados na permanência de Cássio no governo e alguns políticos mais audaciosos que integram a base de sustentação governista, receberam ‘carta branca’ do chefe do Executivo para execução dessa tarefa. Uma fonte ligada aos comunistas brasileiros disse que um interlocutor do governador manteve um contato preliminar com um membro do partido, para se informar com quem trataria do assunto sobre as chances de promover a substituição dos advogados em troca de benesses no Governo, sendo rechaçado de pronto. A fonte relatou ao jornalista Cristiano Machado, editor d’O COMBATE, que eles estão agindo pesado e que voltarão a atuar mesmo consciente da decência e seriedade dos integrantes pecebistas. “Eles estão dispostos a oferecer dinheiro e cargos no Governo”, revelou o informante, adiantando que “não obterão o resultado desejado”. Essa tentativa de ‘intervir’ na cúpula do PCB não é diferente da ação que estão executando em Brasília junto aos ministros do TSE, onde estão contratando a peso de ouro escritórios de profissionais que possuem vínculos de amizade com os membros da Corte para influenciar no resultado da votação prevista para esta quinta feira, 20. Essas investidas desesperadas do governador são reflexos de um quadro desfavorável nesse processo de prática de corrupção eleitoral que agora ele inova, com ‘lobistas’ instalados na Paraíba e em Brasília para estender até à Corte Eleitoral.
 

Autor: Redação 
Fonte: O COMBATE 

domingo, 16 de novembro de 2008

Vitória brasileira: G20 vai regular mercado, incentivar crescimento e apoiar emergentes


Os líderes dos países desenvolvidos e emergentes que compõem o G20, grupo presidido pelo Brasil, concordaram neste sábado (15) durante reunião em Washington (EUA) com a proposta defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que é preciso acabar com o vale-tudo no mercado financeiro internacional – origem da crise atual –, investir no crescimento econômico e apoiar os emergentes. 

Em um primeiro esboço do comunicado conjunto, os líderes acentuaram a necessidade de regulação dos mercados, se comprometem a aplicar medidas fiscais para estimular as economias nacionais e estabelece seis áreas em que terão que atuar antes de 31 de março de 2009. A declaração final, elaborada em uma reunião de cinco horas, também incluiria a rejeição ao protecionismo econômico – outra bandeira defendida pelo Brasil –, disse uma fonte próxima às negociações. 

As áreas em que o G20 irá atuar são: a reforma dos aspectos de regulação, as normas de contabilidade, a transparência dos mercados de derivativos, as práticas de remuneração e a avaliação das necessidades de capital das instituições financeiras internacionais. 

“Reguladores precisam garantir que suas ações estimulem a disciplina do mercado, evitem potenciais impactos adversos em outros países, incluindo arbitragem regulatória”, disse o texto. 
“Nós defendemos que se garanta que todos os mercados financeiros, produtos e participantes sejam regulados ou sujeitos à fiscalização, como seja apropriado as suas circunstâncias”. 
“Nós concordamos que uma medida de resposta mais ampla é necessária, baseada em cooperação macroeconômica, para restaurar crescimento, evitar turbulências e apoiar economias de mercados emergentes e de países em desenvolvimento”. 

Ampliação  
O ministro da Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou que no futuro o G20 pode passar a ser formado por mais países. "Pode ser que de agora até a reunião no Reino Unido o G20 se transforme em um G22", disse em alusão a uma possível entrada no grupo de Espanha e Holanda, que participam do evento como convidados. 

O Brasil expressou apoio à participação da Espanha na próxima cúpula e mencionou a possibilidade de sua integração formal no grupo. "A Espanha é bem-vinda para o próximo encontro", declarou Amorim, esclarecendo que quem fará os convites será o Reino Unido. 

Segundo Amorim, o G20 efetivamente substituiu o G8 (das nações mais industrializadas do mundo) nas discussões econômicas globais. Tanto o Brasil quanto os Estados Unidos estão satisfeitos com o documento oficial do encontro, de acordo com o ministro. 

"Ele inclui medidas desejadas para uma supervisão maior e os passos coordenados para estimular a economia. Ele consolida o processo do G20", declarou. 

Propostas de Lula 
O fortalecimento do G20 como instância de articulação de políticas econômicas fora uma das propostas defendidas pelo presidente Lula horas antes do encontro. 

 "O G8 não tem mais razão de ser, é preciso levar em conta as economias emergentes no mundo globalizado de hoje", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Em rápida conversa com jornalistas, Lula disse que também defenderia a regulação dos mercados financeiros. 

"Eu disse ontem que a vida inteira, quando eu era metalúrgico, para comprar uma televisão eu tinha que fazer 40 ou 60 horas extras por mês. Não é justo que alguém fique bilionário sem produzir uma única folha de papel, sem produzir um único emprego, sem produzir um único salário", afirmou o presidente. 

Pela proposta brasileira, caberia ao G20 a regulação dos mercados. "Se conseguirmos fazer isso, já é uma coisa extremamente importante", dissera Lula. 

A proposta brasileira derrotou a tese do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que se dizia apenas "teoricamente favorável" à regulamentação de mercados, mas achava que cada país deveria tratar do seu quintal. 

A exemplo do que fez na abertura da reunião de ministros de economia e presidentes de bancos centrais do G20 financeiro, há uma semana, em São Paulo, Lula pediu aos países ricos que assumam sua responsabilidade pela crise. 

"A melhor solução para evitar que a crise se alastre é os países ricos resolverem seus problemas. É a primeira vez que os problemas não estão nos países pobres", afirmou. "Não adianta ficar procurando medidas paliativas se não resolver o problema crônico da política econômica americana e da política econômica européia". 

Com agências internacionais