domingo, 13 de janeiro de 2008

Desgraças virtuais
por Eduardo Guimarães http://edu.guim.blog.uol.com.br Manchetes recentes de jornais, telejornais e sites estão causando pânico ao "avisarem" a população sobre uma "primeira morte" aqui, outra "primeira morte" acolá, por causa de uma absurda "epidemia" de febre amarela no Brasil. Uma dessas manchetes relatava a "primeira morte" em São Paulo, outra uma "primeira morte" em Goiás. No caso de São Paulo, só lendo a reportagem é que se podia descobrir que a pessoa que morreu aqui contraiu a febre no Mato Grosso do Sul. No UOL, a pseudo jornalista Eliane Cantanhêde, em coluna intitulada "Alerta amarelo!", exorta as pessoas a correrem para tomar vacina contra febre amarela. O tom do texto é alarmista. Diz assim: "Vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem... Vacine-se logo! Senão, Lula, o aedes aegypti vem, pica e mata sabe-se lá quantos neste ano --e nos seguintes." Lula é o "aedes aegypti". Vejam só. O UOL, em manchete, também relata "suspeita" de que "um espanhol" faleceu devido à moléstia. Ora, noticiar que alguém morreu sob "suspeita" de estar com febre amarela, hoje em dia, é como noticiar que uma mulher teve um filho sob "suspeita" de estar grávida. Por isso, espere sentado pela confirmação ou negativa da tal "suspeita". Se ela existisse, esperar-se-ia a confirmação, que poderia ser obtida em questão de horas, para depois divulgar a causa mortis com segurança. A divulgação da "suspeita" deve-se ao fato de que ela não existia. Foi tentativa - bem sucedida - da mídia de disseminar o pânico E por que a tentativa foi bem sucedida? Simples: em São Paulo, onde o risco de contrair febre amarela é menor do que zero, o irmão de um de meus genros, que está de viagem à Costa Rica, passou quatro horas no aeroporto de Congonhas numa fila para se vacinar contra febre amarela. Em agosto de 2006, fui àquele aeroporto renovar minha dose da vacina, que tomei pela primeira vez havia dez anos, pois viajo freqüentemente a países que, para visitá-los, o Brasil exige que o cidadão se vacine. Consegui, então, ser vacinado em 10 minutos. Tal demora, agora, decorre do fato de que as pessoas, por todo país, estão correndo desesperadas aos postos de saúde para se vacinar. O atendimento, nesses postos, está sendo afetado e em algumas localidades as vacinas já acabaram. Não há qualquer orientação das autoridades sanitárias para que as pessoas se vacinem assim, gratuitamente. Se houvesse algum indício de epidemia, essas autoridades estariam convocando as pessoas a se vacinarem. Claro que ninguém sofrerá algum mal por se vacinar à tôa, mas o pânico que a mídia disseminou está atrapalhando os postos de saúde e aqueles que realmente precisam se vacinar, que em algumas partes do país não conseguirão fazê-lo porque os estoques de vacina terminaram. É nesses momentos que se vê o imobilismo do governo federal em situações-limite. Seria o caso de o ministro da Saúde convocar redes de rádio e televisão para confirmar ou rechaçar a suposta situação epidêmica. Não faz nem uma coisa nem outra, permitindo à mídia faturar politicamente (para a oposição tucano-pefelista) uma suposta epidemia que, se existisse, seria culpa do governo, pois este teria permitido o retorno de uma moléstia erradica há muito tempo no país. A mídia também está vendendo aos brasileiros um inexistente retorno da inflação. O Jornal Nacional vem fazendo uma matéria depois da outra, em horário nobre, relatando fortes altas de preço do feijão ou do leite. Em qualquer país do mundo, mesmo nos mais estáveis e civilizados, alguns produtos têm altas fortes de preço, que são contrabalançadas pela estagnação ou baixa de outros preços. Alguns alimentos subiram de preço, outros baixaram. E o mesmo acontece com todos os preços da economia. A inflação está controlada. Não há nenhum indício de explosão inflacionária. O que a mídia fez foi selecionar os preços que subiram e ignorar os que baixaram ou que não subiram. Enquanto isso, o governo Lula fica imóvel, permitindo que a mídia venda a tese de retorno da inflação. Mesmo a parte da sociedade que percebe o que está acontecendo, não faz nada. Ficamos todos lamentando, mas agora mais quietos, colaborando com a mídia golpista. E o apagão elétrico do Jornal Nacional e congêneres? A mídia diz que há risco, o governo nega - timidamente. Mas a insistência da mídia no assunto já convenceu um monte de gente de que o risco existe. Não existe. Providências tomadas pelo governo Lula impedirão o apagão. Houve, nos últimos anos, forte preocupação em evitar que se repetisse o racionamento de energia do fim do governo FHC. Hidrelétricas, termelétricas, redes de transmissão do sul-sudeste foram estendidas ao norte-nordeste. Assim, em vez de se limitar a dar respostas encabuladas aos repórteres, editadas e minimizadas em telejornais, o governo deveria ir à tevê dizer que o risco de apagão inexiste, que é só especulação da mídia. Mas o governo Lula se borra de medo da mídia. Tento explicar a mim mesmo por que razão todos (governo e setores conscientes da sociedade) mergulhamos neste imobilismo. Será por que os ataques da mídia não têm afetado a popularidade de Lula e de seu governo? Se for, é uma burrice. A reação desesperada das pessoas em busca de vacinas contra febre amarela mostra o estrago que a mídia pode fazer. É uma estratégia nova. São ataques em várias frentes e em temas que afetam mais diretamente o cidadão comum. Ninguém garante que não darão certo. Ao baixarmos a guarda assim, poderemos ver a mídia conseguir seu tão almejado prêmio, ou seja, fazer o atual governo chegar ao fim da mesma forma que chegou o governo FHC, ou seja, imerso em forte descrédito e impopularidade. E é só o começo, o que a mídia está fazendo. Quanto mais permanecemos inertes, mais ela ousará. Omitiu o primeiro ano completo posterior à tragédia do metrô em São Paulo, ocorrida em 12 de janeiro de 2007. O laudo do IPT, vinculado ao governo paulista, que deveria ter sido divulgado em agosto do ano passado, não saiu e não tem previsão segura de sair. Falam em agosto, de novo, mas nada garante que esse laudo sairá algum dia. Assim, a engenharia paulista regrediu centenas de anos. É incapaz de dizer por que uma rua inteira ruiu na obra da linha 4 do metrô. O Consórcio Via Amarela nem indenizou corretamente as pessoas. A Folha deste domingo traz uma reportagem, escondida, que relata os dramas das vítimas do acidente. Mas nada de cobrança das autoridades. Um ano depois, a mídia não questionou as autoridades paulistas - nem ninguém - pelo desastre. Propus a criação do Movimento dos Sem-Mídia para lutar contra isso. Fundamos uma Organização Não Governamental. Agora, tenho o dever de tentar usá-la. Mas dependo das pessoas que me ajudaram a fundá-la. Temos que nos reunir, temos que atuar, temos que reagir. Não podemos permitir que a mídia continue fazendo o que está fazendo. Não podemos nos acomodar. Não podemos transigir com esses absurdos. Preciso de vocês. Preciso de apoio para agir. Temos que ir às ruas. Temos que colocar o medo, a inércia, a vaidade, tudo de lado. Este país não pode mais conviver com meios de comunicação como esses. Estão prejudicando um país que tem tudo para se desenvolver como nunca se desenvolveu. A perda da CPMF foi um duro golpe. Lula lutou sozinho. Permanecemos inertes, vendo o país ser sabotado. Tivéssemos ido às ruas, ao menos teríamos tentado fazer nossa parte. A questão não é meramente política. O que está em jogo é a maior oportunidade que este país já teve de crescer, de melhorar. Mídia e oposição tentam impedir o país de melhorar. Estão prejudicando cada um de nós, inclusive os que as apóiam por preconceito ou por ideologia. Você que se resguarda de fazer sua parte por que não quer se expor ou por outras razões, pode se considerar cúmplice da mídia. Eu não serei cúmplice. Em breve apresentarei o plano do Movimento dos Sem-Mídia para este ano. A mídia está só começando. Atentados muito piores virão. As desgraças virtuais que têm sido alardeadas, são apenas o prenúncio das que ainda serão. E o que disso resultará não será só prejuízo político para o governo. Se esse governo enfraquecer, perderá a confiança internacional, perderá investimentos. Isso sem falar das sabotagens como a da CPMF, que tentarão manietar o governo. Você pode se omitir, por esta ou aquela razão, mas, por favor, se o fizer, pare de reclamar. Você estará abrindo mão desse direito. Vá ao blog Cidadania , deixe seu comentário, seu apoio, precisamos de você. Não se omita! Não colabore com a mídia golpista. Não colabore com quem quer atrapalhar o seu país, impedí-lo de melhorar. Conto com você!

Nenhum comentário: