sábado, 5 de janeiro de 2008

Livro sobre Henfil marca 20 anos de sua morte


"Henfil - O Humor Subversivo", nome da obra, vai ser uma espécie de homenagem ao eclético desenhista. Na sexta-feira (4) completaram-se exatos 20 anos da morte dele.

Um livro, programado para ser lançado neste ano, vai mostrar a trajetória do humor político de Henrique de Souza Filho, o Henfil. "Henfil - O Humor Subversivo", nome da obra, vai ser uma espécie de homenagem ao eclético desenhista. Na sexta-feira (4) completaram-se exatos 20 anos da morte dele. O livro, escrito pelo sociólogo e cartunista carioca Márcio Malta, também conhecido como Nico, vai ser publicado pela editora Expressão Popular. A obra vai integrar a coleção "Viva o Povo Brasileiro", voltada a biografias de personalidades brasileiras. A coleção é destinada ao público mais jovem. Por isso, o livro sobre o criador da Graúna e dos Fradins terá uma linguagem mais acessível e preço mais em conta. Assim como os outros títulos da série, foi planejado para custar R$ 3. A obra deve ter em torno de 80 páginas. Todos os volumes da coleção são produzidos em formato de bolso. Segundo Malta, a publicação vai mostrar a biografia de Henfil. Mas esse não será o mote principal da obra. O enfoque será na atuação política dele. "É impossível dissociar o Henfil da obra política [dele]", diz Malta, por telefone. "A geração de Henfil foi muito marcada pela ditadura militar." Para o pesquisador carioca, a atuação política de Henfil teve muita influência dos frades dominicanos -que inspiraram os fradins- e do irmão, Herbert José de Souza, o Betinho, morto em 1997. Esse lado político, no entender dele, é deixado um pouco de lado nas antologias mais recentes de obras de Henfil. Malta, hoje com 25 anos, diz que se interessa pela obra do desenhista há quase uma década. A presença de Henfil influenciou, inclusive, em sua escolha profissional. O interesse se converteu também num acervo de revistas, desenhos, estudos e entrevistas dele, base da pesquisa para o livro. "Teve uma fase da minha vida que eu entrava em sebos e perguntava se tinha Henfil", diz ele, que defendeu no ano passado mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre charges de Jeca Tatu (leia mais aqui). Henfil começou a publicar os primeiros trabalhos na revista "Alterosa", de Minas Gerais, no começo da década de 1960. Em 1967, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde fez cartuns esportivos para o "Jornal dos Sports". Dois anos depois, ainda no Rio, foi convidado a integrar a equipe do jornal alternativo "Pasquim", que se tornou a principal janela de suas críticas ao regime militar. Nessa fase, também publicou revistas em quadrinhos com seus personagens. "Ele abordava temas atuais e conjunturais nos quadrinhos que fazia", diz. "Essa linguagem do Henfil, mesmo com a censura do regime militar, conseguiu dar voz a uma geração." Um caso emblemático é Ubaldo, o Paranóico. O personagem vivia com medo de ser pego pelos militares e os via em qualquer situação. Juntava humor e crítica na mesma história. Um dos pontos que chamava a atenção era seu traço, sintético e extremamente expressivo. Segundo Malta, a velocidade no desenho -chamado de "caligráfico" por Millor Fernandes- era conseqüência de dores no joelho, que o impediam de ficar sentado por muito tempo. O problema seria causado por problemas de coagulação. O desenhista e os dois irmãos eram hemofílicos, doença genética que causa hemorragias. Os três contraíram Aids em transfusões de sangue. Foram complicações causadas pelo vírus HIV que causaram a morte de Henfil, em 4 de janeiro de 1988, no Rio de Janeiro. Márcio Malta pretende ampliar a homenagem ao desenhista com uma exposição chamada "20 Anos sem Henfil". Ele já começou a contatar um grupo de desenhistas para fazer uma releitura da obra de Henfil. A primeira idéia é inagurar a mostra em agosto, mês em que Henfil completaria 64 anos. O pesquisador planeja lançar o livro na mesma ocasião. Pelo menos dois outros livros já abordaram a vida e a obra de Henfil: "Morte e Vida Zeferino - Henfil & Humor", de Rozeny Silva Seixas, e "Rebelde do Traço - A Vida de Henfil", de Dênis Moraes. Crédito: as imagens desta matéria são reproduções do catálogo da exposição "Henfil do Brasil", publicado em 2005 pelo Centro Cultural Banco do Brasil. Do Blog dos Quadrinhos

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