terça-feira, 15 de janeiro de 2008

TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO


Obras aceleram cronograma.
Canteiro de obras do eixo norte da transposição do Rio São Francisco, em Cabrobó (PE). A meta é retomar o ritmo das obras para evitar possível atraso (Foto: Antônio Vicelmo)
O Exército mobilizou 190 homens, 150 militares e 40 civis, que trabalham de segunda a sábado, nas obras em Cabrobó Cabrobó. O canal de transposição das águas do São Francisco está a caminho do Ceará, rasgando as entranhas da terra seca do sertão, passando por cima de preconceitos, indiferenças, cumprindo o destino do “Velho Chico” como rio da integração nacional e, sobretudo, alimentando a esperança de 12 milhões de nordestinos que sentem a falta da mais elementar de todas as necessidades humanas: água para beber. O milagre da transformação é observado a poucos metros do rio. De um lado, a caatinga cinzenta, o mato estorricado pelo Sol, o retrato em preto e branco da seca que assola o Nordeste. Nas margens do rio, os projetos de irrigação, tingindo de verde, símbolo da esperança, a terra vermelha do agreste pernambucano. Na sua lenta caminhada, o canal fortalece o sonho de irrigar o semi-árido. Estes contrastes naturais de riqueza e pobreza, alegria e desolação, se juntam ao desejo secular dos nordestinos de estender o braço amigo do São Francisco por este sertão afora, num abraço fraterno. É dentro dessa concepção que foram retomadas as obras no São Francisco, após o fim do recesso do 2º Batalhão de Construção e Engenharia do Exército. A greve de fome do bispo de Barra (Ba), dom Luiz Flávio Cappio, contra a execução do projeto, a reação de alguns setores da sociedade, a oposição de políticos, a ocupação da área e as inúmeras ações judiciais não atrasaram o cronograma da obra. O capitão Jair, comandante do Destacamento do 2º Batalhão de Engenharia do Exército e responsável pela execução da primeira etapa do projeto, garante que, no fim do ano, o canal de aproximação e, também, a barragem de Tucutu, localizados no município de Cabrobó, estarão concluídos. De acordo com o Capitão Jair, o Exército mobilizou 190 homens (150 militares e 40 civis), que trabalham de segunda a sábado, no canteiro de obras, uma extensão de dois quilômetros, que corresponde ao tamanho do canal. Estão sendo acionadas 11 escavadeiras, 25 caçambas, quatro motoniveladoras, nove caminhões-pipas, três perfuratrizes e oito tratores. O canal de aproximação terá 2.080 metros de extensão e a barragem de Tucutu ocupara uma área de 1.790 metros, cerca de 360 hectares. “Toda a área será inundada”, afirma o tenente Macena, acrescentando que a barragem vai fazer a distribuição de água para as bacias hidrográficas. O tenente Uémerson, que acompanha a obra, diz que, para erguer o canal serão necessários o rebaixamento do lençol, escavações em solo e em rocha e o revestimento de talude (uma espécie de rampa inclinada) do canal em rocha. Para a conclusão da barragem de Tucutu, o trabalho do Exército terá como foco a limpeza do reservatório, cujo tamanho corresponde a 489 campos de futebol, e as construções do maciço da barragem e da tomada d’água. Nesta semana foram iniciadas as explosões para a retirada das pedras do leito do canal. Para isso está sendo usada, ao invés de dinamites, uma emulsão de nitrato de amônia, uma reação química de oxidação causada por conta do oxigênio do ar. O fenômeno ocorre em baixas velocidades e tem como exemplo a queima de um pedaço de carvão. O capitão Jair explica que a presença das pedras já estava prevista no projeto. “Não vai, portanto, atrasar o prazo de conclusão da obra”. Outro detalhe curioso é o surgimento de água ao longo do canal, com menos de três metros de profundidade. Mas o líquido é muito salgado. Quando seca, aparece uma crosta de sal na superfície.
Protestos
Nas ruas de algumas cidades da Bahia e Alagoas circulam veículos com adesivos, criticando o projeto de transposição. Os que são contrários apontam que, além de não resolver os problemas a que se propõe a transposição, ainda criam outros em várias esferas. Argumentam que “o desvio de um rio degradado, a construção de barragens para controlar sua vazão, a supressão de mata nativa, a mudança no regime de cheias do rio, prejudicam a fauna”. Porém, o capitão Jair explica que o projeto da transposição vem sendo acompanhado por um arqueólogo, um biólogo e um engenheiro florestal. Indiferentes às discussões ideológicas e ambientais, os moradores ribeirinhos estão solidários com os seus irmãos nordestinos que serão beneficiados com o projeto. O motorista Pedro Landim diz que “a coisa pior que tem é a falta d’água”. “Nós temos um mar a nossa disposição. Então, por que negar um pouco d’água para nossos irmãos que estão sofrendo”?, indaga. O agricultor Antônio Humberto Cavalcante também afirmam que, se depender dele a água “matará a sede do povo”. SAIBA MAIS
Objetivo
O Projeto de Integração do rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional é um empreendimento do governo federal, sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, destinado à assegurar a oferta de água, em 2025, a cerca de 12 milhões de habitantes de pequenas, médias e grandes cidades da região semi-árida dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Captação
A integração será possível com a retirada contínua de 26,4 m³/s de água, 1,4% da vazão garantida pela barragem de Sobradinho (1.850 m³/s) no trecho do rio onde se dará a captação. Este montante será destinado ao consumo da população urbana de 390 municípios dos quatro estados do Nordeste Setentrional.
Mais informações: 2º Batalhão de Engenharia do Exército (86) 3221.4292 Prefeitura de Cabrobó (PE) (87) 3875.1632

Um comentário:

Anônimo disse...

é bom saber q´há um oficial competente comandando uma obra dessa magnitude.
tenho certeza q irá fazer um ótimo trabalho..

ex soldado diógenes 5 BeComb Porto Uniao SC