sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

MÍDIA: GUERRA TAMBÉM NAS ENTRELINHAS

A obstinada luta da mídia brasileira pelo retorno do PSDB e DEM ao poder é evidente para todos nós há cinco anos. Ela sempre está clara nas manchetes dos jornais e noticiários da TV.
Blog Democracia e Política Um detalhe importante que agora quero destacar é que essa atitude da mídia é permanente também nas sutilezas de suas notícias aparentemente inócuas. Ela está sempre presente. Tenho o preconceito de procurar agendas ocultas nas notícias da nossa mídia. Preconceito é ruim. É uma “opinião adotada sem exame ou conhecimento prévio” (dicionário Larousse). Todavia, cada vez mais sou preconceituoso, pois sempre constato que aquilo que leio nas entrelinhas é verdade, vira fato! Uma tática comum nessa guerra da mídia é a camuflagem. Quando há um fato negativo contra parlamentares do PSDB ou DEM (ou do seu aliado PPS), isso é omitido, disfarçado ou publicado genericamente, sem citar os partidos. Se, por outro lado, o fato negativo envolve alguém do PT ou a ele ligado, mesmo que somente por parentesco, o PT é citado com ênfase e acusado a exaustão. Vejamos um exemplo, publicado pela UOL/Folha anteontem: “Juiz afasta 6 deputados estaduais de Alagoas acusados de desviar R$ 200 milhões Rosa Ferro, especial para o UOL em Maceió O juiz da 12ª Vara Cível da Capital, Gustavo de Souza Lima, decidiu na tarde desta terça (12) afastar os seis integrantes da mesa diretora da Assembléia Legislativa de Alagoas que foram indiciados pela Polícia Federal na Operação Taturana. Os outros quatro parlamentares, também investigados, não poderão assumir nenhuma função na diretoria da casa. Os dez membros do legislativo são acusados, pela PF, de desviar pelo menos R$ 200 milhões de reais da folha de pagamento da instituição.” Perceberam? Não foram ressaltados no título e na notícia que o governo de Alagoas é do PSDB, nem que entre os indiciados estavam deputados do PSDB e do DEM, nenhum do PT. A capciosidade está sempre presente até mesmo em matérias que aparentemente são contrárias ao PSDB/DEM. Exemplifico com uma notícia já conhecida. Foi publicada há dez meses. Porém, ela é bem didática para este tema “entrelinhas”. O jornal Folha de São Paulo, em 13 de abril do ano passado, expressou sobre reeleição: "Criada sob FHC, regra foi alvo de compra de voto Em 1997, o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) conseguiu aprovar a emenda 16, que permitiu a reeleição do presidente, dos governadores e dos prefeitos. Até então, a legislação federal vetava a reeleição para os cargos do Executivo. Nos dias 13 e 14 de maio daquele ano, a Folha revelou gravações de conversas de deputados que disseram ter vendido seus votos a favor da emenda da reeleição por R$ 200 mil cada um, e acusavam outros colegas de terem feito o mesmo. Dois deles renunciaram, e o governo conseguiu impedir uma CPI. A emenda abriu caminho para a reeleição de FHC e dificultou a renovação política: em 1998, dos 21 governadores que tentaram um novo mandato, 14 tiveram êxito. Uma ampliação do mandato presidencial para cinco anos retomaria a tradição do período 1945-1964, alterada no regime militar. A Carta de 1988 restabeleceu os cinco anos, mas a Revisão de 1993-1994 adotou os quatro anos." Essa notícia acusa o presidente FHC e o PSDB de compra de votos!?! Não, o objetivo oculto dela é outro. Antes de abordá-lo, observa-se que a matéria da Folha, contudo, não conseguiu esconder o já conhecido cinismo e a hipocrisia do PSDB e DEM. Hoje, querem CPI sobre qualquer coisa que seja contra o governo Lula. São os santos paladinos da moral, da ética e da transparência. Nos mandatos de FHC e nos demais governos deles, inclusive nos estaduais, como o de Serra (PSDB) e o de Kassab (DEM) em São Paulo, são contrários a qualquer investigação contra eles. Isso não é novidade. Essa matéria da Folha do ano passado é boa para exemplificar o tema que apresento. A sofisticação da constante campanha subreptícia, furtiva, da imprensa. Qual a entrelinha daquela notícia da Folha de São Paulo, travestida de contrária a FHC e ao PSDB? Recordemos que, na época da publicação, ano eleitoral, muitos já anteviam que Lula seria reeleito, apesar da ferrenha campanha da mídia contra ele. A mensagem que a Folha plantou com disfarces foi: “Reeleição é coisa ruim! Ela não permite a desejada renovação política! (renovar, para ela, seria trocar Lula/PT por Alkmin/PSDB). Vamos acabar logo com a reeleição! Não permitamos a reeleição de Lula! Adotemos, em contrapartida, como justificativa, o mandato de cinco anos! Assim ao final de 2008 nos livraremos desse governo Lula!”.

Em resumo, estejamos alertas. Atenção para as malignas entrelinhas!

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