terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O GRANDE LUCRO DOS BANCOS EM 2007 E O ESQUECIDO PROER

Blog Democracia e Política
Nos últimos dias, li muitos artigos e ouvi muitos comentários negativos ao governo Lula, na mídia brasileira, devido ao grande lucro dos bancos brasileiros em 2007.

Como exemplo, cito o jornal Folha de São Paulo (FSP) de ontem. Publicou o artigo “Socialismo Jabuticaba”. Nele, critica o governo, comparando o dispêndio governamental em programas sociais em 2006 com o grande lucro dos bancos em 2007. 
Diz o colunista da FSP Clóvis Rossi ter o governo despendido R$ 21 bilhões em 2006 em todos os programas sociais, inclusive o Bolsa Família, enquanto que em 2007 quatro bancos (Itaú, Bradesco, Unibanco e Santander) lucraram R$ 21,1 bilhões.

O texto da FSP destaca: ...“números do pobre país tropical: em 2007, os lucros somados das quatro entidades financeiras que já divulgaram seus balanços foram de portentosos R$ 21,777 bilhões (Itaú, R$ 8,474 bi; Bradesco, R$ 8,010 bi; Unibanco, R$ 3,448 bi; e Santander, R$ 1,845 bi). Recapitulando, pois: para as 11 milhões de famílias beneficiárias da Bolsa-Família, R$ 21 bilhões; para quatro "famílias" financeiras, um pouco mais (R$ 21,777 bilhões)”. 

Completa o jornal: “Nunca neste planeta (ou qualquer outro) banqueiros se divertiram tanto com o ‘socialismo’ ”.


"Pior que os lucros dos bancos, seria a POPULAÇÂO ter que pagar mais um PROER para tirá-los da falência." - Presidente Lula.
Como tem sido muito comum a mídia brasileira esquecer fatos do passado recente, procurarei ajudá-la a lembrar. A revista “Isto É” nº 1574, de 01/12/1999, publicou que “o relatório da CPI dos Bancos sobre o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), divulgado na última quinta-feira 25, deixou o Banco Central em pânico.” Continua a revista: “Vários números constrangedores para o governo. Para sanear apenas seis bancos, o BC consumiu R$ 37,7 bilhões, o equivalente a 26 anos da contribuição previdenciária que o governo quer impor aos aposentados do setor público. Além dos R$ 22,8 bilhões do Proer gastos até abril deste ano – um número mais do que batido –, o BC acabou detalhando aos senadores a existência de um outro prejuízo. Quando os seis bancos quebraram, deixaram um buraco de R$ 12,9 bilhões nas chamadas reservas bancárias, uma espécie de cheque especial que cada banco tem junto ao BC. Ao fuçar o programa de socorro aos bancos, a CPI colocou uma lupa sobre a fatura, antes camuflada no papelório oficial. A comissão também confirmou a denúncia feita por ISTOÉ na edição 1504, de 29/7/98, que valeu o Prêmio Esso de reportagem econômica para o jornalista Ronaldo Brasiliense: o Proer está levando um calote. Em julho de 1998, as parcelas atrasadas somavam R$ 10 bilhões. Agora, diz a CPI, passam dos R$ 15 bilhões. Nessa conta, quem amarga o prejuízo é o Tesouro, que também terá de cobrir o que faltar nesse encontro de contas. Somando todos os micos, os senadores concluem que este rombo poderá passar de R$ 28 bilhões. “Parafraseando o próprio Armínio Fraga, essa conta vai mesmo sobrar para o meu, o seu, o nosso bolso”. Em resumo. O jornal FSP tenta agora atacar o governo Lula com o lucro dos bancos em 2007. Não explica que esse lucro veio de atividade comercial, de recursos privados. Essas atividades privadas têm sido muito mais intensas no país devido ao crescimento significativo da economia. O jornal compara, absurdamente, lucro de bancos privados, recursos não-públicos, com os dispêndios do governo em todos os programas sociais. A mídia esquece, todavia, um alarmante fato que ela muito pouco noticiou em passado recente. Foi o caso de ter o Tesouro Nacional amargado um prejuízo de R$ 50,9 bilhões (22,9 + 28 bilhões). Dinheiro público para ajudar banqueiros privados! Parafraseando o presidente do Banco Central daquele governo PSDB/PFL/FHC, aquela conta sobrou para o meu, o seu, o nosso bolso!... E o pior, com zero transparência! Aqueles recursos, bem como os mais de R$ 100 bilhões auferidos com as polêmicas privatizações foram gastos sem a mínima visibilidade da imprensa e do público. Diferentemente de hoje, jamais seria possível sabermos, por exemplo, que o Ministro Malan ou FHC compraram uma tapioca com aquele dinheiro.

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