sábado, 3 de maio de 2008

fhc, o boca mole, cínico!


Por
República Vermelha

O ex-presidente FHC (1995-2003), que perde todas as boas oportunidades para ficar calado, deitou falação na última quarta-feira (30) a respeito da possibilidade de um terceiro mandato para o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP). 

Sua ex-excelência declarou textualmente que caso o presidente se decida pelo terceiro mandato, "ficará muito desmoralizado". Tal colocação, partindo de uma das mais desmoralizadas figuras da República, até que faz sentido. 

Quando se encontrava no Palácio do Planalto, FHC esteve envolvido numa série de vergonhosos escândalos, mas a todos conseguiu abafar contando sempre com a natural pusilanimidade de boa parte dos congressistas. De forma que não deveria falar de ninguém que suborne a quem quer que seja. 

Sem contar o filho que teve com a jornalista Mirian Dutra (Rede Globo), além de um outro com a cozinheira do então senador Ney Suassuna (PMDB-PB), foram intermináveis os escândalos que notabilizaram sua gestão. Caracterizada justamente pela acusação de compra de votos parlamentares para a emenda da reeleição.

Na época da aprovação da emenda (1997), as denúncias de compra de votos levaram dois deputados federais do Acre a renunciar aos mandatos: João Maia e Ronivon Santiago. Eles confessaram, sem saber que estavam sendo gravados, detalhes da negociação intermediada pelo então presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (BA) e pelo deputado federal Pauderney Avelino (AM). 

Mas isso ainda não é tudo: sem sobressair a entrega desvairada do território nacional (foi no seu "governo" a criação da Reserva Indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima) e a tentativa de doação da Base de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, FHC defendeu, ainda, o terceiro mandato para Alberto Fujimori, no Peru. 

FHC dizia que Fujimori, hoje preso em seu país, era um "estadista". De maneira que, com tais políticos e "líderes" brasileiros vale sempre a máxima: "Faça o que digo, mas não o que faço". 

Vamos torcer para que sua ex-excelência esteja mesmo muito mudado. A prova maior seria assumir os filhos fora do casamento e um relato detalhado de como pagou a pensão alimentícia do menino Tomás, que mandou com a mãe para Barcelona, Espanha. Existe forte suspeita de que foi tudo com cartão corporativo. 

Está nesse imbróglio a raiz brasileira de todos os males sociais. Tudo se confunde: nos desmandos e mentiras. No saco de gatos em que está transformada nossa política administrativa, não há a quem defender. 

Mudam-se apenas os nomes e, na maioria das vezes, nem isso. É só verificar que as figuras mais importantes da gestão FHC continuaram com a passagem do PSDB para o PT. Henrique Meirelles, por exemplo, elegeu-se deputado federal pelo PSDB de Goiás, renunciou ao mandato e foi cuidar do Banco Central. 

Não há como investigar ou apurar crimes permanentemente cometidos, pois muitas vezes investigados e investigadores se confundem numas e noutras posições. A impunidade é geral. Difícil encontrar quem queira cortar o próprio rabo. Por conta disso é que se observa a geração de nossa maior crise: a da falta de presídios. Não se toma a menor providência. As autoridades parecem receosas de construir penitenciárias, já que correm o risco de se tornar inquilinos. 

Sem propostas, bandeiras ou intenção que não seja a de se locupletar pura e simplesmente, vivem de declarações ocas e vazias, como as proferidas por FHC. 

Márcio Accioly
accioly@tba.com.br

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