quinta-feira, 12 de junho de 2008

São João sem fogueiras: a tradição perde espaço para a modernidade na PB

 
Por enquanto a medida do Ministério Público só atinge Campina Grande, mas há clamores na sociedade, para que a medida se estenda em toda Paraiba. Louvável essa medida, que no meu entender precisa ser levada também ao costume de soltar bombas, traques e outros artifícios de pólvora. Helio de Almeida Oliveira.
Aos poucos as tradições nordestinas e os folguedos juninos vão se esvaindo no confronto com a modernidade. Os balões, que já animaram as noites do mês de junho, se tornaram vilões para as florestas e caíram na ilegalidade. Agora, as fogueiras também estão na mira do poder público e ameaçadas, com a sua fumaça, de desaparecer da noite de São João. Em nome da saúde e do tráfego aéreo, a cidade de Campina Grande,a 120km de João Pessoa, e mais 36 Comarcas do Sertão e do Cariri paraibano declararam guerra a tradição de se acender fogueiras na noite de São João. Quem desobedecer à recomendação do Ministério Público terá que pagar multa de R$ 1 mil. De acordo com o coordenador das Curadorias de Campina Grande, José Eulâmpio Duarte, a medida visa preservar a vida, o espaço aéreo e o meio ambiente. Ele revela que foram muitas as reclamações para o Ministério Público abraçar essa causa e tornar a prática de fazer uma fogueira num ato “ilegal”. “Recebemos solicitações de vários segmentos e observamos a necessidade de se impedir a queima da fogueira com o único propósito de salvar vidas, proteger o meio ambiente com a preservação da Caatinga e evitar acidentes”, afirma o promotor. A associação Campinense de Pneumologia, por exemplo, comprovou que na cidade de Campina Grande existem pelo menos 32 mil pessoas com problemas respiratórios e que no período junino, chegam a lotar os hospitais com falta de ar, rinites alérgicas, bronquite, asma e outras crises do aparelho respiratório. “Chegamos a registrar até óbitos por conta da fumaça poluindo o ar da cidade”, revela. A Infraero também pediu socorro ao MP. De acordo com a direção do órgão, a fumaça dificulta o tráfego aéreo e algumas companhias que operam no Aeroporto João Suassuna, estavam dispostas a desviar os vôos porque durante o São João a fumaça impede a visibilidade dos pilotos e podem causar acidentes. O Corpo de Bombeiros engrossou a fileira alegando que as fogueiras, montadas nas calçadas e ruas da cidade impedem o trabalho das equipes de socorro em chamadas de emergências para conter incêndios ou fazer resgate de queimados. Por último, as organizações não-governamentais (Ong’s), em nome das árvores, fecharam o cerco à tradição e também pediram o fim das fogueiras. Diante de tantos motivos, não restava ao MP tentar acabar com as fogueiras e através da conscientização e da punição deixar que as luzes dos postes iluminem a noite de São João. Sudema proíbe venda de fogueiras A diretora-técnica da Superintendência de Desenvolvimento do Meio Ambiente (Sudema), Sônia Matos, afirmou que o órgão não está cadastrando nenhum vendedor para comercializar fogueiras no Estado, independente da origem da madeira. “A venda não será autorizada em nenhum local e nós, junto com a Polícia Florestal, iremos fiscalizar e apreender as madeiras postas à venda”, assegura. Aos infratores, caberá uma multa de R$ 1 mil. De acordo com Sônia Matos haverá uma conscientização com os comerciantes, sem a intenção de multar. Mas segundo o promotor José Eulâmpio, em Campina Grande, a multa será aplicada em casos de desobediência tanto para quem vende quanto para quem queima a madeira. “A multa que a Sudema estabelece é de um mil reais e caberá a Sudema, Polícia Florestal e Prefeitura de Campina Grande fiscalizar as queimas de fogueiras na cidade”, garente o promotor. Ele lembra, que no município de campina Grande existe uma legislação específica que proíbe a montagem de fogueiras sobre o asfalto. “Aí é que é pior. A madeira queimando no asfalto provoca uma fumaça com toxina muito mais nociva do que a simples fumaça da madeira”, diz José Eulâmpio. Trabalho de conscientização A luta do Ministério Público contra as fogueiras vem sendo travada há quatro anos. Desde 2004, campanhas de conscientização vêm conseguindo o apoio da população campinense no sentido de mostrar o mal que as fogueiras fazem para o ecossistema e que as festas juninas seriam bem melhores sem a cortina de fumaça que se faz na noite de São João. Em dados concretos, o MP revela que em diversas ruas da cidade o número de fogueiras vem caindo fortemente e os riscos de acidentes vão desaparecendo com essa prática centenária. “Há 4 anos, na rua Vigário Calixto, você encontrava 103 fogueiras. No ano passado, registramos apenas quatro. A população está se conscientizando de que São João sem fogueiras é melhor para todos”, diz. Dados da Associação Campinense de Cirurgia Plástica revelam que com a diminuição das fogueiras, se registra uma redução de até 80% no número de acidentes com crianças. E que também a cidade desde o início da conscientização já percebe uma queda de até 70% nas vendas das fogueiras. Igreja quer fim das fogueiras O arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, também contribuiu para a proibição das fogueiras na véspera de São João no Estado. Para ele, a fogueira não tem nada a ver com os rituais católicos. “Essa prática deve ser banida dos festejos juninos porque só traz prejuízos para a população e o meio ambiente”, afirmou Dom Aldo ao promotor José Eulâmpio. O promotor disse ainda que espera que outras autoridades religiosas, a exemplo de Dom Aldo Pagotto, tomem providências e orientem seus fiéis sobre o risco de se acender fogueiras. “Temos que apelar para o espírito cristão para evitar essa prática maléfica a toda sociedade”, acrescenta. População dividida Os riscos e os prejuízos que as fogueiras causam nem sempre são levados em conta pelas pessoas que mantêm a tradição. Para muitos, a queima da madeira em homenagem ao santo do dia já é um ritual passado de geração em geração e consiste, a exemplo do árvore no Natal, num dos grandes símbolos do São João. A dona de casa Elba Pedroza diz que vai manter a tradição com todos os cuidados que se deve ter ao montar e acender uma fogueira. “Desde que me entendi de gente que fazemos fogueira em nossa calçada. Hoje, tomo as devidas precauções para evitar problemas, ou seja, ela não é muito alta, nem grande e cerco a sua área para prevenir que pessoas se queimem”, afirma. “São João sem fogueira não tem graça”, acrescenta. “Como é que vão acabar com as fogueiras se há tantas indústrias que poluem muito mais, os carros jogando gás carbônico no ar e as padarias que queimam madeira e produzem fumaça do mesmo jeito? É um absurdo”, reclama o estudante de administração Ricardo Douglas. Já a professora Elisângela Ribeiro é a favor da medida proibitiva e também quer o fim das fogueiras. “Tem que se acabar mesmo. Não faz sentido tanta fumaça que só prejudica as pessoas e ainda nos deixa fedidas na noite de São João”, completa. Como surgiu a fogueira No Brasil, é muito comum o acendimento de fogueiras durante as comemorações da festas juninas, sobretudo na noite de São João. Segundo a tradição católica, a fogueira tem sua origem em um trato feito pelas primas Isabel (mãe de São João Batista) e Maria (mãe de Jesus Cristo). Isabel teria mandado acender uma fogueira no topo de um monte para avisar sua prima Maria que seu filho havia nascido. Fonte: Wscom

Um comentário:

Anônimo disse...

Você quer me ajudar numa campanha contra as fogeiras de São João que pioram ainda mais o aquecimento global?

meu nome é Handersson

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