quarta-feira, 27 de agosto de 2008

CORREIO BRASILIENSE: Efraim diz que não é citado em inquérito, mas, relatórios o contradizem


- O senador Efraim Morais (DEM-PB) quebrou ontem o silêncio e afirmou aos jornalistas que seu nome não é citado nas investigações sobre a Operação Mão-de-Obra. “O que eu posso adiantar e repito com todas as letras: no processo que envolve Ministério Público, Justiça Federal e a Polícia Federal, o nome do senador Efraim Morais não é citado, conseqüentemente não tem nenhum inquérito”, disse. 
Três relatórios do serviço de inteligência da Polícia Federal contradizem o parlamentar. São documentos que constam no inquérito da PF, anexado à ação por improbidade administrativa do Ministério Público que corre na 1ª Vara da Justiça Federal de Brasília, sob o número 2008.34.00.009164-8. 
As folhas 169 a 192 dessa ação trazem dois desses relatórios, de números 58/06 e 61/06. Os documentos “citam” várias vezes o nome do senador ao descrever os passos do lobista Eduardo Bonifácio Ferreira, acusado no processo de negociar o resultado das licitações com as empresas Conservo e Ipanema. 
Agentes da PF chegaram a entrar no então gabinete de Efraim para conferir de perto a atuação do lobista. Em 14 de julho de 2006, flagraram-no trabalhando numa sala com mesa e computador à sua disposição, sendo que ele não era funcionário do Senado na época. “Trabalhos de vigilância constaram (sic) que diariamente Eduardo Bonifácio vai ao Senado, tendo inclusive as chaves que dão acesso a uma das salas que compõem o gabinete do senador Efraim Morais”, diz um trecho do documento. 
Conforme o Correio já revelou, o relatório 55/06, que faz parte do inquérito, diz que a PF presenciou Ferreira abrindo com a própria chave o gabinete de Efraim. “O alvo desceu do carro e se deslocou em direção à porta que dá acesso direto do estacionamento ao gabinete 21, tomou umas chaves no bolso, abriu a citada porta e entrou no gabinete. Ou seja, o alvo entrou no estacionamento privativo do Senado Federal, depois entrou no gabinete do senador Efraim Morais.” 
Indagado 
O senador disse ainda que não prestou qualquer esclarecimento à polícia. “Não fui ouvido pela polícia, não fui convocado e, pelo contrário, tenho consciência tranqüila e a certeza de que, ao ter o apoio de toda a minha bancada, terei o apoio dos demais companheiros da Casa”, afirmou. 
Um documento da PF, também anexado à ação na Justiça Federal, o contradiz novamente. Em ofício de número 198, de 15 de agosto de 2006, Efraim responde a três perguntas feitas pelo delegado Matheus Rodrigues, que atuou no caso. 
O delegado perguntou qual era a função administrativa exercida pelo parlamentar, que respondeu apenas ser o primeiro-secretário. Depois, ao ser indagado sobre sua relação com o lobista Eduardo Ferreira, ele responde: “Conheço o senhor Eduardo há cerca de 10 anos, quando exercia o mandato de deputado federal”. Perguntado ainda se Ferreira tinha alguma função em seu gabinete, Efraim disse “não”. A papelada em que Efraim é citado está sendo analisada pela procuradora Luciana Marcelino, do Ministério Público Federal em Brasília. O Correio já a procurou para comentar o assunto. A procuradora informou que só vai se manifestar ao fim da investigação. 
Ontem, a reportagem conversou com Efraim e pediu uma entrevista. Ele solicitou que as perguntas fossem enviadas por escrito, o que foi atendido. No total, foram encaminhadas 12 perguntas ao parlamentar. No início da noite, sua assessoria informou que as respostas seriam dadas somente depois da apresentação do relatório do corregedor, Romeu Tuma (PTB-SP).
Leandro Colon e Marcelo Rocha
Da equipe do Correio

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