terça-feira, 26 de agosto de 2008

CORREIO BRASILIENSE: Lobista tinha mesa e computador no gabinete do senador Efraim Morais, segundo a Polícia Federal Nova matéria do jornal Correio Brasiliense, edição desta terça-feira, 26, revela que a Polícia Federal seguiu o lobista Eduardo Bonifácio Ferreira dentro do Senado Federal e flagrou o lobista cumprindo expediente no gabinete do senador Efraim Morais em 14 de julho de 2006, 12 dias antes da Operação Mão-de-Obra. Logo depois de ser visto trabalhando no gabinete, o lobista se dirigiu com o CD e o envelope ao terceiro andar do Anexo I sem usar o elevador, preferindo as escadas. O serviço de inteligência da PF o seguiu pelo trajeto e o flagrou entrando na sala do diretor-geral do Senado, Agaciel Maia.
Marcelo Rocha e Leandro Colon Da equipe do Correio Leia a matéria do Correio Brasiliense, na íntegra: “Agentes da PF seguem Eduardo Ferreira e descobrem que o lobista acusado de fraudar licitações na Casa ocupava uma mesa no gabinete do senador no mesmo período em que negociou resultado das concorrências Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 6/8/08 Efraim Morais: senador nomeou Ferreira para um cargo comissionado na liderança da minoria O lobista Eduardo Bonifácio Ferreira, acusado de intermediar o resultado das licitações no Senado, não só tinha a chave do gabinete do primeiro-secretário, Efraim Morais (DEM-PB), como trabalhava no local, com mesa e computador à sua disposição. É que o revela o relatório de inteligência 61/06 da Polícia Federal, obtido ontem pelo Correio. A PF flagrou Ferreira cumprindo expediente no gabinete em 14 de julho de 2006, 12 dias antes da Operação Mão-de-Obra. Oficialmente, ele não era funcionário da Casa na época. Uma equipe da polícia seguiu o lobista dentro do Senado, chegando a entrar no gabinete de Efraim para confirmar se ele realmente trabalhava no local. “Por volta das 11h45, uma equipe entra no gabinete 21 (então ocupado pelo senador), desce até a parte inferior e visualiza o alvo (Ferreira) numa mesa com computador, dentro de uma sala localizada em frente à porta de entrada da parte inferior do gabinete, mexendo em algo que parecia ser um CD e um envelope”, descreve a polícia. A PF afirma que, mesmo não sendo funcionário, Ferreira fazia parte da “equipe” do senador. “Tendo inclusive as chaves que dão acesso a uma das salas que compõem o gabinete do senador Efraim Morais”, diz a polícia. Logo depois de ser visto trabalhando no gabinete, o lobista se dirigiu com o CD e o envelope ao terceiro andar do Anexo I sem usar o elevador, preferindo as escadas. O serviço de inteligência da PF o seguiu pelo trajeto e o flagrou entrando na sala do diretor-geral do Senado, Agaciel Maia. “Por volta das 12h25, o alvo sai do gabinete do diretor do Senado sem nada nas mãos”, relata a PF. Em depoimento à polícia, Agaciel disse que Ferreira o procurava para pedir emprego a parentes. Na semana passada, o Correio revelou que a polícia havia flagrado, em 29 de junho de 2006, Ferreira abrindo com chave própria uma porta de acesso reservado ao gabinete de Efraim. Agora, descobre-se que ele comparecia diariamente para trabalhar no Senado, segundo a apuração policial feita em julho daquele ano. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, o lobista negociou com as empresas Ipanema e Conservo o resultado de licitações para o fornecimento de mão-de-obra terceirizada ao Senado. Primeiro-secretário, Efraim prorrogou esses contratos sob suspeita até 2009. Os agentes federais monitoraram encontros de Ferreira com os empresários investigados durante o processo licitatório no primeiro semestre de 2006. Mas o lobista também se reuniu com eles após as concorrências. Em 12 de julho daquele ano, por exemplo, ele saiu de casa, na Asa Norte, passou no Senado e foi para a sede da Ipanema, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Nomeação Filiado ao DEM, Ferreira trabalhou oficialmente na Casa entre 2003 e 2005, ocupando cargo comissionado na Liderança da Minoria. Foi Efraim quem o nomeou para o posto, quando era o líder desse bloco. O parlamentar tem se negado a dar explicações sobre sua relação com o lobista. Ferreira, no entanto, passou uma procuração a Efraim, transferindo ao senador da Paraíba cotas de capital numa empresa de consultoria. Nos relatórios da Operação Mão-de-Obra, a PF levanta a suspeita de que essa empresa seja de “fachada”, supostamente usada para encobrir alguma ilicitude. A bancada de senadores do DEM tem reunião marcada para hoje. A expectativa é a de que os parlamentares peçam uma resposta de Efraim. A crise em torno dele deve entrar na pauta do encontro. “Não tem como não discutir isso”, afirmou o senador Demostenes Torres (DEM-GO). Ao lado do líder da legenda, José Agripino (RN), Demostenes tem cobrado explicações públicas de Efraim sobre suas ligações com o lobista”.

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