terça-feira, 9 de setembro de 2008

Plantao de Policia: PF no encalço de Efraim


Delegado que apurava fraudes em licitações no Senado pediu ao STF para investigar senador. No relatório da polícia, ele é citado 14 vezes por sua ligação com o lobista acusado de burlar as concorrências
De Marcelo Rocha e Leandro Colon:
Um documento da Polícia Federal até hoje mantido sob sigilo confirma o que o senador Efraim Morais (DEM-PB) sempre negou aos demais parlamentares: a suspeita por parte dos investigadores de seu envolvimento nas fraudes em licitações do Senado. O delegado Matheus Mela Rodrigues pediu para a Justiça enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) os indícios da ligação de Efraim com as irregularidades.
Segundo a conclusão policial, é preciso “apurar as eventuais responsabilidades do senador Efraim Morais”. “O mesmo (Efraim) supostamente estaria envolvido na organização criminosa de fraudar os procedimentos licitatórios junto ao Senado Federal”, sustenta o delegado. Esse tipo de iniciativa da PF só ocorre quando a polícia tem convicção da participação de parlamentares em algo ilícito. Cabe ao STF autorizar a investigação. A Justiça Federal informou à reportagem que ainda não se manifestou sobre a solicitação da polícia.
O pedido da PF consta no relatório final de 150 páginas da Operação Mão-de-Obra, ocorrida em julho de 2006 para desmontar uma quadrilha que fraudava licitações na Esplanada dos Ministérios. Até então desconhecido publicamente, o documento assinado por Rodrigues foi obtido ontem pelo Correio. Essa solicitação de investigação pelo Supremo está listada por ele entre as “diligências pendentes” do caso. Efraim é o primeiro-secretário do Senado, função responsável por esses contratos, que somam R$ 35 milhões. No primeiro semestre deste ano, o senador os prorrogou até 2009 sem licitação, apesar das suspeitas levantadas.
A polícia avalia ainda que era clara a relação entre o parlamentar e o lobista Eduardo Bonifácio Ferreira, acusado pelo Ministério Público Federal de negociar os resultados dessas concorrências com as empresas Conservo e Ipanema, que conseguiram fechar contratos para fornecer mão-de-obra terceirizada ao Senado. Assinante do Correio Braziliense leia mais em: PF no encalço de Efraim.

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