domingo, 16 de novembro de 2008

Vitória brasileira: G20 vai regular mercado, incentivar crescimento e apoiar emergentes


Os líderes dos países desenvolvidos e emergentes que compõem o G20, grupo presidido pelo Brasil, concordaram neste sábado (15) durante reunião em Washington (EUA) com a proposta defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que é preciso acabar com o vale-tudo no mercado financeiro internacional – origem da crise atual –, investir no crescimento econômico e apoiar os emergentes. 

Em um primeiro esboço do comunicado conjunto, os líderes acentuaram a necessidade de regulação dos mercados, se comprometem a aplicar medidas fiscais para estimular as economias nacionais e estabelece seis áreas em que terão que atuar antes de 31 de março de 2009. A declaração final, elaborada em uma reunião de cinco horas, também incluiria a rejeição ao protecionismo econômico – outra bandeira defendida pelo Brasil –, disse uma fonte próxima às negociações. 

As áreas em que o G20 irá atuar são: a reforma dos aspectos de regulação, as normas de contabilidade, a transparência dos mercados de derivativos, as práticas de remuneração e a avaliação das necessidades de capital das instituições financeiras internacionais. 

“Reguladores precisam garantir que suas ações estimulem a disciplina do mercado, evitem potenciais impactos adversos em outros países, incluindo arbitragem regulatória”, disse o texto. 
“Nós defendemos que se garanta que todos os mercados financeiros, produtos e participantes sejam regulados ou sujeitos à fiscalização, como seja apropriado as suas circunstâncias”. 
“Nós concordamos que uma medida de resposta mais ampla é necessária, baseada em cooperação macroeconômica, para restaurar crescimento, evitar turbulências e apoiar economias de mercados emergentes e de países em desenvolvimento”. 

Ampliação  
O ministro da Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou que no futuro o G20 pode passar a ser formado por mais países. "Pode ser que de agora até a reunião no Reino Unido o G20 se transforme em um G22", disse em alusão a uma possível entrada no grupo de Espanha e Holanda, que participam do evento como convidados. 

O Brasil expressou apoio à participação da Espanha na próxima cúpula e mencionou a possibilidade de sua integração formal no grupo. "A Espanha é bem-vinda para o próximo encontro", declarou Amorim, esclarecendo que quem fará os convites será o Reino Unido. 

Segundo Amorim, o G20 efetivamente substituiu o G8 (das nações mais industrializadas do mundo) nas discussões econômicas globais. Tanto o Brasil quanto os Estados Unidos estão satisfeitos com o documento oficial do encontro, de acordo com o ministro. 

"Ele inclui medidas desejadas para uma supervisão maior e os passos coordenados para estimular a economia. Ele consolida o processo do G20", declarou. 

Propostas de Lula 
O fortalecimento do G20 como instância de articulação de políticas econômicas fora uma das propostas defendidas pelo presidente Lula horas antes do encontro. 

 "O G8 não tem mais razão de ser, é preciso levar em conta as economias emergentes no mundo globalizado de hoje", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Em rápida conversa com jornalistas, Lula disse que também defenderia a regulação dos mercados financeiros. 

"Eu disse ontem que a vida inteira, quando eu era metalúrgico, para comprar uma televisão eu tinha que fazer 40 ou 60 horas extras por mês. Não é justo que alguém fique bilionário sem produzir uma única folha de papel, sem produzir um único emprego, sem produzir um único salário", afirmou o presidente. 

Pela proposta brasileira, caberia ao G20 a regulação dos mercados. "Se conseguirmos fazer isso, já é uma coisa extremamente importante", dissera Lula. 

A proposta brasileira derrotou a tese do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que se dizia apenas "teoricamente favorável" à regulamentação de mercados, mas achava que cada país deveria tratar do seu quintal. 

A exemplo do que fez na abertura da reunião de ministros de economia e presidentes de bancos centrais do G20 financeiro, há uma semana, em São Paulo, Lula pediu aos países ricos que assumam sua responsabilidade pela crise. 

"A melhor solução para evitar que a crise se alastre é os países ricos resolverem seus problemas. É a primeira vez que os problemas não estão nos países pobres", afirmou. "Não adianta ficar procurando medidas paliativas se não resolver o problema crônico da política econômica americana e da política econômica européia". 

Com agências internacionais 
 

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