Ser covarde, é...

Ser covarde, é...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Blog do Alon: Oposição a caminho da ratoeira




O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) divulgou ontem em seu "ex-blog" (uma newsletter) os resultados da última pesquisa nacional do instituto GPP, cujo trabalho o ex-alcaide costuma prestigiar. Os números ajudam a alimentar a pulga atrás da orelha dos dirigentes da oposição. O GPP perguntou quem seria o melhor presidente para o Brasil. Deu Luiz Inácio Lula da Silva 42%, José Serra 8%, Aécio Neves 4%, Dilma Rousseff 3%, Ciro Gomes 1% e Heloísa Helena 1%. As respostas foram espontâneas.


Por Alon Feuerwerker*



Cesar: eleição revela ums foto tirada antes Na estimulada: Serra 42%, Dilma 17%, Ciro 16% e Heloísa 9%. O detalhe: entre os menos escolarizados, núcleo duro do eleitorado de Lula, Dilma pega por enquanto apenas 8%. Sem Ciro: Serra 46%, Dilma 29% (Dilma leva vantagem numérica de 41,4% a 37,6% no Nordeste).


A oposição esperava que Dilma chegasse aos 30% no fim do ano. Segundo o GPP, chegou seis meses antes. No cenário plebiscitário projetado pelo Planalto, Serra mantém a dianteira, que se estreita. E a identificação de Dilma como preferida de Lula está pela metade. A pesquisa perguntou quem é o candidato do presidente. Deu Dilma 52%, Serra 8%, Ciro 6% e Heloísa 5%.


Há duas visões entre os líderes da oposição, ao menos para consumo externo. Os otimistas acham que Dilma vai estacionar nos 30% e que terá dificuldade para atrair o voto não petista de Lula. Os pessimistas olham os números e desconfiam que a operação de transferência de votos vai de vento em popa, ajudada pela permanente exposição pública do apoio do presidente a sua pré-candidata. Até porque já estamos em plena campanha presidencial, na prática.


O apoio de Lula é turbinado pela gordura política acumulada. Segundo o GPP, Lula tem 59% de bom+ótimo, 32% de regular e 9% de ruim+péssimo. Na teoria, esses números permitem concluir que Dilma, quando plenamente identificada com Lula, terá potencial de voto suficiente para liquidar a eleição num eventual primeiro turno bipolarizado.


E as variáveis externas? O país está em recessão (a real, não a técnica) há mais de nove meses e até agora isso não implicou perda substancial para o presidente. Pode acontecer? Pode, mas Lula conseguiu por enquanto proteger a ideia de que está fazendo o melhor possível, nas circunstâncias. Nos últimos dias, os membros do governo têm inclusive operado para descolar a administração dos defeitos dela, como a ainda extorsiva taxa básica real de juros e o spread bancário inexplicável - a não ser pelos critérios do monopólio e da ganância.


Lula, assim, é o responsável pelas "coisas boas do governo" (a ênfase social), mas "infelizmente ainda não conseguiu fazer tudo que queria". Um discurso ideal para enfrentar as críticas. Mantido esse desenho, a oposição caminha para a ratoeira do plebiscito, cuidadosamente construído no imaginário popular pelos alquimistas palacianos. Como defesa, apenas a tese de que Dilma não passará dos 30%. Que pode ser isso mesmo, mas se for apenas uma tese terá um custo altíssimo para quem deseja remover o PT do poder central.


O que fazer? No lado do governo, o que vem fazendo. No lado da oposição, continuar procurando a maneira de entrar na guarda de Lula. Especialmente agora, quando o presidente vai ocupando até o espaço de principal crítico dele mesmo. Lula montou um bunker ambiental globalista na administração e agora engrossa o discurso em defesa da soberania brasileira na Amazônia. Lula convive há mais de seis anos com um spread irracional (ou racionalíssimo, conforme o ângulo) e seu ministro da Fazenda hoje diz que isso precisa mudar. Por que não mudou até agora? Lula é o campeão de renúncias fiscais, e agora diz que seria preferível dar esse dinheiro para os pobres, em vez de repassá-lo a empresários que não baixam preços -mesmo com menos impostos.


Esta é a receita de Lula para 2010: se você está feliz com o governo, vote na Dilma; se está infeliz, vote também, pois ela vai fazer coisas que Lula queria mas não conseguiu. "Não dá para fazer tudo em oito anos". Esse discurso pode ser desmontado numa campanha eleitoral? Pode, desde que se respeite uma teoria que o próprio Cesar Maia gosta de fazer circular. Eleição é hora de revelar a fotografia que foi tirada antes. A campanha eleitoral precisa soar como a continuidade de um processo de luta política, não cair como raio vindo do céu azul. Mas esse é assunto velho nesta coluna. Assim como a necessidade de a oposição encontrar um desenho político original para 2010.


* Fonte: Blog do Alon (http://www.blogdoalon.com.br/) / Correio Braziliense



quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dia Internacional do homem


Do Site do meu amigo Rômulo Gondim

Vocês acham que é fácil ser homem? Estamos iniciando uma campanha para a instauração do Dia Internacional do Homem. Já existe dia da mulher, dia do cachorro, dia do gay, até dia do advogado! Por que não o Dia Internacional do Homem?
Algumas razões para a criação do Dia Internacional do homem: Vocês acham que é fácil ser homem? Estamos iniciando uma campanha para a instauração do Dia Internacional do Homem. Já existe dia da mulher, dia do cachorro, dia do gay, até dia do advogado! Por que não o Dia Internacional do Homem? Algumas razões para a criação do Dia Internacional do homem: 1) Quem é obrigado a erguer os pés quando ela está fazendo faxina? R: O prestativo homem! 2) Quem se veste como pingüim no dia do matrimônio? R: O humilde homem! 3) Quem é que, apesar do cansaço e do stress, jamais poderá fingir um orgasmo? R: O sincero homem! 4) Quem é obrigado a sustentar a amante esbanjadora? R: O abnegado homem! 5) Quem se expõe ao stress por chegar em casa e não encontrar a comida quentinha, as crianças com o banho tomado, a roupa lavada, a cozinha limpa e o drink já posto sobre a mesa? R: O doce homem! 6) Quem corre o risco de ser assaltado e morto na saída da boate, cada vez que participa dessas reuniões noturnas com os amigos, enquanto a mulher está bem segura em casa na sua caminha quentinha? R: O desprotegido homem! 7) Quem é o encarregado de matar as baratas da casa? R: O valente homem! 8) Quem segura a "cauda do rojão" quando chega em casa com marca de batom na camisa e é obrigado a dar explicações que nunca são aceitas? R: O incompreendido homem! 9) Quem é que toma banho e se veste em menos de vinte minutos? R: O ágil homem! 10) Quem é que tem de gastar consideráveis somas em dinheiro comprando presentes para o dia das mães, da esposa, da secretária e outras festas inventadas pelo homem para satisfazer à mulher? R: O dadivoso homem! 11) Quem jamais conta uma mentira? R: O ético homem! 12) Quem é obrigado a ver a mulher com os rolinhos nos cabelos e cara cheia de cremes? R: O compreensivo homem! 13) Quem tem que passar por uma TPM calado todo mês? R: O calmo homem! E mais: * A tortura de ter que usar terno no verão.. * O suplício de fazer a barba todo dia. * O desespero de uma cueca apertada. * Viver sob o permanente risco de ter que entrar numa briga. * Pilotar a churrasqueira nos fins de semana enquanto todos se divertem. * Ter sempre que resolver os problemas do carro. * Ter a obrigação de ser um atleta sexual. * Ter que notar a roupa nova dela. * Ter que notar que ela mudou de perfume. * Ter que notar que ela trocou a tintura do cabelo de Imédia 713 para 731 louro bege salmon plus up light forever. * Ter que notar que ela cortou o cabelo, mesmo que seja somente um centímetro. * Ter que jamais reparar que ela tem um pouco de celulite. * Ter que jamais dizer que ela engordou, mesmo que isto seja a pura verdade. * Trabalhar pra cacete em prol de uma família que reclama que você trabalha pra cacete!

Depois elas ainda acham que é fácil, só porque nós não menstruamos, só faltava mesmo né!

terça-feira, 9 de junho de 2009

F1 - MAIS DO MESMO


Flavio Gomes*
Do Site Grande Premio



SÃO PAULO (zíper) - "Bater em Barrichello é um dos esportes nacionais, não é mesmo? Gozado como Rubens começou o ano com expectativas tão grandes, dele e dos torcedores brasileiros, e como em sete corridas foi tudo por água abaixo. Lembro que antes de começar a temporada escrevi algo sobre Barrichello ter se transformado, de repente, na nova paixão do Brasil. Numa enquete que perguntava para quem os internautas iriam torcer numa dividida de curva entre ele e Massa, deu Rubens na cabeça.

Culpa de quem o fim dessa lua-de-mel? da Brawn? De Button? Dele mesmo?

De ninguém em especial. Rubens simplesmente está sendo superado por seu companheiro de equipe, algo que não é tão incomum assim em equipe alguma. São raras as duplas realmente equilibradas na história da categoria, especialmente em times de ponta, como é o caso, hoje, da Brawn GP.

O que contribui para a malhação de Judas quinzenal, creio, é a desastrosa verborragia de Barrichello. Ele dá a cara para bater, isso ninguém nega. Estava escutando a entrevista que concedeu aos jornalistas brasileiros em Istambul, no blog de Felipe Motta, da Jovem Pan, e fiquei quase chocado com algumas declarações. Digo “quase” porque Rubens foi o cara que mais entrevistei na vida. Sei bem como ele é, digamos, desastrado quando fala.

Primeiro, quando fala da relação de marchas usada em Istambul. Estava errada, a sétima. Fazia com que o motor batesse no limitador de giros por oito segundos na retona, o que inviabilizava tentativas de ultrapassagem. Pombas. Relação de marcha é algo que piloto decide junto com seus engenheiros. E que não muda de sábado para domingo. Assim, se estava errada, era algo que ele, piloto, deveria ter percebido nos treinos. São essas coisas que, às vezes, ajudam a desmistificar um pouco aquela história de que Barrichello é um dos maiores acertadores de carros de todos os tempos. Ele também erra. Às vezes, feio.

Depois vem a filosofia barrichelliana. “Azarado não sou. (…) Minha guerra para ser campeão é um incentivo para muita gente no Brasil.” Ai, ai, ai. Será que Rubens acha, mesmo, que as pessoas no Brasil se espelham nele como grande batalhador da humanidade? Que enxergam nele um pobre lutador incansável quando saem de casa para trabalhar? Menos, menos. Bem menos. Essa história de querer ser um exemplo de tenacidade soa presunçosa e fora da realidade. Digamos que o brasileiro médio tem exemplos melhores para se espelhar quando pensa em alguém que luta, batalha, briga, vence. E eles não estão no meio automobilístico. Isso é um pouco de complexo de Ayrton Senna. A F-1 não tem mais esse caráter messiânico por aqui faz tempo. Aliás, agradeça-se a Massa por isso. Ele nunca fez o papel de redentor da nação, apesar dos esforços globais.

Sobre Button, Rubens disse que ele “parece com o Michael Schumacher” na medida em que “as coisas estão se abrindo na frente dele”. Como se tudo fosse fruto do acaso, ou do destino. “Ele tá atrás do Vettel e de repente o Vettel dá uma errada, não precisa nem ultrapassar.” Numa corrida de carros, tudo é uma sequência de eventos. Se Rubens tivesse largado direito, passaria junto. Mas largou mal, atrapalhou-se com a embreagem — ou a embreagem o atrapalhou —, ficou para trás. Button largou bem, estava colado em Vettel quando o alemão errou. Por isso passou.

Sobre a Brawn. “Condições [iguais] na equipe acho que sim. As coisas são diferentes aqui. Na Ferrari tinha situações que não eram louváveis.” É engraçado, isso. O responsável pelas “situações que não eram louváveis” era quem? Ross Brawn, suponho. Pelo menos participava de tudo. Você trabalharia de novo para alguém que tem atitudes pouco louváveis? Quando, afinal, Rubens dirá o que de tão pouco louvável aconteceu com ele na Ferrari? Nunca, porque o tal livro, como disse na TV, vai ficar para depois que seus filhos pararem de correr, se o fizerem um dia. Para não prejudicar um eventual contrato com a Ferrari… Ai, ai, ai.

Ainda sobre o time, falando do meeting pós-corrida. “Na reunião, não foi um dia bom para eles. A equipe não sabe qual é o problema da frição (fazia tempo que eu não escutava “frição”). (…) Por que acontece sempre com o cara que faz mais, que chega mais cedo e vai embora mais tarde? É o sentimento lá dentro.” Barrichello acha que seus problemas devem fazer com que todos na Brawn tenham um sentimento de culpa ao final de cada GP.

Não é assim que as coisas funcionam. Problemas técnicos em carros de corrida acontecem aos montes, com todos os pilotos. Nada nunca é perfeito. Se você perguntar a Button se tudo deu 100% certo na Turquia, é possível que ele diga que um jogo de pneus era pior que o outro, ou que num determinado momento o carro estava saindo de frente, ou de traseira. Uma corrida, ainda mais de uma hora e meia de duração, traz ao piloto todo tipo de dificuldade. Uma das chaves para se dar bem é saber lidar com elas.

Por fim, a pérola que chega a ser engraçada. “Se a gente olhar hoje meu dia apático, cheio de problemas, vai ter gente acreditando que vou jogar a toalha. Mas eu, não. Vou lutar sempre.”

Dia apático? Ai, ai, ai.

*Flavio Gomes
É jornalista, dublê de piloto e escritor. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. "Um multimídia de araque", diz ele".

sábado, 6 de junho de 2009

Presença às aulas de beneficiários do Bolsa Família chega a 99% em março



De cada cem alunos monitorados pelo Governo Federal, 99 cumpriram a exigência do Bolsa Família de freqüência mínima a 85% das aulas durante o mês de março. Os dados divulgados nesta sexta-feira (5), se referem ao acompanhamento, pelo sistema do Ministério da Educação, da presença na escola de crianças e adolescentes dos seis aos 15 anos. No bimestre de fevereiro/março, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que executa o programa, recebeu informações de 12,3 milhões de alunos de um total de 14,4 milhões, o  que representa 85,5% dos alunos nessa faixa etária.

 

O monitoramento dos adolescentes de 16 e 17 anos chegou a 77,7% do total de 1,8 milhão de jovens atendidos pelo programa. O descumprimento desse publico ficou abaixo de 3% em março. As famílias desses alunos vão receber uma advertência devido ao descumprimento da condicionalidade de educação pela primeira vez.  Em caso de reincidências consecutivas, o benefício será bloqueado, suspenso ou cancelado. É importante que a gestão municipal busque verificar os motivos que levaram crianças e adolescentes a apresentarem freqüência abaixo de percentual exigido.

 

Os altos índices de acompanhamento no primeiro período de 2009, levando em consideração as novas gestões municipais, representam um esforço dos Ministérios do Desenvolvimento Social e da Educação, dos Municípios e dos governos estaduais na atenção com os beneficiários do Bolsa Família. As condicionalidades do programa têm por finalidade estimular o acesso da população atendida aos serviços de educação e saúde e, com isso, melhorar as condições de vida da futura geração. 

 

Além da transferência de renda, o Bolsa Família, ao exigir as contrapartidas, se transforma em um eixo articulador de outras políticas de inclusão social. São transferidos mais de R$ 984 milhões, por mês, a famílias com renda mensal per capita de até R$ 137,00.  O sistema para registro das informações referentes a abril e maio foi aberto em 1º de junho. Os técnicos municipais de educação têm até 30 de junho encaminhar os dados sobre a freqüência dos alunos beneficiários no bimestre.  

Fonte: Correio da Paraiba.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Centenário de Patativa do Assaré ganha homenagem do Senado

Fagner cobrou que a ABL reconheça o talento popular


"Só quem não sabe quem é Patativa do Assaré é a Academia Brasileira de Letras (ABL)". Depois de cantar Festa da natureza e Vaca Estrela e Boi Fubá da tribuna do Plenário, o cantor e compositor Raimundo Fagner homenageou Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, cobrando da ABL que lembre do poeta popular cearense, cujo centenário de nascimento foi celebrado nesta quarta-feira (3) pelo Senado Federal. Antes de Fagner, a também cearense Myrlla Muniz cantou Casinha de palha. Os dois foram acompanhados por Marcos Faria, na sanfona, e Ocelo Mendonça, no violoncelo e na flauta.
Fagner cobrou que a ABL reconheça o talento popular Diversas autoridades cearenses compareceram ao Senado para reverenciar Patativa do Assaré, como o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Cesar Asfor Rocha; o presidente do Tribunal de Contas da União, Ubiratan Aguiar e o prefeito de Assaré, Evanderto Almeida. Também estiveram presentes o diretor do documentário Patativa do Assaré - Ave Poesia, Rosemberg Cariry, e o filho de Patativa, Geraldo Gonçalves, que declamou o poema A dor gravada. “Essa homenagem é uma honra para a nossa família e para todo o povo cearense. Dá até a impressão de que Patativa não morreu. Ele apenas mudou-se, mas continua vivo no coração de cada um”, agradeceu Geraldo Gonçalves. O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) lançou, durante a sessão, o livro Patativa do Assaré - Poeta Universal, que reune artigos sobre Patativa, entrevistas com seus filhos e traz uma antologia com alguns dos seus poemas. A série de eventos em homenagem ao poeta cearense integrou a programação do Senado Cultural, que ainda realizará este mês uma exposição em parceria com o Comitê Olímpico Brasileiro sobre os jogos olímpicos de Pequim/2008.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Obama teria sugerido nome de Lula para presidir Banco Mundial



O presidente norte-americano Barack Obama está interessado em que o Banco Mundial, depois da crise financeira atual, tenha uma estrutura mais focada às políticas sociais e mais preocupada com os países mais pobres do planeta. Para isso, Obama teria proposto para a presidência da instituição o nome do presidente brasileiro, o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, a quem define como "o político mais popular do mundo".
DO vermelho A notícia chegou à imprensa no número que acaba de chegar às bancas da revista "Exame", do grupo Abril. Assinada pelo colunista semanal, Marcelo Onaga, a informação não foi confirmada nem desmentida pelo governo, nem pelos setores da diplomacia. Questionado por "El País", o chefe do gabinete de imprensa de Lula, o diplomata Marclo Baumbach, respondeu: "Para a Presidência da República o assunto deve ser tratado como rumor, sobre o qual não cabe fazer comentários". Em sua coluna, Onaga escreve: "Representantes do presidente americano teriam consultado informalmente pessoas próximas a Lula para saber qual seria a reação do presidente brasileiro ao convite [para presidir o Banco Mundial]. Ouviram que, no mínimo, Lula se sentiria honrado". Consultado por telefone, o jornalista de "Exame", confirmou que sua fonte foi o Departamento de Estado norte-americano, ainda que a notícia não seja ainda oficial. A pessoa próxima a Lula consultada pelos assessores de Obama seria alguém de total confiança do presidente, segundo Onaga, que pediu a este jornal para não ter o nome da fonte publicada. Lula é conhecido como um político latino-americano que soube conciliar - como ressaltou ontem (1º) em seu discurso de posse como presidente de El Salvador, Maurício Funes - "uma política econômica severa com políticas sociais de grande alcance". Entre outros mandatários presentes no ato, estavam Lula e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Ela se mostrou de acordo com as palavras de Funes. O novo presidente salvadorenho afirmou em seu discurso que ele se inspirou na política de dois presidentes atuais: Obama e Lula. Se confirmado a presidência de Lula no Banco Mundial, seria a primeira vez em 65 anos que à frente da instituição estaria um não norte-americano. O mandato do atual presidente, Robert Zoellick, termina em 2011 e Lula deverá deixar o seu cargo exatamente em janeiro de 2011. Lula, que não fala inglês, seria uma figura simbólica no Banco Mundial, que representaria uma alma nova na instituição, uma alma de aspecto social, e faria com que Obama oferecesse ao mundo uma espécie de redenção de uma instituição acusada tantas vezes de fazer uma política voltada aos mais ricos do planeta. O presidente brasileiro tem criticado várias vezes ao longo da crise econômica a política elitista do Banco Mundial. Fonte: El Pais Tradução: Edilson Saçashima

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Na crise, Lula cresceu e oposição encolheu


Do Blog Brasil! Brasil!

 
“O professor e jornalista Bernardo Kucinski analisa as medidas do governo brasileiro e seus impactos na política e na economia para a edição de junho da Revista do Brasil, que chega às bancas na próxima semana

Bernardo Kucinski, Revista do Brasil

A crise internacional pegou a economia brasileira em um de seus melhores momentos. O governo brasileiro reagiu rápido e pela primeira vez atacou a voracidade dos juros. Para recuperar o crescimento que estava em ritmo de “milagre”, desta vez com democracia e distribuição de renda, o país enfrenta uma encruzilhada: ou radicaliza na ampliação do mercado interno e no combate aos juros extorsivos, ou regride.

Os primeiros efeitos da crise entre nós foram a disparada do dólar e o sumiço súbito do crédito. O governo agiu, corretamente, para estancar a disparada da moeda americana. Para segurar o dólar, o Banco Central sacou das reservas internacionais e entrou vendendo a moeda americana. Para desarmar qualquer risco de uma corrida aos pequenos bancos, anunciou a ampliação da garantia de depósitos e aplicações para até R$ 20 milhões para instituições menores em dificuldades de liquidez. No mercado interno, tomou medidas que foram do estímulo ao crédito à redução de impostos.

Enquanto a maioria dos jornalistas “especializados” alimentava o pânico com uma visão pessimista do futuro, as medidas de reação e as análises mais sóbrias sobre elas aconteciam sem alarde. O filósofo Marcos Nobre escreveu que Lula “rompeu pela primeira vez o terrorismo econômico que se instalou desde a globalização econômica da era FHC”. E lembrou das políticas de valorização do salário mínimo e sua extensão dos benefícios da previdência. A proteção da renda dos mais pobres foi a plataforma de recuperação. Tudo o que os tucanos, demos e seus seguidores na imprensa criticavam, é o que detém os efeitos da crise.

Após a queda de 3,6% no PIB do último trimestre de 2008, Lula radicalizou. Fez da crise uma oportunidade para deflagrar mudanças estruturais há muito desejadas pelos setores mais esclarecidos da sociedade. Os bancos privados continuavam a não emprestar? Que entrem em cena os grandes bancos estatais. Mais uma vez se mostrou a importância de terem sido estancadas as privatizações promovidas pelo tucanato no setor bancário. BB, Banco do Nordeste, Caixa e BNDES ativaram o crédito que os privados negavam.
O BNDES já tinha atingido o limite de empréstimos em relação ao seu capital? Aumente-se o capital do BNDES. O presidente do BB não entendeu a situação? Troque-se o presidente do BB.
Mais importante foi o ultimato ao BC de Henrique Meirelles, que havia cometido o desatino de elevar ainda mais os juros em plena crise, de 13% para 13,75%. A partir de janeiro, foram cortados 3,5 pontos e a Selic chegou a 10,25%.

Outra frente em que Lula radicalizou foi na busca da unidade dos governos sul-americanos. Principalmente para desarmar as tentativas de guerra comercial que sempre acontecem em momentos de desespero econômico.

Enquanto isso, os governadores pouco fizeram para evitar a recessão. Poderiam reduzir o ICMS, principal imposto estadual – e mais pesado. Apenas Roberto Requião, no Paraná, reduziu o ICMS em 95 mil itens de consumo popular. Nos demais, houve algumas outras reduções isoladas, mas não para combater a recessão e sim como parte de uma eterna guerra fiscal.

José Serra, de São Paulo, onde está 35% da indústria do país, prometeu cortar impostos em materiais usados na produção para exportação, mas ficou só na retórica. E partiu para a implantação agressiva de pedágios novos nas rodovias estaduais. Na Rodovia Marechal Rondon, um trecho entre Bauru e Campinas – importante eixo de transporte de alimentos –, que antes custava R$ 7,40, agora está R$ 18,80.

A lógica: mais impostos para construir mais pontes, viadutos e estradas, não porque criam emprego, mas por que têm visibilidade, rendem votos do interior e mais apoio das empreiteiras nas finanças eleitorais. De olho em 2010, acreditam que podem tirar proveito eleitoral se a recessão derrubar a popularidade do presidente.
O plano de construção de um milhão de moradias populares fortemente subsidiadas é mais uma cartada dessa radicalização. Por isso mesmo, governadores e prefeitos demos e tucanos relutam em aderir. Lula cresceu com a crise. A oposição encolheu. O país enfrenta uma encruzilhada, ou radicaliza ou regride.”