domingo, 5 de julho de 2009

A direita Carolina


Do Site do amigo Rômulo Gondim



Como na famosa letra de Chico Buarque, a direita golpista não se deu conta de que "o tempo passou na janela e só ela não viu." Para desespero da direita Carolina e seus apoiadores habituais que acompanharam com alguma esperança a quartelada em Tegucigalpa.
Gilson Caroni Filho Classificar Manuel Zelaya como o novo cesarista latino-americano é incorrer em erro conceitual grosseiro. Buscar na influência da política externa venezuelana elementos que permitam compreender os acontecimentos em Honduras revela apenas a precariedade da análise, a falácia de uma metodologia preguiçosa e a má fé política de quem se aventura por esse caminho. Se há algo a ser correlacionado entre os dois países é um passado de institucionalização precária, de redistribuição regressiva da riqueza produzida e empobrecimento crescente das classes trabalhadoras. Se, encarnando aquilo que Gramsci definiu como cesarismo progressivo, Hugo Chávez golpeou fortemente as agremiações tradicionais (Ação Democrática e Copei) e as oligarquias que se refestelaram de petrodólares, sem reinvestir no país um centavo sequer, Melaya foi derrubado, numa quartelada, no dia em que realizaria uma consulta popular, convocando a população a se manifestar sobre uma reforma constitucional. Seria a ampliação do espaço público ameaça tão intensa que justifica a brutalidade da reação? O que une a oposição de direita em Tegucigalpa e Caracas não é o apreço pela legalidade, mas a veneração reacionária por um passado que não lhes poupou privilégios em detrimento de uma maioria excluída de qualquer direito. Enquanto a elite venezuelana, desde a nacionalização do petróleo nos anos 1970, fez do recurso básico a fonte de uma economia do desperdício, incrementando as importações para consumo de bens luxuosos, a hondurenha soube aproveitar ao máximo o fato de o país, por duas décadas, ter, como destaca Flávio Aguiar em seu artigo (Honduras: a lógica do golpe), se transformado em um centro irradiador de ações militares anti-esquerdistas no próprio país e nos vizinhos, como em El Salvador e na Nicarágua. O que se passava no país centro-americano era o embrião de uma política de transferência de renda para os mais pobres, que desagradou às elites conservadoras bem como as oligarquias partidárias, sedentas por continuar a usufruir o bem público como direito hereditário. O fato de Melaya ter confrontado o Congresso, o STF e o Ministério Público serve como justificativa para a ação militar? Há como endossar tese do presidente interino, o golpista Roberto Michelleti, de que se tratou de uma ação preventiva, um contragolpe? O isolamento internacional responde a essas questões. Como na famosa letra de Chico Buarque, a direita golpista não se deu conta de que "o tempo passou na janela e só ela não viu." A resolução unânime de repúdio ao golpe de Estado na Assembléia Geral da ONU, o ultimato da OEA e a condenação categórica da União Européia e dos Estados Unidos demonstram que há uma nova configuração geopolítica mundial sendo desenhada. Para desespero da direita Carolina e seus apoiadores habituais que acompanharam com alguma esperança a quartelada em Tegucigalpa. Já estamos distantes da época em que Robert Mcnamara, então Secretário de Defesa dos EUA elogiava ditadores latino-americanos dizendo que “eles são os nossos líderes. Não é necessário estender-me sobre a importância de ter em posições de liderança, homens que conhecem previamente como nós, americanos, pensamos e fazemos as coisas”. A política, como instrumento de reinvenção, operou uma acentuada mudança de cálculo. Dessa vez, o golpismo não percebeu que “lá fora, uma rosa nasceu, todo mundo sambou e uma estrela caiu”. Feliz conjunção da poética e da práxis que não aceita retrocessos. Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

4 comentários:

Yvy disse...

Ola Hélio!
América Latina não abadona os velhos vícios.

Abrs.

Rômulo Gondim disse...

Valeu pelo alusão ao nosso site, prezado Hélio. Continuo assíduo leitor do seu blog. Abraço forte.

eEUcomISSO [O Presbitero] disse...

fala grande hélio!
aq é o eEUcomISSO!

rapaz, tem coisas q apenas o tmpo
consegue mudar, e q pelo jeito ainda vai demorar muiiito!

herança norte-americana....

http://treeegggs.spaces.live.com/
blogdoiml.cjb.net

Fuiz!

᠌ Gabriel Nunes disse...

Então quer dizer que cumprir a constituição hondurenha à risca é chutar a democracia? Se você algum dia quiser se tornar um jornalista de verdade, aprenda a ler documentos oriundos de fontes primárias antes de emitir qualquer opinião sobre qualquer assunto. Mas se a sua ideologia estiver acima da verdade, não adiantará absolutamente nada. Leia você mesmo a constituição hondurenha e deixe de ser palpiteiro e mentiroso.