terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

E tem gente que se acha.....

E tem gente que se acha… (Texto de Mario Sergio Cortella).
Do Site do meu amigo Rômulo.
Física Quântica: indicada para casos crônicos de falta de humildade.
"Quando se pensa e se faz o trabalho como obra poética em vez de sofrimento costumaz, sempre vem à mente a questão do “trabalho digno”, isto é, aqueles ou aquelas que se consideram superiores como seres humanos apenas porque têm um emprego socialmente mais valorizado. Aliás, é sempre nesses casos que entra em cena o famoso “sabe com quem você está falando?” Um dia procurei representar uma possível resposta científica a essa arrogante pergunta, e, de forma sintética, registrei essa representação em um livro meu chamado A escola e o conhecimento (Cortez); agora, de forma mais extensa e coloquial, aqui vai este relato, partindo do nosso lugar maior, o universo, até chegar a nós. Hoje, em física quântica, não se fala mais um universo, mas em multiverso. A suposição de que exista um único universo não tem mais lugar na Física. A ciência fala em multiverso e que estamos em um dos universos possíveis. Este tem provavelmente o formato cilíndrico, em função da curvatura do espaço, portanto, ele é finito e tem porta de saída, que são os buracos negros, por onde ele vai minando e se esvaziando. Até 2002, era quase certo que o nosso universo fosse cilíndrico, hoje já há alguma suspeita de que talvez não. Mas a teoria ainda não foi derrubada em sua totalidade. Supõe-se que este universo possível em que estamos apareceu há 15 bilhões de anos. Alguns falam em 13 bilhões, outros em 18, mas a hipótese menos implausível no momento é que estamos num universo que apareceu há 15 bilhões de anos, resultante de uma grande explosão, que o cientista inglês Fred Hoyle apelidou de gozação de big-bang, e esse nome pegou. Qual é a lógica? Há 15 bilhões de anos, é como se se pegasse uma mola e fosse apertando, apertando, apertando até o limite, e se amarrasse com uma cordinha. Imagine o que tem ali de matéria concentrada e energia retida! Supostamente, nesse período, todo o universo estava num único ponto adensado, como uma mola apertada e, então, alguém, alguma força – Deus, não sei, aqui a discussão é de outra natureza – cortou a cordinha. E aí, essa mola, o nosso universo está em expansão até hoje. E haverá um momento em que ele chegará ao máximo de elasticidade e irá encolher outra vez. A ciência já calculou que o encolhimento acontecerá em 12 bilhões de anos. Fique tranqüilo, até lá você já estará aposentado pelas novas regras. Você pode cogitar algo que a Física tem como teoria: ele vai encolher e se expandir outra vez. Talvez haja uma lei do universo em que o movimento da vida é expansão e encolhimento. Como é o nosso pulmão, como bate o nosso coração, com sístole e diástole. Como é o movimento do nosso sexo, que expande e encolhe, seja o masculino, seja o feminino. Parece que existe uma lógica nisso, que os orientais, especialmente os chineses e indianos, capturaram em suas religiões, aquela coisa do inspirar e expirar. Parece haver uma lógica nisso, a ciência tem isso como hipótese. Assim, há 15 bilhões de anos, houve uma grande explosão atômica, que gerou uma aceleração inacreditável de matéria e liberação de energia. Essa matéria se agregou formando o que nós, humanos, chamamos de estrelas e elas se juntaram, formando o que chamamos de galáxias (do grego galaktos, leite). A ciência calcula que existam em nosso universo aproximadamente 200 bilhões de galáxias. Uma delas é a nossa, a Via Láctea, que é “leite”, em latim. Aliás, nem é uma galáxia tão grande; calcula-se que ela tenha cerca de 100 bilhões de estrelas. Portanto, estamos em uma galáxia, que é uma entre 200 bilhões de galáxias, num dos universos possíveis e que vai desaparecer. Nessa nossa galáxia, repleta de estrelas, uma delas é o que agora chamam de estrela-anã, o Sol. Em volta dessa estrelinha giram algumas massas planetárias sem luz própria, nove ao todo, talvez oito (pela polêmica classificação em debate). A terceira delas, a partir do Sol, é a Terra. O que é a Terra? A Terra é um planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer. Veja como nós somos importantes…. Aliás, veja como nós temos razão de nos termos considerado na história o centro do universo. Tem gente que é tão humilde que acha que Deus fez tudo isso só para nós existirmos aqui. Isso é que é um Deus que entende da relação custo-benefício. Tem indivíduo que acha coisa pior, que Deus fez tudo isso só para esta pessoa existir. Com o dinheiro que carrega, com a cor da pele que tem, com a escola que freqüentou, com o sotaque que usa, com a religião que pratica. Nesse lugarzinho tem uma coisa chamada vida. A ciência calcula que em nosso planeta haja mais de trinta milhões de espécies de vida, mas até agora só classificou por volta de três milhões de espécies. Uma delas é a nossa: homo sapiens. Que é uma entre três milhões de espécies já classificadas, que vive num planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer. Essa espécie tem, em 2007, aproximadamente 6,4 bilhões de indivíduos. Um deles é você. Você é um entre 6,4 bilhões de indivíduos, pertencente a uma única espécie, entre outras três milhões de espécies classificadas, que vive num planetinha, que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer. É por isso que todas as vezes na vida que alguém me pergunta: “Você sabe com quem está falando?”, eu respondo: “Você tem tempo?”

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ex-presidente do PT destaca seus avanços

D Diario do Nordeste - Ceará.
"José Genoíno destaca a importância dos ex-ministros José Dirceu e Palocci na eleição do presidente Lula "O PT rompeu com uma tradição da esquerda dos anos 30, 60 e 70 de ir para o isolamento e ser derrotado. Nem fomos para o isolamento e nem cooptados". A afirmação, em tom de reação, é do deputado federal José Genoíno, um dos ex-presidentes do Partido dos Trabalhadores no País. Para ele, a legenda é taxada de muitas formas por ter vida democrática intensa e estar construindo um projeto vitorioso e aprovado pelos brasileiros. Genoíno, que participou de todos os momentos da vida partidária, disse, em entrevista ao Diário do Nordeste que o PT, ao contrário de muitos partidos de esquerda no mundo, amadureceu e teve que rever algumas posições para conseguir pôr em prática o plano de chegar à Presidência da República e crescer nacionalmente, embora o partido hoje sofra ao ser taxado de pragmático. Aprendeu "O PT amadureceu, cresceu e teve a grande experiência de governar o Brasil. O PT não mudou de lado, ele aprendeu na rua, nas eleições, com vitórias e derrotas, que tem que ser o nascedouro de um programa democrático social para o País", disse Genoíno para rechaçar as críticas de que o PT teria mudado depois que chegou ao poder. "A vida vai mostrando que esse caminho do PT é processual, mas que tem um objetivo claro de mudar a vida do povo brasileiro", sustenta o parlamentar. O que ficou entendido no fim da década de 1990, que não havia antes, foi a necessidade de ter, na democracia, disse ele, de se fechar alianças para chegar ao poder e ter governabilidade. E essa crítica em cima do fechamento de alianças duvidosas que o partido fez para chegar ao poder, o que era alvo de crítica dos petistas outrora, também teve uma explicação por parte do líder: "quando o PT não fazia aliança, os críticos diziam que o PT não sabia como governar. Hoje é criticado por fazer alianças. Hoje entendemos que as alianças são necessárias para ganhar e governar. Precisamos ter maioria no Congresso e na sociedade. Aliança é uma parceria, ela tem um programa". Unanimidade O avanço que o PT alcançou, segundo Genoíno, está no diálogo com partidos, não só de esquerda, mas dos que estão posicionados "mais ao centro", como é caso do PMDB. "Quando José Alencar foi indicado como vice do Lula muita gente criticou. Hoje ele é uma unanimidade", exemplificou. Quando questionado sobre o caráter antagônico que tomou conta da sigla ao longo do tempo, em que o partido foi criticado pelo radicalismo antes e hoje é taxado pelo pragmatismo com o qual exerce o Governo, Genoíno argumentou que as tarefas da presidência da República obrigam o partido a negociar com diversos segmentos. "Quando você é Governo, tem responsabilidades concretas que precisam ser resolvidas. O salário mínimo, as aposentadorias, a política externa, de defesa e industrial. Nós dialogamos com o mercado, com o investimento privado, mas sem abrir mão do papel adutor do Estado. Não se trata de pragmatismo. Mas o PT não é partido só para marcar posição", complementou o parlamentar, que é membro do diretório nacional petista. Líderes O ex-presidente nacional do PT destaca também a importância de participação de grandes expoentes nacionais do partido no Governo do presidente Lula, mesmo nos momentos de maior dificuldade, como em 2005, no escândalo do mensalão. "Nós não cometemos crimes. Temos que realizar uma reforma profunda para que tenhamos mais governabilidade. Os militantes mais antigos como o José Dirceu, o Palocci, tiveram uma função histórica no partido: elegeram o Lula e deram governabilidade a ele". Acrescentou que no PT, sempre que há uma missão, todos dão tudo de si, "se jogam". "São escolhas que se faz em nome de um projeto maior. E todos continuam fazendo parte deste projeto de cabeça erguida", disse, quando instado a falar sobre a saída de alguns membros petista do Governo depois de alguns escândalos nacionais. "E o partido vai forte para 2010", disse.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O ÓDIO DA MÍDIA E A PRIMEIRA VITÓRIA DE LULA

Do Blog Democracia e Politica.
"O rancor da mídia corporativa tem que ser contemplado como pano de fundo de uma grande derrota. Suas ameaças só não são trágicas porque, ao arreganhar os dentes, a grande imprensa introduz notas burlescas no discurso que se pretendia ameaçador.
Gilson Caroni Filho
Se a deontologia do jornalismo não contempla a divulgação de matérias partidarizadas como se fossem notícias apuradas em nome do leitor/telespectador, o telejornalismo brasileiro, principalmente o da Rede Globo, anda precisando redefinir qual é a natureza do seu verdadeiro ofício. Que fato objetivo deflagra tanta empulhação em horário nobre? Que registro simbólico almeja sua busca de sentidos? Qual a necessidade de construção permanente de imagens desfavoráveis ao governo e, em especial, ao presidente da República? Enganam-se os que pensam que as respostas a essas questões residem apenas nas próximas eleições. Lula, por seu significado histórico, representa uma fratura bem mais profunda do que pode parecer à primeira vista. Ao obter mais de 30 milhões de votos em 1989, o ex-líder sindical apareceu como condensação das forças sociais que se voltavam para a demolição tardia do antigo regime. Contrariando prognósticos de conceituados analistas, sua candidatura teve gás suficiente para enfrentar as máquinas partidárias de velhos caciques. Mesmo derrotado por Collor, que representava a reprodução do passado no presente, o desempenho de Lula prenunciou, de forma categórica, o fim de uma “democracia” que só era possível mediante pacto de compromisso entre as velhas elites políticas, civis e militares. Essa foi sua primeira vitória. E a Globo disso se deu conta. O embrião de um novo espaço histórico, capaz de conferir peso e voz aos de baixo na sociedade civil, na cultura e no arcabouço estatal, estava lançado. Com uma indiscutível capacidade de antecipação histórica, a família Marinho, que construiu seu colosso midiático como um Estado dentro do Estado- e muitas vezes acima dele- pressentiu o ocaso dos dias gloriosos. Como principal aparelho de legitimação da ditadura militar, as Organizações sempre vislumbraram a democracia como processo fatal à sua supremacia. E essa era uma avaliação correta. Deter o movimento profundo que vinha das urnas seria impossível. A centralidade de Lula e do Partido dos Trabalhadores no cenário político era o avanço do cidadão negado, desde sempre, em sua cidadania. A construção da nova história objetivaria também o significado das eleições seguintes. Até a vitória em 2002, o acúmulo de forças trouxe à cena as esperanças políticas das classes excluídas. O rosto sofrido, que se contrapunha tanto à estética das modernizações conservadoras quanto à ética do neoliberalismo rentista, já não temia as bravatas e espertezas do adversário. O rancor da mídia corporativa tem que ser contemplado como pano de fundo de uma grande derrota. Suas ameaças só não são trágicas porque, ao arreganhar os dentes, a grande imprensa introduz notas burlescas no discurso que se pretendia ameaçador. O diagnóstico que denuncia o fim da festa sai, ainda que codificado, dos débeis sustentáculos da credibilidade que lhe sobrou junto a setores protofascistas da classe média. Ao criminalizar movimentos sociais, criticar a política externa tentando estabelecer paralelos entre Caracas e Tegucigalpa, e censurar premiações internacionais recebidas pelo presidente, o jornalismo produzido vai desenovelando a história da imprensa brasileira com impecável técnica televisiva. Resta-lhe o apoio de uma direita sem projeto, voraz, cínica e debochada. Esse é o único troféu que ostenta em 2010, após ter sofrido o baque inaugural há 21 anos. Na década de 1980, ainda valia editar debates e fazer uso político de seqüestro de empresários. Afinal, não seria por apoio governamental que conferências debateriam monopólio e manipulação midiática. Em outubro, a Globo não estará apostando apenas na candidatura de José Serra. Buscará, mediante retrocessos de toda ordem, garantir a sobrevida de uma ordem informativa excludente, incompatível com as regras mais elementares do Estado Democrático de Direito."
FONTE: escrito por Gilson Caroni Filho, professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil. Publicado hoje (01/02) no site "Carta Maior".