segunda-feira, 29 de março de 2010

Lições para a campanha da Dilma

A manipulação da última pesquisa do Databranda, publicada na FSP (Forca Serra Presidente), confirmando que A FOLHA MENTE, não deixa de colocar problemas para a campanha da Dilma. A "sem gracice" com que repercute a “pesquisa” no próprio jornal da família Frias revela que sentiram que foram pegos na tramóia, por tão óbvia, e que fazem parte do comando da campanha do governador de São Paulo, como Diário Tucano que são.
Do Blog do Emir Sader.

Mas não deixam de colocar para a campanha da Dilma problemas que apenas começam a aflorar em toda a sua dimensão. Em princípio, um governo cuja popularidade continua a bater recordes numa pesquisa após a outra – isso nem a Databranda consegue esconder -, numa situação econômica muito favorável – em que nem parece que até um ano atrás enfrentávamos os efeitos da pior crise do capitalismo desde a de 1929 -, tem condições muito favoráveis para eleger seu sucessor.
Ainda mais que a oposição tem dificuldades para definir seu perfil. Nem Serra se sente à vontade no figurino que a oposição gostaria de ter em um candidato, nem a oposição adora o Serra – preferiria muito mais um Alckmin. Mas diante do risco do PT renovar seu ciclo de governo, com mais 4 ou 8 anos, tem que se resignar a se unir em torno daquele que tem mehor colocação nas pesquisas, deixando para um hipotético depois a disputa ferrenha pelos cargos e orientações de um eventual novo governo dos tucanalhados-demoníacos.
Mas a campanha de Dilma corre riscos reais. Depois de se recuperar de uma grave crise como a de 2005, e do extraordinário apoio que o governo Lula conquistou em todas as regiões do pais e em todas as camadas da população, as condições de derrota de uma candidatura para a sua sucessão tem que contar com erros graves na condução dessa campanha. É certo que o poder econômico e o monopólio brutal da mídia contam fortemente como os dois pontos centrais de apoio da candidatura de oposição, contra os quais a candidatura da Dilma tem que lutar. Mas a campanha de 2006 demonstra que se pode ganhar.
Neste episódio ficou claro que as pesquisas são um forte instrumento nas mãos da oposição, que demonstra disposição de se valer da capacidade de manipulação e de iniciativa que elas permitem com todo seu peso. Contando com o Databranda e o Ibope e a difusão e repercussão que suas divulgações têm no conjunto da mídia monopolista, podem conseguir efeitos que não devem ser subestimados.
Diante dessas duas empresas, claramente alinhadas com o candidato opositor, o efeito das pesquisas da Vox Populi e da Sensus tem se demonstrado menor. A Vox Populi não divulga há tempos pesquisas nacionais, apenas ótimas análises de Marcos Coimbra sobre aspectos da campanha, e a Sensus faz a cada dois meses pesquisa para uma entidade empresarial, longe da dinâmica que podem impor as duas outras empresas.
Ter ficado esperando que a FSP (Forca Serra Presidente) desse de presente a esperada superação de Serra por Dilma nas vésperas do lançamento da candidatura deste, foi uma grande ingenuidade. Perdeu-se capacidade de iniciativa e sem dúvida se sofreu um golpe psicológico, com efeitos políticos. Um gol ilegal, validado pelo juiz, vale e altera o marcador.
Pode ter sido resultado de um certo salto alto, conforme a subida da Dilma aparece como irreversível, apontando até párea a possibilidade de uma vitória no primeiro turno. Sabe-se da falta de limites para o que a oposição e, em particular, sua imprensa, podem fazer. Mas de repente parece que nos esquecemos disso e ficamos relativamente inertes diante das suas manobras.
Há outros obstáculos para a campanha da Dilma. Um deles é a de que, apesar dela ter menor rejeição que o Serra, há resistências maiores entre as mulheres, aparentemente como resultado do preconceito feminino de confiar em uma mulher para governar, acostumadas tradicionalmente a delegar nos homens as responsabilidades políticas.
Outro problema é a já tradicional resistência dos estados de São Paulo para o sul, com um preconceito “anti-petista”, que tem que ser compreendido nos seus mecanismos, para poder ser combatido com eficiência.
No resto, são os problemas que podem advir em setores mais atrasados das tentativas de desqualificação da trajetória militante da Dilma. E, claro, as manobras de invenção que devem surgir durante a campanha.
No seu conjunto, uma condução vitoriosa da campanha tem que contar com profissionalismo, rapidez, criatividade e capacidade de envolvimento da maior quantidade possível de militância.
A vitória é possível, talvez provável, mas não comecará a se configurar até que as pesquisas apontem a ascensão da Dilma ao primeiro lugar.

domingo, 28 de março de 2010

A leitura do Datafolha, pela Folha, e a leitura da Folha

Jurando que não falo mais de pesquisa hoje, acho interessante destacar alguns trechos da análise que a Folha de S. Paulo faz hoje do cruzamento entre a popularidade (recorde) de Lula e as intenções de voto em José Serra e Dilma Roussef, sob o título “Serra e Dilma empatam na base lulista”, que ainda está restrita a assinantes.

Por Brizola Neto
Do Blog Tijolaço.com
A meu ver, a informação mais importante para começar a análise está no último parágrafo:
“Um fato a contribuir para Dilma estar agora estacionada na pesquisa é que só 58% dos eleitores sabem que ela é a candidata de Lula; 5% acham que o atual presidente apoia Serra. Esses percentuais pouco se alteraram de dezembro para cá”.
Como assim, “um fato a contribuir”? Jesus Cristo, será que não enxergam o óbvio, que Dilma é candidata porque é candidata do Lula? Sem nenhum demérito para ela – ao contrário, é um elogio, porque mostra que sua escolha se deu pelo valor pessoal e ideológico, não por razões eleitoralistas – qualquer pessoa sabe que Dilma Roussef, por si só, não seria uma candidata a presidente…
Bom, partido do princípio – que está no final da matéria… – dá para entender os percentuais mencionados no cruzamento entre avaliação do Governo e intenção de voto.
Entre os que aprovam o Governo Lula (76% da população dão-lhe classificação ótimo ou bom), Dilma tem um terço das intenções de voto, um por cento a mais que Serra, que tem 32%. Algém pode achar que isso se sustenta? Algum analista sério acha que – não tendo Dilma uma imensa rejeição pessoal, como o próprio Datafolha registra – pode acreditar que à medida em que a campanha comece e nós não estejamos mais sujeitos a esta coisa ridícula de que o presidente não possa dizer quem é sua candidata em público, os números poderiam permanecer estes?
Claro que, quando falo deste ridículo não estou defendendo o uso da máquina, mas o direito – e até o dever – de o Presidente da República poder expressar suas posições e opções político-eleitorais. Ou alguém acha “democrático” que quase 60% da população não saiba quem é a candidata de Lula? Democracia é isso, manter o povão desinformado até começar o mês e meio do “reino da fantasia” dos programas eleitorais?>br> Desinformação não é exatamente isso, o não-saber?
Desculpem a forma dura de falar, mas as elites sabem bem direitinho quem é quem. Esta “pasteurização” da política, este moralismo troncho de quem sempre usou o poder de Estado, da mídia e do dinheiro para ganhar eleição é coisa da direita. Eles adoram
Eles se apresentam como os “campeões da liberdade de informação”, desde que a informação seja a deles, claro.
E o que diz mais a Folha? Diz que entre os que consideram o governo “regular”, que são 20% da população, e entre os 4% que o acham “ruim ou péssimo”, Serra tem 51 e 48%, reespectivamente.
Portanto, reparem, Serra só tem a metade dos que se sentem oposição a Lula. E não tem desconhecimento de que ele seja de oposição, não, tanto que jogaram o ex-presidente Fernando Henrique para escanteio justamente por essa “inconveniente” mania dele que querer mostrar que é oposição ao atual presidente.
O tucanato tem um jogo claro: manter a população desinformada. Não quer que o povão saiba quem é situação e quem é oposição.
Para a nossa sorte, isto é impossível. O país não é mais um lugar onde só os jornais e a Globo falam e as pesquisas eleitorais são anunciadas quase que como boletins oficiais da Justiça Eleitoral.
Os caciques eleitorais do PT que andam pelos jornais dizendo que este Datafolha “foi bom para acabar com o clima de já ganhou” estão, me perdoem a franqueza, dando uma daqueles jogadores de futebol que ficam dizendo que “o adversário tem uma grande equipe, vamos respeitar o time deles e lutar por um bom resultado”.
Já imaginaram se as torcidas agissem assim?
Para a esquerda meus amigos, eleição se ganha com paixão. A frieza só interessa ao conservadorismo. Ou vocês não repararam como Serra em geral é lacônico, comportado, “certinho”… Mas a vaidade de alguns da esquerda em aparecer como “intelectuais” que analisam friamente e produzem declarações mais frias ainda, os leva a fazer, assim, o jogo da direita.
Duvido que Lula, traquejado como é, entre nesse jogo. Faz meses que eu falei aqui: o “paz e amor já era”. Esta, ainda bem, não vai ser uma eleição de marqueteiros.

sábado, 27 de março de 2010

Uma operação midiática de grande escala contra o governo Lula

Desde o Brasil se denuncia que a partir da primeira quinzena de março foi lançada uma operação midiática em larga escala que aciona todos os instrumentos ao alcance da direita política e do poder econômico contrários ao presidente Lula e ao seu governo, contra a candidata presidencial Dilma Rousseff e contra o Partido dos Trabalhadores.
Por Niko Schvarz *
O começo dessa campanha reconcentrada já é visível nos grandes meios de comunicação quando o país se encaminha às eleições presidenciais a ser realizadas em outubro do ano em curso. Nas redações, o bombardeio midiático é conhecido pelo nome de "Tempestade no Cerrado", que, de algum modo, evoca, devido à sua localização geográfica, ao Palácio do Planalto, sede do governo. A expressão recorda a "Tempestade no deserto" da primeira invasão ao Iraque, em fevereiro de 1991, dirigida pelo general Norman Schwarzkopf, que produziu 70 mil vítimas.
A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, de O Estado de São Paulo e da Folha de São Paulo é de disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas contra esse triplo objetivo (que, na realidade, é um só), para provocar uma onda de fogo tão intensa que torne impossível ao governo e ao PT responder pontualmente às denúncias e provocações.
A cartilha é a seguinte:
1) Manter permanentemente uma denúncia, qualquer que seja, contra o governo Lula nos portais informativos na Internet;
2) Produzir manchetes impactantes nas versões impressas e utilizar fotos que ridicularizem ao presidente e à candidata;
3) Ressuscitar o caso do mensalão de 2005 e explorá-lo ao máximo e, ao mesmo tempo, associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã; 4) Elevar o tom dos editoriais;
5) provocar ao governo de modo que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de censura;
6) Selecionar dados supostamente negativos da economia e apresentá-los isolados de seu contexto;
7) Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com os promotores cooptados;
8) utilizar ao máximo o poder de fogo dos redatores.

Uma estratégia midiática tucana foi traçada por Drew Westen, um cidadão estadunidense que se apresenta como neurocientista e presta serviços de cunho eleitoral, sendo autor de The Political Brain (O cérebro político) que, segundo dizem, é o livro de cabeceira de José Serra, governador de São Paulo e próximo candidato presidencial do PSDB. A adaptação do projeto corre por conta de Alberto Carlos Almeida, autor dos livros "Por que Lula" e "A cabeça do brasileiro", que atua como politólogo e foi contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.
A denúncia é recheada de exemplos concretos, reveladores de que essa tática já está sendo aplicada nos diários e, rapidamente, chega à Internet. Se referem às falsificações numéricas (em vários casos, de enormes dimensões) para ocultar ou inverter os bons resultados da política econômica e social do governo em matéria de infraestrutura em todo o país, na construção de habitações e no combate da inflação.
Uma campanha especial toma como eixo a Dilma Rousseff e seu "passado terrorista", dizendo que, além de assaltar bancos, tinha prazer em torturar e matar bons pais de família. Também colocam em cena a um filho de Lula. Isto é: a clássica campanha de tergiversações e calúnias; porém, nesse caso, agigantada em suas proporções e na somatória de meios postos à disposição que, sem dúvida, se irão incrementando e subindo o tom à medida que nos aproximemos a outubro.
O leitor poderá apreciar também até que ponto campanhas similares a esta em sua essência vêm sendo realizadas agora mesmo contra governos de esquerda do continente, como acontece com Cuba, Venezuela ou Bolívia, entre outros.
No caso do Brasil, a operação tende a impactar a ascensão da campanha eleitoral por Dilma Rousseff, que reduziu consideravelmente a vantagem inicial de Serra e continua subindo enquanto este desde até situar-se em virtual situação de empate técnico. Também correm a seu favor a notável projeção internacional da política do presidente Lula, expressada estes dias em seu compromisso direto e no terreno para a solução do problema palestino-israelense; bem como seus êxitos internamente. O orçamento da educação foi triplicado em 8 anos, passando de 17,4 bilhões de reais, em 2003, para 51 bilhões, destinando-se grande parte do aumento do PIB para a educação básica; e fevereiro registrou um recorde de 209.425 novos empregos formais, cifra que chega a 390.844 no primeiro bimestre do ano de 2010.

* Jornalista uruguaio que escreve regularmente no matutino La República, o texto foi publicado e traduzido por Adital

sexta-feira, 26 de março de 2010

Para não dizer que não falei no Caso Nardoni

Pura encenação, já que todo mundo sabe que o casal será condenado, porque se entende que ele é culpado, desde os primeiros momentos em que o crime fora descoberto. Sem conseguir provar a inocência, o casal Nardoni viu a população levada pela mídia decretar o resultado do julgamento há 2 anos. O que se espera agora, é só saber quantos anos o casal pegará de cadeia, ou se haverá uma confissão de culpa. Falta pouco, e provavelmente nas primeiras horas da noite, a população respirará aliviada, com o sentimento do dever cumprido, com o anúncio da pena máxima pelo juri. Só devemos ter o devido cuidado, para que em algum momento das nossas vidas, não seja um de nós que esteja na mesma situação do casal Nardoni.Quem irá nos defender?

quinta-feira, 25 de março de 2010

Eleição no IFPB

CANDIDATURA DA PROFESSSORA VANIA MEDEIROS Á REITORIA DO IFPB MOVIMENTA O PROCESSO SUCESSÓRIO EXTRA-OFICIAL NA INSTITUIÇÃO
Professora Vania: É fazendo que se aprende.

A professora Vania Medeiros, 45, ficou motivada pela repercussão do lançamento da sua candidatura à Reitoria do IFPB. Em entrevista, ela faz uma auto-avaliação das suas potencialidades para administrar o Instituto e explica qual será a sua contribuição para a consolidação das políticas educacionais, administrativas, técnicas e científicas no âmbito do ensino profissional e tecnológico na Paraíba. A candidata se reúne, hoje, em João Pessoa, com o grupo de apoio, para traçar as metas da campanha e elaborar uma agenda inicial de compromissos políticos institucionais.

Entrevista

P. Qual a grande motivação da sua candidatura à reitoria do IFPB?

R. Educação é mudança. Eu mudei e evolui na concepção do que é o meu papel no processo de Ifetização. Entendendo que nossa instituição necessita de novas lideranças que se constituam de educadores disponíveis e comprometidos com ela, e com as demandas sociais emergentes. Portanto, desejei contribuir com o meu potencial de trabalho e com minha experiência humana e profissional. A minha principal motivação é a co-responsabilidade.

P. Você se acha capaz de cumprir com as responsabilidades da função?
R. Claro! Primeiro porque foi o próprio MEC que estabeleceu os critérios e eu os atendo. Depois porque compreendo que não estarei sozinha. O IFPB é privilegiado com seu corpo técnico, que vem trabalhando com seriedade em todos os setores, viabilizando os processos pedagógicos, administrativos, e culturais. Estarei assumindo o papel de articuladora e de facilitadora provocando reflexões sobre a viabilidade de inter-relações entre esses diversos setores e, de forma responsável, estimulando o diálogo e o fortalecimento dos conselhos políticos e consultivos que estarão orientando as tomadas de decisões. Por outro lado, a minha vasta experiência com educação, desde a década de 70, nos mais diversos níveis de ensino, passando pelo fundamental (o então primário) até a pós-graduação (hoje), me atribui uma agilidade na compreensão dos problemas educacionais que me deixa bastante confortável. Alguém pode dizer que eu não conheço os processos administrativos e/ou políticos, mas não é verdade, não ter feito carreira nestes campos ainda, não significa que eu não os entenda. Tenho participado efetivamente da produção institucional e desenvolvido uma forte aproximação com todos estes processos. Além disso, sigo fielmente a idéia de que um dos saberes essenciais do educador é a sua incompletude. Então, estudo e aprendo, sempre!

P. Como você pretende fazer sua campanha?
R. Deixa o processo eleitoral sair do campo extra-oficial para o oficial que todos verão... Mas, posso dizer que já comecei a trabalhar no reconhecimento da realidade política institucional desde outubro do ano passado, escutando os diferentes segmentos da comunidade e integrando um grupo de discussões que inicialmente lançou a candidatura do Professor Rômulo. Há... quero também dizer que o fato de eu estar fora do modelo de política institucional vigente me deixa bem livre para inovar a política no ambiente de ensino. Não irei me esquecer disso em nenhum momento, mesmo que os ânimos se exaltem e o modelo tente se impor, os meus princípios de educadora prevalecerão.

P. A sua campanha poderia ser simbolizada como “a luta de Davi contra Golias”, por você ser mulher e estar inserida num contexto predominantemente masculino?
R. Não sei. Não quero pensar sobre isso. Eu não estou no IFPB porque sou mulher ou homem. Estou por competência. Bem, mas já que você me lembrou desta luta, que é histórica, vou me posicionar: as teorias da pedagogia e da psicologia orientam que a educação deve ser feita por “mulheres e homens”. E, o ambiente mais apropriado para o desenvolvimento salutar do indivíduo é aquele em que o masculino e o feminino se unem sem dominações ou opressões. Espero e acredito que não travaremos uma ‘guerra dos sexos’, mas estaremos ensinando nossos alunos (as) conviverem harmoniosamente e respeitosamente. As piadas, as impressões e comentários que rodeiam a questão, não terão um peso maior no processo que aquele que realmente motiva o processo de escolha. Os critérios, certamente, não serão meramente apenas os do sexo; representará nosso IFPB aquele ou aquela que inspirar confiança e segurança para a construção de um projeto de gestão.

P. Que papel você desempenhará, mais incisivamente, nessa campanha para escolha do primeiro reitor do IFPB?
R. A minha proposta desde o início é fazer uma política diferente. Atualmente, tenho me interessado muito pelo tema da política educacional e procurarei estar fundamentada nos teóricos e nas experiências vivenciais para encontrar meu próprio caminho. Vou desempenhar o papel de aprendiz sem me esquecer que também sou protagonista. A minha posição no processo pode determinar um caminho novo desta prática. Aguardem!!!

P. Você teria uma preocupação específica com a instituição, na qual você pretende ser mais renitente?
R. Sim. Quero refletir sobre o que de fato nós entendemos sobre a conjunção da política institucional local e política nacional para os Institutos. Quando nos referimos aos interesses institucionais, que muitas vezes nos torna excludentes com as temáticas sociais, estamos falando de nossos próprios interesses ou de demandas sociais? Neste sentido, quero ser mais efetiva nas ações que possibilitem a adoção institucional do desenvolvimento da extensão e da pesquisa. Sem dúvida, a prioridade é instrumentalizar a comunidade do IFPB, em todos os seus segmentos, e em todos os campi. Quero construir uma política de extensão e pesquisa integradas ao ensino que seja participativa e menos burocrática, que priorize a capacitação daqueles que estão fora dos processos, além da melhoria dos ambientes de produção acadêmica, como laboratórios, salas de aula e outros.

P. Qual o modelo de gestão que você acha que seria adequado para o IFPB?
R. Bom, eu posso responder a essa pergunta de duas maneiras: ou eu fico apenas no exercício de criticar a gestão atual de forma improdutiva, ou eu faço promessas de um modelo ideal, difícil de alcançar. Portanto, para uma questão complexa atitudes diversificadas é o mais adequado. Eu pretendo esperar para construir junto com a comunidade um modelo que não seja muito arrojado para o momento, mas que também não fique apenas do marasmo das iniciativas burocráticas que servem apenas ao controle de interesses pessoais. Por outro lado, o regimento interno já aponta uma diretriz para uma gestão participativa e descentralizada, e quando tiver valendo, poderemos melhorá-lo. No entanto, o modelo de gestão a ser seguido não depende apenas do que está escrito e nem da postura do líder, mas sim de toda a comunidade. Precisamos descobrir juntos o que é esta instituição e mudar nosso comportamento passivo acerca das coisas que acontecem em nosso cotidiano, e afirmo: sendo eu ou outro (a) candidato (a) escolhido (a) a comunidade terá a gestão pela qual ela lutar. Temos muito o que pensar e fazer.

P. Você acha que vai desempenhar bem o seu papel junto às instâncias máximas da educação?
R. Sim. O que pode haver nestas instâncias que eu não seja capaz de entender? Sou bastante ágil e tenho habilidades sociais de comunicação que não me deixarão à parte. Se me candidatei é porque posso representar nossa instituição. Eu não o faria se sentisse insegurança. Quem me conhece sabe que sou responsável com minhas atribuições. Há! e eu sei quem sou... os meus limites não são barreiras intransponíveis!

P. Como você analisa a atual gestão do IFPB do ponto de vista institucional?
R. Eu estive muito próxima dos fluxos de processos administrativos nestes quatro anos em que coordenei um projeto de extensão e constatei a existência de muitas dificuldades. Mas, posso antecipar que se tivemos problemas a culpa também é da comunidade. Ainda não estamos abertos a novas relações intra-institucionais. Nós não fizemos a nossa parte para uma convivência plural e produtiva porque estamos presos a mitos de que o espaço escolar não deve comportar conflitos. Paz não é passividade, os conflitos são sempre bem vindos e nós não os vivenciamos como deveríamos. Não havia sindicato ativista, nem momentos públicos para discussões, como aconteceu no passado. Toda a crítica ficou nos corredores e nos encontros fechados. Para onde isso tudo nos levou? Vejo muita insatisfação. Apesar de todos os problemas, penso que a gestão atual tem trabalhado muito, há dedicação e boa intenção, afinal todos nós temos qualidades; mas, se não há diálogo, essas qualidades ficam invisíveis! O silêncio somado a auto-suficiência parece presunção! E não cabe mais na nossa realidade.

P. Se, eventualmente, você for eleita, como será a escolha dos seus colaboradores?
R. Ainda é cedo para pensar nisto, durante o processo vou me aproximar das pessoas, conversar, perceber habilidades. Agora, não me tornarei a dona do IFPB e não farei dele um lote a ser negociado. Aqueles que me apoiarem devem confiar de que buscarei competências e compromissos com um projeto coletivo que não somente meu.

P. Você não estaria furando a fila, já que tem gente mais antiga na instituição para disputar essa função?
R. Não! Não! Estou assistindo o IFPB em uma crise de liderança! Os mais antigos não se sentiram motivados. Os mais novos se sentem despreparados. E, o que eu estou fazendo é me disponibilizando porque estou pronta para colaborar! Nestes últimos meses procurei algumas lideranças consolidadas, para dar o meu apoio em uma candidatura à Reitoria, encontrei algumas que colocaram dificuldades, outras eu nem mais as vi pelo campus João Pessoa. Até que encontrei o grupo que lançou o professor Rômulo Gondim. Após a sua mudança de papel no processo eleitoral e tendo amadurecido a compreensão sobre o momento da Instituição, que atravessa uma expansão com uma demanda de liderança considerável, resolvi aceitar a proposta, que não encaro como um desafio, mas como uma simples oportunidade de crescimento pessoal e de responsabilização que compõe a função docente. Tem que ter pessoas para a gestão da educação! Então porque não eu que estou a mais de 25 anos na academia? Serei Reitora e tenho o propósito de fazer uma experiência tão positiva ao ponto de inspirar novos atores que me seguirão!

Postado por IFPB EM MOVIMENTO

segunda-feira, 22 de março de 2010

O PT, Jose Maranhão e a questão da vice: o presente e o futuro

O PT paraibano deseja indicar novamente o candidato a vice-governador na chapa do PMDB de José Maranhão. É legítimo que qualquer partido tenha pretensões de ocupar o máximo de espaço político. Em grande medida, nós podemos dizer que é para isso que os partidos existem e isso é o que aproxima todos os partidos, diferenciando-os as proposições programáticas que estabelecem o caráter e os objetivos do poder.
Entretanto, para que isso aconteça não basta apenas que os partidos proclamem os seus desejos em resoluções partidárias. É preciso que, acompanhado dessa vontade política, seja demonstrada a força necessária para que suas pretensões se estabeleçam sobre a dos outros partidos, que também, obviamente, desejam a mesma coisa.
O PT na Paraíba vive esse dilema. Propõe-se a manter o espaço conquistado na chapa de 2006, indicando o mesmo nome que há quatro anos compôs com o então senador José Maranhão a chapa para o governo, mas não mostra forças suficientes para tornar efetiva sua reivindicação.
Como eu já disse aqui, os argumentos do PT – especialmente do interessado mais direto, o atual vice-governador, Luciano Cartaxo – se resumem a afirmar a força do governo Lula e do tempo de TV que o partido dispõe, o que, convenhamos, não é pouca coisa, mas tem pouco a ver com a força que o partido dispõe no estado: dois deputados estaduais, um deputado federal, 6 prefeitos, sendo que a prefeita da mais importante cidade comandada por petistas – Pombal – não segue a orientação partidária e vive às turras com o próprio partido na cidade.
Não bastasse isso tudo, o PT está literalmente rachado ao meio, e suas lideranças vivem se atacando publicamente. A principal liderança do PT no estado, o deputado federal Luis Couto, acompanhado de seu grupo que controla os cargos que o partido detém na prefeitura de João Pessoa, divergem frontalmente das orientações da atual direção regional, ao ponto de, para acomodar seus interesses, defenderem dois palanques para o PT e sua candidata a presidente na Paraíba.
É bom registrar que esse mesmo grupo não diz um pio contra a aliança nacional do PT com o PMDB, ao contrário, não só vêem nisso sinal de "amadurecimento" de ambos os partidos, como propalam aos quatro ventos que o PMDB será um importante aliado para a construção do novo modelo de desenvolvimento que o governo Lula – e o de Dilma Rousef, futuramente – tentam colocar em prática! Coisas do petismo paraibano...
Assim sendo, se as bases políticas do PT na Paraíba já são frágeis, a sua divisão o torna uma caricatura do que o partido é no plano nacional. Isso fica claro quando o grupo minoritário, não perdendo a oportunidade de criar mais confusão no interior do PT, continua a defender a proposta que foi derrotada na eleição interna do PT, qual seja, o apoio à candidatura de Ricardo Coutinho ao governo – que, é sempre bom lembrar, conta com o apoio do PSDB e do DEM, inimigos históricos do PT e de Lula.
Escutei num dos programas de rádio de João Pessoa o anúncio da formalização dessa iniciativa por parte de um destacado membro do grupo de Luís Couto, e o argumento apresentado revela o alto grau de diversionismo que essa banda do PT esboça como principal forma de fazer a disputa interna: defendem o apoio à candidatura de Coutinho como uma “reação” à desmoralização a que estão sendo submetidos o vice-governador e o PT por conta da recusa do PMDB em aceitar a indicação da manutenção de Luciano Cartaxo no cargo que ele ocupa atualmente. É risível porque também é patético.
A ação não apenas objetiva criar confusão interna dentro do PT, mas ajudar a direcionar baterias ameaçadoras contra o PMDB, reforçando a frágil posição que ocupa Luciano Cartaxo, que parece não se sentir confortável com a defesa que o grupo majoritário faz da sua candidatura. O ato de buscar a todo custo ser candidato, mesmo com a recusa de José Maranhão e do PMDB, diz muito do nível político do PT paraibano. E da fragilidade política do atual vice-governador, que age como um animal de estimação rejeitado que, mesmo sendo empurrado para fora de casa, insiste em permanecer, mesmo que para isso tenha que enfiar suas unhas nas pernas do dono da casa.
Além desse movimento interno, que o grupo de Luis Couto aparentemente recebe de bom grado, vendo nisso a oportunidade de estimular o racha no grupo majoritário, Cartaxo busca sustentação fora do PT, especificamente na Rainha da Borborema, e, mais especificamente ainda, na família Vital do Rego. É mesmo o que lhe resta. Não sei bem por que, mas escrevendo isso, senti aquela entranha sensação de déjà vu. Analisando bem, é isso mesmo: eu já assisti esse filme em algum lugar.
Em 2006, como o PSB já tornou público, Cartaxo conseguiu a sua indicação para vice-governador depois de não apenas se comprometer com a candidatura a governador de Ricardo Coutinho, em 2010, mas de assinar um documento, firmando ali a assinatura do seu compromisso. Isso tudo sem o conhecimento e à revelia do PT, partido de Luciano Cartaxo.
Estranhamente inserido de última hora entre os candidatos do PT, o ex-líder de Coutinho na Câmara de Vereadores foi um tértius que só foi indicado depois do impasse gerado por conta da indicação do vice, e dos continuados vetos colocados por Ricardo Coutinho aos nomes apresentados pelo PT, inclusive à candidatura de Luís Couto. Como é surpreendente a política! Agora sabemos como Cartaxo viabilizou sua candidatura a vice. Veja abaixo cópia do documento e do "compromisso público" secreto.
Dois anos e meio depois, Cartaxo não contou conversa e desdenhou do documento assinado e se jogou nos braços de José Maranhão, renegando o apoio dado àquele que foi, na verdade, o responsável por sua ascensão ao cargo de vice-governador, mesmo que Cartaxo, antes de 2006 e depois de várias tentativas, não tenha conseguido sequer se eleger deputado estadual.
Hoje, no rastro da indefinição sobre a candidatura do prefeito de Campina Grande, Cartaxo cava o seu lugar e tem novamente a boa acolhida de um aliado externo interessado em evitar que a vice-governadoria caia nas mãos de alguém que possa, em 2014, criar dificuldades para a sua candidatura ao governo.
O problema dessa estratégia é que em cada eleição é plantada a semente da próxima. No caso, para essa semente germinar, é necessário vencer a eleição para o governo estadual, caso contrário, os projetos envolvidos ameaçam ruir antes do tempo. Depois disso, o que se plantou em 2010 precisa ser muito bem cuidado, especialmente se houver um governador disposto a regar a semente para que ela vire planta e floresça.
E é isso que está em jogo agora. José Maranhão quer não apenas ter o controle sobre suas alianças, indicando um vice de sua confiança, mas estabelecer as condições de conduzir a sua sucessão. É por isso que ele não vai entregar a vice a Luciano Cartaxo, porque, além de fragilizar sua candidatura em 2010, isso significaria perder o controle das definições a respeito de quem vai sucedê-lo.
Caso José Maranhão se reeleja em 2010 e se afaste para concorrer ao Senado em 2014, a ascensão de Cartaxo ao cargo de governador abriria, pelo menos, duas hipóteses para o futuro das disputas eleitorais: 1) ele apoiaria Veneziano Vital, mantendo o acordo que atos e palavras demonstram que foi celebrado, ou 2) ele seria candidato à reeleição, depois de declarar que não resistiu às “pressões” internas para que o PT lançasse candidato ao governo. Com o governo nas mãos, o que ele teria a perder?
Nas duas hipóteses, José Maranhão deixaria de ser peça-chave na condução de sua sucessão, a não ser que ele resolvesse permanecer no cargo. Portanto, o que está em jogo hoje não é apenas a disputa de 2010. Todos os atores importantes (aqueles que estão envolvidos no tabuleiro de xadrez da política paraibana) enxergam muito mais à frente, especialmente quem está no controle do processo.
Caso não seja Veneziano Vital o vice, dificilmente será Luciano Cartaxo, que entrou no desesperado (e perigoso) jogo da intimidação, o que fragiliza ainda mais a sua candidatura, pois insere um elemento que ainda não existia: a desconfiança.
Até o início de abril, teremos todos os futuros jogadores em campo. Por ora, vale a pena lembrar para os candidatos a vice de José Maranhão, um ditado popular: quem tudo quer...

sábado, 20 de março de 2010

Vejam a que ponto chegou o PSDB.

PSDB cearense sem opção ao Governo Sem um nome para a disputa da sucessão estadual, os tucanos cearenses aguardam uma decisão de Cid Gomes para definir rumos.

Tiago Coutinho
Jornal O Povo tiagocoutinho@opovo.com.br

A pouco mais de seis meses para a disputa eleitoral, o PSDB cearense vive um momento de total indefinição quanto aos rumos que irá tomar na sucessão estadual. Sem opção de candidato ao Governo do Estado, o partido tenta pleitear uma vaga na aliança com o governador Cid Gomes (PSB).
"O partido está fragilizado. Não há nenhum nome e nenhum planejamento definitivo``, afirma o deputado federal Raimundo Gomes de Mato (PSDB-CE). A conjuntura nacional, para o tucano, interferiu na situação crítica vivenciada pelo partido no Ceará.
Os tucanos, no começo do ano, acreditavam ser possível lançar a candidatura do senador Tasso Jereissati (PSDB) para disputar o Governo. Depois, segundo Gomes de Matos, o partido avaliou que seria melhor investir na reeleição de Tasso ao Senado e investir em outro nome para o Executivo estadual. A ação não obteve êxito.
Na última quinta-feira, 18, o empresário Beto Studart, um dos nomes cotados para o cargo, confirmou a situação crítica ao afirmar: ``o PSDB se esfarelou``. Para Studart, o PSDB deveria ter lançado um candidato há quatro meses.
No aguardo
Mesmo com destino incerto, há uma estratégia de aproximação dos tucanos com o governador, candidato virtual à reeleição. ``Eu diria que, hoje, a grande possibilidade é apoiar a reeleição do governador Cid``, comenta o deputado estadual João Jaime, líder dos tucanos na Assembleia. O parlamentar não descarta a possibilidade ainda de lançar uma candidatura própria.
Gomes de Matos considera, porém, essa hipótese pouco provável. Ele admite que a situação do partido é de espectador das negociações entre o PT e o PSB, à espera de uma ruptura na aliança. Assim, ficaria em aberto a vaga de vice-governador, cargo hoje ocupado pelo PT e cobiçado pelos tucanos.
Na última quarta-feira, 17, Cid, a pretexto de discutir a regulamentação do pré-sal, viajou para Brasília, onde esteve reunido com Tasso. Especula-se, inclusive dentro do PSDB, discussões sobre política, com definições.
O cenário, porém, continua em aberto. No mesmo momento, de acordo com Gomes de Matos, o prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PR), pré-candidato ao Governo do Estado, estava reunido com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Na conversa, segundo com Gomes de Matos, Pessoa teria se oferecido para ser palanque do PSDB no Ceará, em troca dos minutos no horário eleitoral gratuito dos tucanos. Até agora, porém, o próprio Pessoa tem dito publicamente que apoia Dilma Rousseff (PT).

sábado, 6 de março de 2010

A PROPÓSITO DE DILMA ROUSSEF TER DOIS PALANQUES NA PARAÍBA

Do Blog Pensamento Múltiplo de Flávio Lucio
06/03/2010

"O que significa, na prática, a proposta defendida pela Direção Municipal do PT de João Pessoa de dois palanques para Dilma Roussef na Paraíba? A resolução do PT de João Pessoa trás duas implicações políticas: Primeiro. É óbvio que, caso Ciro Gomes retire sua candidatura a presidente, especialmente aceitando ser candidato ao governo de São Paulo, no pacote de apoio do PSB deverá constar os dois palanques para Dilma na Paraíba. Isso, além de respaldado pela resolução do último Congresso do PT, seria politicamente óbvio. Onde houver aliados de Dilma Roussef disputando governos estaduais, apesar dos constrangimentos que isso normalmente causa a qualquer candidata/o, não deve existir nenhum tipo de privilégio dado aos seus apoiadores. Isso só criaria problemas com os partidos aliados, e soaria como exclusivismo petista, um mal que o PT, felizmente, abandonou. Entretanto, no caso da Paraíba, o fato de que aqui renhidos adversários do PT, de Lula e de Dilma estarão no palanque do PSB, inclusive disputando vagas para o Senado e para a Câmara, dá ao caso da Paraíba uma peculiaridade que não existe em outros estados onde o PSB terá candidatos a governador, como em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Nesses estados, o Dem e o PSDB ocuparão o outro lado da trincheira. Além disso, será politicamente constrangedor para Dilma. Imagine a candidata de Lula e do PT subindo num palanque e ajudando a eleger aqueles que, caso eleitos, tentarão ser os seus algozes no Congresso Nacional. O Senador Efraim Morais, por exemplo, repetirá na frente Dilma o que disse no plenário do Senado, em dezembro de 2005, sobre o PT? “Aparelhou o Estado desde os escalões mais modestos até os superiores. A partir daí, passou a assaltá-lo sistematicamente. As prefeituras municipais, que o PT conquistou gradualmente, serviram-lhe de laboratório. Lá, no âmbito municipal, ensaiou a rapina que, a partir de 2003, passou a praticar em âmbito federal.”(...) “PT era uma vivência incontornável. Tínhamos que passar por ela e estamos passando. Mas, como sarampo e catapora, só dá uma vez. São múltiplas as lições que o purgatório político nos está transmitindo.” “Em 2006, ano de eleições gerais, é hora de a cidadania brasileira dar o troco aos que o iludiram. E que assim seja” ? (clique aqui) E isso foi o mínimo. O rosário de provocações do demo Efraim Morais contra Lula e o PT daria para compor, se reunidos, um libelo conservador contra um governo dirigido de esquerda e uma homenagem ao pensamento direitista brasileiro, digno do partido a que pertence, historicamente sempre entrincheirado contra tudo que possa soar popular e de esquerda na política brasileira. Além disso, o senador Efraim Morais (DEM-PB) foi um dos mais críticos oposicionistas ao Programa Minha Casa, Minha Vida, não por acaso, proposto e coordenado pela Ministra Dilma Roussef. Em aparte ao Senador Heráclito Fortes, do Dem do Piauí, Morais afirmou sem pestanejar: “Esse programa é um engôdo, uma ilusão” (clique aqui) , o que não deixa de ser um paradoxo que ele seja o convidado de honra do prefeito Ricardo Coutinho para uma manifestação de entrega de casas cujo financiamento provem, principalmente, de verbas do governo federal Que o PSB defenda dois palanques para Dilma Roussef na Paraíba é compreensível – afinal, o partido não quer que sobre para ele apenas o palanque dos tucanos paulistas em 2010, numa região que Lula tem mais de 90% de aprovação e que teve mais de 80% dos votos na última eleição. Mas, petistas de João Pessoa defenderem isso, sem levar em conta a estratégia que eles mesmos aprovaram como prioritária – eleger Dilma Roussef, – é uma maneira de criar mais problemas para sua candidata, ao invés de tentar diminuí-los. É uma maneira de colocar acima do objetivo de eleger Dilma o objetivo de eleger Ricardo Coutinho Subordinar, portanto, as disputas e os interesses locais de grupos e pessoas ao projeto nacional do PT e da esquerda, cuja vitória terá repercussões geopolíticas na América Latina e no mundo, além de, principalmente, permitir a consolidação do projeto de desenvolvimento iniciado no governo Lula, é de uma mesquinhez política sem tamanho. Essa questão remete à segunda implicação da resolução do Diretório Municipal do PT de João Pessoa: a defesa de dois palanques para Dilma, caso prevaleça, implica que os dirigentes do partido estariam liberados para escolher em qual palanque ficar, se no de José Maranhão ou no de Ricardo Coutinho? Não acho isso praticável, tanto em termo políticos – como reagirá o eleitorado vendo petistas num palanque que não é o do seu partido, – quanto em termo jurídicos: para que isso se viabilize deve contar com a concordância ou as vistas grossas da direção regional do PT (do jeito que se comportam algumas liderança detentoras de cargos públicos do PT de ambos os lados, não seria surpresa se prevalecesse essa permissividade política.) Nesse aspecto, penso o seguinte, expressando aqui o que disse a um amigo petista. Dilma pode ter mais de um palanque nos estados, afinal, esses palanques serão de partidos que a apóiam para presidente. O PT, como partido, não. O PT terá o palanque que a convenção estadual decidir (Ricardo Coutinho ou José Maranhão). Se não valer isso, instituam-se o fim da democracia e da unidade partidárias que tornou o PT o que ele é hoje e ratifique-se que o partido é um mero agrupamento de interesses individuais e de grupo, sem projeto de poder próprio. Ora, se isso vale até para os candidatos de partidos ditos liberais, como não valeria para candidatos e dirigentes do PT? Por exemplo, se Cícero Lucena for o candidato do PSDB, Cássio Cunha Lima subirá no palanque de Ricardo Coutinho? Claro que não, por mais que Cunha Lima deseje. E, no caso de petistas, isso soaria como atitude de mal perdedor. Perderam no PED e querem manter a posição política a todo custo. O grupo que dirige o PT municipal não viu ainda o quão impraticável é essa política que eles insistem em manter? Ela foi derrotada não só no PT, como está sendo derrotada na sociedade – o apoio a Ricardo Coutinho em João Pessoa, especialmente na classe média e nos meios mais esclarecidos, desmancha como sorvete exposto ao sol. Tentar mantê-la é não apenas teimosia, mas sinal de burrice que levará ao isolamento político e à derrota eleitoral.