quarta-feira, 6 de abril de 2011

Decadência e Baixaria: Noticiário policial na PB se transforma em circo de horrores e causa indignação

Foi preciso alguém de fora meter o bedelho para mostrar o nível de decadência que alcançou o noticiário policial na Paraíba. A tragédia virou show e a mediocridade o único instrumento para se alcançar a audiência já que os programas se transformaram em picadeiros de horrores, que encantam homens, mulheres, velhos e crianças, numa versão moderna do que se passava no velho Coliseu romano, onde pessoas eram estraçalhadas para delírio da turba ignara.
A nutricionista Elaine Oliveira – ela faz questão de ressaltar que não é jornalista – teve um gesto de cidadania ao passar para o papel a sua estupefação diante dos horrores transmitidos no dia a dia pelos programas policiais, onde a vida, a dor alheia, alcançou índices inimagináveis de banalidade e divertem o paraibano já insensível às tragédias do cotidiano.
Num texto de fazer inveja aos “jornalistas” que produzem esse show de horrores diários, Elaine retrata o nível de decadência que a imprensa paraibana atingiu ao transformar em celebridades a mediocridade e o analfabetismo de uma meia dúzia de “palhaços” que controlam a mídia e garantem a audiência.
A nutricionista estaria cumprindo o papel de certas entidades ligadas ao exercício da profissão que passam ao largo desse festival de baixaria, onde o sangue e a miséria são ingredientes indispensáveis para o entretenimento de uma camada social cujo poder de discernimento é zero.
É chegada a hora de entidades como a API e o Sindicato dos Jornalistas tomarem uma posição diante desse quadro de horrores patrocinado pela ganância estúpida dos empresários de comunicação.

Abaixo o texto da nutricionista:
A TV paraibana nunca foi tão ridicularizada. As mortes transmitidas das 12 às 13h, que já era prato principal do almoço de muitos paraibanos "vidrados" no correio verdade agora estão do jeito que o jornalismo imprudente sempre sonhou: as pessoas riem da desgraça alheia e a bandidagem ainda vira melô, hit musical...
Pois é, as novas celebridades do jornalismo local não são reconhecidos por seu trabalho sério e competente em informar...não são visto pelo Brasil como repórteres que elevam a Paraíba...são reconhecidos em toda a parte, mas, como o próprio Portal Correio anunciou em 2010, " Agora, toda a Paraíba vai ver e conhecer a força, a alegria e a irreverência de Samuca Duarte e Emerson Machado." É mesmo uma pena que estivessem falando de um programa policial...
Sucesso no you tube, orkut e afins, a "dança do mofi" é unanimidade: agrada tanto aos cidadãos de bem quanto aos bandidos. As crianças, incentivadas até mesmo pelos pais, colocam a camisa na cabeça e com os braços para trás dançam e aumentam a popularidade do jornalismo que todas as tardes ri da falta de consciência de uma população que já acostumada com a impunidade, resolveu aceitar que ela virasse piada.
Tratados como "amigos" (já que são a audiencia), os criminosos até gostam das brincadeiras, afinal de contas, nem é assim tão grave o que eles fazem...
... Para mim, parecia que já tinham usado e abusado de todas as armas do sensacionalismo, mas mostraram que não: no dia 31 de março o telejornal foi transmitido em pleno Mercado Público de Mangabeira, e é claro, com direito a palco e plateia.
A cada notícia de mais uma entrada no Hospital de Emergência e Trauma ou de uma briga em bar que acabava em morte, uma música era tocada pela banda que estava participando do Caravana da Verdade. Lágrimas, perdas e outras tristezas que merecem respeito (seja por quem for), viraram show. Um show desejado e aclamado por muitos telespectadores. Ah, a ideia contraditória e doentia da contratação da banda foi anunciada no prórpio Portal Correio, com as seguintes palavras:" A Banda Identidade Baiana realizará um show para animar ainda mais o evento, das 11h às 14h."
Samuka Duarte, Emerson Machado ( Mô- fi), Marcos Antonio (O Àguia), Josenildo Gonçalves (O Cancão da Madrugada) e toda a equipe de edição do Correio Verdade conseguem, dia após dia, tornar animadas as refeições de paraibanos que não se importam em almoçar frente às cenas de corpos perfurados e poças de sangue humano. Creio que não conseguem, com a mesma eficácia, tornar menos dolorosa a sina de uma mãe que sente a dor de ter um filho que agora é presidiário, de parentes de uma criança que morreu acidentalmente ou de um pai, que vê seu filho destruído pelas drogas, morto e servindo de audiência para um programa de humor negro chamado Correio Verdade.
Não sou jornalista. Sou nutricionista, mas antes disso, cidadã. Incomodada com o desprezo explícito à vida humana senti a obrigação de pedir a todos os meus contatos que repensem seus valores de respeito e dignidade à vida sempre que pensem em assistir esse e outros programas que indiquem sinais tão fortes de insulto a nós, telespectadores. Insulto a nossa capacidade e direito de exigir jornalismo de qualidade em palavras e atitudes.
Se concorda, repasse o email. Quanto mais as pessoas se conscientizarem dos "pequenos" males que nos envolvem com graça e alguns risos com gosto de sangue, mais chance teremos de exercer e usufruir daquilo que chamamos de cidadania. Merecemos mais respeito.
Atenciosamente,
Elaine Oliveira

Por que o foco é virado só para a Paraiba?
Há de se falar também dos programas que são levados em nível nacional, como o programa de Datena na Band. Para os apresentadores, "bandidos e vagabundos" são as pessoas abordadas pela policia, não importa o crime (se é que cometeu) imputado a elas. Numa situação em que as pessoas são obrigadas (mesmo contrariando a Cosntituição) a provarem a inocência e ainda estando presos, não deixa de ser pura encenação, a defesa da sociedade tão falada pelos apresentadores.
Achei importante que alguém tocasse nesse tema, mas acho estranho que tenha sido feito logo em cima de Samuka, que é um dos poucos equilibrados, nesse circo de doidos. Concordo com a critica feita em cima de Edson Machado, porque entendo que ele desrespeita o ser humano. Além da pessoa está presa, algemada, ele humilha e mesmo o preso em custódia pelo Estado, ele expõe e já dar a sentença sem nenhum julgamento, só porque a policia fez o flagrante. A palavra da policia é mais poderosa que todas as provas e consequentemente mais forte que a da justiça.

Apresentador perde noção.
Certa vez vi uma reportagem exibida na Band, sobre um senhor de idade que tinha relacionamentos sexuais com crianças. Ok, até ai tudo bem, mas o mais espetacular que vi, foi a falta de noção de Datena, que no avã de falar, chamou o acusado de "crápula e mentiroso". Ora, crápula, é até compreensível, mas mentiroso, se o acusado assumiu todas as denúncias feitas policia?

Helio de Almeida.

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