quinta-feira, 21 de junho de 2012

Número de mulheres mortas na PB em 2012 supera todo 2011, diz ONG

Até a madrugada desta quarta-feira (20), 65 mulheres tinham sido mortas. Segundo Centro 8 de Março, em 70% dos casos parceiros são os autores.


Do G1 PB

Segundo dados da organização não governamental (ONG) Centro da Mulher 8 de Março, do dia primeiro de janeiro de 2012, até a madrugada desta quarta-feira (20), 65 mulheres foram assassinadas na Paraíba. O número de homicídios apenas até a metade deste ano supera o registrado em todo o ano passado, que foi de 41 mortes, segundo a ONG.

De acordo com a coordenadora geral do Centro da Mulher 8 de Março, Irene Marinheiro, em cerca de 70% dos casos de mulheres assassinadas, o autor do homicídio é um parceiro ou ex-parceiro da vítima. “Como a sociedade se baseia no machismo entendo que o homem se sente dono de tudo, até da mulher. Não aceitam que elas se separem dele, veêm como propriedade. Isso não é amor, entendo que é como sadismo porque quem ama não mata, quem ama protege. E o mais triste disso tudo é que acontece com a pessoa que a mulher mais confia e no local que ela se sente segura, o lar dela”, explicou Marinheiro.

Os três últimos casos a entrarem para as estatísticas do Centro da Mulher 8 de Março em 2012 aconteceram na terça-feira (19). Além da professora da Universidade Estadual da Paraíba, Briggida Rosely de Azevedo Lourenço, encontrada morta com sinais de asfixia em seu apartamento em João Pessoa. Já em Cabedelo, na Grande João Pessoa, uma mulher sem identificação foi encontrada morta. No município de Mamanguape, no Litoral Norte, e uma mulher foi assassinada a facadas por um homem de 21 anos. Entre os três homicídios, a polícia prendeu apenas o suspeito do homicídio cometido em Mamanguape.
Briggida Lourenço era professora de Arquivologia da UEPB Foto:Produção/Facebook)

Ainda segundo a coordenadora da ONG 8 de Março, a violência psicológica é a primeira etapa para um possível violência física. “A violência psicológica acontece quando o parceiro destrata verbalmente a mulher, a chamando, por exemplo, de burra, idiota. A mulher não considera violência, então passa para o primeiro tapa. Ele pede perdão e ela aceita. O que pode se aprofundar até chegar em um assassinato”, comentou Irene Marinheiro.
Além da ONG 8 de Março, situada na Av. Duque de Caxias no Centro de João Pessoa, as mulheres vítimas de violência podem procurar apoio também no Centro de Referência da Mulher, na Av. Afonso Campos também no Centro da capital. As denúncias devem ser registradas na Delegacia da Mulher Vítima de Violência, na Av. Pedro II. Na Paraíba existem oito delegacias da Mulher. Na região metropolitana da capital elas são localizadas em Cabedelo, João Pessoa, Santa Rita e Bayeux. Outras unidades podem ser encontradas em Guarabira, no Agreste paraibano, e Patos, Souza e Cajazeiras, no Sertão do estado.
O Centro da Mulher 8 de Março reivindica delegacias especializadas da Mulher em Monteiro, na região da Borborema e Pombal, no Sertão. A ONG indica que onde não existe Delegacia da Mulher, a vítima de violência deve procurar a delegacia comum da cidade mais próxima. “Só haverá diminuição nos casos de morte, a medida que as mulheres resolverem denunciar seus agressores”. concluiu a coordenadora geral do Centro da Mulher 8 de Março.

É preciso rever como a sociedade educa seus filhos. Os responsáveis, na sua maioria, mulheres, educam os filhos de formas diferentes: os homens são educados para serem os pegadores, e não levarem desaforo para casa; enquanto as mulheres são criadas para serem boazinhas, conformadas e atraentes sexualmente. Enquanto isso não for mudado, vamos assistir todos os dias, notícias de crimes.
Agora, temos que entender que as pessoas apresentam as armas que têm; necesseriamente,a violência não se apresenta só em forma física. A gente só ver o que está posto, mas o que provoca determinadas reações, nunca é mostrado. "Muito se fala da violência das águas que derrubam barreiras dos rios; mas nunca se fala da violência das margens que as comprimem." É isso ai.

Um comentário:

Renata Almeida Pordeus disse...

Cada caso é caso, esse, por exemplo é tipicamente de um jovem promissor apaixonado que viu sua amada esposa o traindo de maneira surdida e cruel, não contendo suas emoções e caindo numa profunda emoção, depois de uma violenta discussão, perdeu o controle.