Ser covarde, é...

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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A "margem de erro" e a barbeiragem do Ibope

Parece que o pessoal do Ibope tá cheirando pó estragado. Dizer que a Dilma perde votos para o PSDB? Situação inimaginável para qualquer pessoa com um mínimo de noção.

Do Blog do Pepe
Não sou daqueles que comemoram pesquisa favorável e execram as que não são boas. Mas, depois de tanto tempo acompanhando pesquisa eleitoral, penso que o "pulo do gato" dos institutos que servem aos interesses conservadores, como o Ibope e o Datafolha, é a tal margem de erro. Esticando para baixo e para cima a intenção de votos dos candidatos conforme seus interesses políticos, eles, ao mesmo em que se protegem de questionamentos quanto à eficiência de seus levantamentos, expõem suas preferências de forma subliminar. Às vezes, porém, a coisa escapa do controle e deixam passar flagrantes barbeiragens, como no caso da pesquisa do Ibope divulgada nesta terça-feira, 16 de setembro.
Nela, o fato novo é o crescimento de quatro pontos percentuais do candidato do PSDB, Aécio Neves, que chegou a 19%. Como pesquisa se compara com pesquisa anterior do mesmo instituto, lembramos que o tucano marcou 15% na sondagem do Ibope publicada na semana passada. Mas, pasmem, sabe de onde o Ibope quer nos fazer crer que vieram a maioria dos votos responsáveis pela subida de Aécio ? Dos eleitores de Dilma. Isso mesmo.
Dos quatro pontos a mais que ele obteve, três saíram da queda da candidata do PT, que variou de 39% para 36%, e apenas um de Marina Silva - de 31% para 30%. É evidente que isso não tem cabimento e não se sustenta do ponto de vista político.
Além de várias pesquisas já terem detectado que o eleitor da Dilma é o mais fiel de todos, pois deseja continuidade e se mostra satisfeito com as mudanças ocorridas no Brasil nos últimos 12 anos, é preciso rememorar os fatos que marcaram a campanha de semana passada para cá. Sim, porque estamos tratando de uma acirrada disputa política, e não de uma queda de braço mercadológica entre um bem de consumo e outro.
Tivemos o choro de Marina e sua vitimização amplamente reverberados pela mídia monopolista e a insistência de Aécio em mostrar as fragilidades e as inconsistências de Marina como alternativa oposicionista. Já a campanha de Dilma investiu mais nas realizações do seu governo, suavizando um pouco a acertada política de revelar quem de fato Marina representa e o risco de retrocesso que um eventual governo seu representaria para o povo brasileiro. Dois grandes eventos muito positivos para a campanha aconteceram no Rio de Janeiro : o ato que reuniu 10 mil pessoas com Lula em frente à Petrobras e o evento com artistas e intelectuais.
Sobre os ataques da oposição e da imprensa à Petrobras, o que se viu foi o mais do mesmo, embora Marina tenha baixado o nível acusando o PT de colocar um diretor "para roubar a Petrobras". Tudo isso somado, convenhamos, é muito pouco para justificar, ou explicar, a pequena variação negativa de Dilma, de 3 pontos percentuais. E muito menos que o herdeiro desse contingente de eleitores seja justamente Aécio Neves, o candidato "faca nos dentes" de oposição ao governo. Não dá para entender. Está na cara que o Ibope usou o "estica e puxa" da margem de erro para poupar Marina e atingir Dilma.
Vamos supor que seja real o crescimento de Aécio. Sua campanha de fato bateu duro em Marina nos últimos dias, utilizando até com competência uma de suas inserções de TV para mostrar as ligações históricas de Marina com o PT. Mas não é preciso ser nenhum estrategista político para perceber que Aécio tirou votos da candidata do PSB, e não de Dilma. Escudado, porém, na margem de erro, o Ibope está livre de ser cobrado. O negócio é ir ajustando os resultados à realidade à medida em que se aproximam as eleições. Esse é o procedimento padrão dos nossos institutos de pesquisa.
O desenrolar da campanha nos próximos dias parece ser auspicioso para Dilma. Além de explorar na TV o encontro com os artistas e intelectuais, que sempre renderam frutos para o PT, e o ato da Petrobras, maior manifestação de rua da campanha no Rio até agora, Marina e seus assessores seguem fazendo dos seus discursos trunfos preciosos para a campanha da presidenta. Nesta terça-feira, um dos economistas que assessoram Marina disse que o regime de partilha do pré-sal tem de ser revisto, enquanto a candidata do PSB defendeu a "modernização" da CLT. Imagina o o que isso significa para a classe trabalhadora ?

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Vitória de Dilma: dois coelhos com uma só cajadada?

Vitória de Dilma: dois coelhos com uma só cajadada?


Por Flávio Lucio.
A eleição de 2014 caminhava para reeditar a polarização que já dura 20 anos entre PT e PSDB. E confirmar a superioridade eleitoral do PT com mais uma vitória. Isso até o acidente que vitimou Eduardo Campos e levou Marina Silva para a cabeça da chapa do PSB.
Essa mudança abrupta provocou uma mudança mais abrupta ainda no cenário eleitoral.
Marina, aproveitando-se do recall da candidatura de 2010, que ainda a identificava com o desejo de renovação política, e com a comoção provocada pela tragédia de seu companheiro de chapa, foi catapultada à condição de favorita.
Em pouco mais de 10 dias, Marina passou a ameaçar o primeiro lugar de Dilma Rousseff no primeiro turno e a derrota-la no segundo. Muitos jornalistas e eleitores conservadores, recém convertidos ao marinismo, chegaram a comemorar a vitória já tida como certa.
A desconstrução de Marina
Isso até Marina começar a mostrar-se por inteira. Não por acaso, o primeiro anúncio importante da nova candidata do PSB, feito pela indefectível Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú, foi a autonomia do Banco Central, um aceno mais do que evidente aos bancos e ao mercado financeiro. Marina começava a trocar de pele.
Isso até Marina começar a sofrer as pressões de uma base social conservadora, que desde sempre torce e milita nas hostes do antipetismo.
Depois, vieram os recuos de posições que, até então, todos imaginavam ser expressão fidedigna da “nova política” a que Marina procurara se associar desde 2010.
Especialmente, depois que aquela massa foi às ruas no ano passado tentando estabelecer uma pauta transformadora para as práticas políticas e sociais no Brasil, pauta infelizmente capturada pela mídia conservadora, especialmente a Rede Globo, que foi reduzida às bandeira do moralismo de direita e do antipetismo.
Dilma e o PT souberam aproveitar o impulso das pressões populares e anunciaram algumas mudanças, que até então estavam encalacradas, como o programa Mais Médicos e os 10% do PIB para educação.
A proposta de reforma política, a proposta que melhor sintetizava os anseios daquela juventude que foi às ruas, foi aos pouco sendo esquecida e finalmente deixada de lado, com a ajuda do Congresso e do TSE. Tudo tinha mudado para ficar como estava.
Pois bem. Marina achava que o espírito das manifestações de 2013 estava definitivamente incorporado à sua aura política e a seu espólio eleitoral e não percebeu o caráter radical pouco organizado daquele desejo mudancista.
Foi por isso a derrocada de Marina começou quando o Brasil assistiu incrédulo à mudanças não apenas nas posições da candidata, mas do programa recém elaborado e divulgado.
O recuo na questão dos direitos civis dos gays, por exemplo, teve um impacto muito didático para determinar o início da derrocada de Marina Silva, porque foi capaz de revelar as fragilidades e as inconsistências de Marina Silva, uma mulher que quer se presidente e se dobra à primeira pressão de um pastor evangélico. Isso pelo twitter!
Um outro ponto importante foi a autonomia do Banco Central defendida por Marina. Se essa questão é de difícil entendimento por parte da amplíssima maioria do eleitorado, ela revela um vínculo que poucos candidatos gostam de assumir: o vínculo com o interesse dos banqueiros e dos mais ricos, algo que já se disseminava em relação a Marina por conta de sua intima ligação com uma banqueira.
Por fim, veio o debate a respeito do Pré-sal, que é algo caro à consciência nacional do brasileiro. A campanha de Dilma não foi capaz ainda de colocar o dedo na ferida e apontar a associação de interesses internos e externos na exploração do Pré-sal. Especialmente, dos americanos e suas petroleiras.
Alternativa à direita: o povo percebeu
Marina, assim como Eduardo Campos, nunca pretendeu ser uma alternativa à esquerda ao PT. Sempre foi uma alternativa à direita que buscava se mostrar mais “viável” para derrotar o lulismo, o que – e a campanha com Marina mostra isso – é verdadeiro.
Esse foi o grande equívoco dos dois e por isso a candidatura de Marina se desfaz como um castelo de areia durante a subida da maré. Os votos que Marina perde hoje é parte do espólio que ela conseguiu em 2010, e que votou majoritariamente em Dilma no segundo turno daquela eleição.
Ou seja, Marina mostrou-se por inteira como uma candidata do conservadorismo, e, como cristã-nova, precisou afirmar sua conversão com um ardor que nem Aécio Neves – ou mesmo José Serra, em 2010 – precisaram para mostrarem-se confiáveis. E isso é o que tem afastado o eleitor que deseja mudança e não retrocesso no país.
E se Dilma vence a eleição, ela e o PT, além de derrotarem novamente o PSDB e reduzirem esse partido à insignificância política, o que, no mínimo, o incapacitará de liderar a oposição nos próximos quatro anos, terão antecipado – e vencido – um embate que, desde 2010, se mostrava como uma incógnita eleitoral.
Se Marina não tivesse sido candidata manteria parte da imagem que a impulsionou como uma forte candidata. Marina conseguiria montar o seu partido, a Rede, e aglutinaria a oposição, talvez com algum apelo popular.
Desconstruída pelas suas próprias palavras, pela propaganda eleitoral do PT e, principalmente, por esse poderoso instrumento político que são hoje as redes sociais, Marina pode liderar a oposição, mas terá perdido o seu trunfo principal, que era o mito de que seria a única candidata capaz de derrotar o PT.
Por fim, mas não menos importante, a ascensão de Marina foi o que encorajou o PT a assumir posições nitidamente mais críticas do modelo político e econômico brasileiro e a começar a ensaiar a ideia de um “novo ciclo” de mudanças.
E é isso o que está empurrando o PT e Lula mais para a esquerda nessa eleição, e já no primeiro turno.
E isso é uma novidade. Talvez a mais importante nessa história toda.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O momento é de Dilma.

O momento é de Dilma.

Por Paulo Nogueira.
Esta é a principal conclusão trazida pela última pesquisa Ibope.
Se este momento se prolongar até as eleições, as chances de tudo se encerrar no primeiro turno serão enormes.
Se fosse um jogo de xadrez, você diria que Dilma está numa posição em que pode dar xeque mate nos adversários.
Considere.
Marina não apenas parou de crescer como diminuiu. Nesta pesquisa, caiu dois pontos.
Sua candidatura, arrebatadora nos primeiros instantes, sofre um forte desgaste agora.
O marco zero do refluxo marinista veio com o recuo na questão LGTB depois que Malafaia tuitou ameaças tonitruantes.
Para um eleitorado de esquerda que via Marina como uma boa opção à polarização entre PT e PSDB, soaram os alarmes. Colocar na presidência alguém suscetível de pressões pelos fundamentalistas evangélicos começou a ser visto como algo realmente complicado.
Com o correr dos dias, também veio à tona a incoerência entre as falas de Marina e seu programa severo na área econômica.
Uma entrevista do mentor econômico de Marina, Eduardo Giannetti, escancarou o impasse. Segundo ele, os compromissos de Marina só serão cumpridos se os recursos para eles não comprometerem o combate à inflação e o ajuste na economia.
Isso quer dizer: os compromissos não são, na verdade, compromissos, mas uma carta vaga de intenções.
Sob a pressão dos fatos e da liderança nas pesquisas, Marina piscou. E seu momento passou.
Seu maior desafio, agora, passa a ser a estabilidade nas intenções de voto de tal forma que chegue ao segundo turno.
Para isso, Aécio não pode se esvaziar a tal ponto que vire um novo Eduardo Campos, com 7% ou 8% dos votos, porque o risco de vitória de Dilma no primeiro turno seria enorme.
Caso Dilma continue a avançar no ritmo atual, um Aécio com a votação de Campos seria a senha para a definição das eleições no primeiro turno.
Suponha que Dilma se fixe, até outubro, em 43% ou 44%. Se Aécio recuar para 10%, Marina vai ter que se segurar onde está para forçar o segundo turno.
Luciana Genro pode complicar ainda mais as coisas para Marina.
Quanto mais Luciana aparece neste final de campanha, mais ela conquista corações de jovens idealistas que nos protestos de junho de 2013 viram em Marina uma esperança de renovação.
Caso Luciana consiga 1% ou 2% dos votos, eles serão muito provavelmente subtraídos de Marina.
A maior surpresa dessas eleições é exatamente Luciana, com seu jeito gaúcho e desassombrado de chamar as coisas pelo seu nome.
O futuro da esquerda, no Brasil, se chama Luciana, com o PT no centro-esquerda e o PSDB na direita.
Para Dilma, hoje, a cena é amplamente favorável.
Os números favoráveis nas pesquisas – depois de uma situação em que ela parecia prestes a ir a pique – lhe trouxeram uma confiança que não se viu antes na campanha.
Na sabatina de hoje com colunistas do Globo, isso ficou claro.
Ricardo Noblat deu a ela, a certa altura, uma ordem: “Fale um pouquinho menos senão a gente não consegue fazer mais perguntas.”
Foi obrigado a ouvir uma resposta bem humorada que trouxe gargalhadas mesmo aos entrevistadores.
“Gente, vamos esclarecer aqui de quem que é a sabatina”, disse Dilma, rindo.
Dilma estava claramente à vontade na sabatina, muito mais que na entrevista que deu ao Jornal Nacional.
Num momento em que debates e sabatinas se sucedem, isso pode também fazer diferença.
Estas eleições serão travadas pela marca da instabilidade. Os ventos ora sopraram para um lado, ora para o outro, e em alguns instantes ficaram indefinidos.
Hoje, sexta, 12 de setembro, os ventos estão ajudando poderosamente Dilma.
Se eles não mudarem de direção, é possível – provável, talvez seja a palavra – que não haja segundo turno.
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O PERIGO DOS ESCÂNDALOS DE ÚLTIMA HORA

O PERIGO DOS ESCÂNDALOS DE ÚLTIMA HORA

Por Paulo Moreira Leite.
A prudência recomenda cautela contra denúncias divulgadas em véspera de eleição. O risco é óbvio: escândalos de última hora causam sensação na mesma medida em que prejudicam uma apuração serena. Hipóteses que não foram provadas ganham a fisionomia de fatos reais. Suspeitos – ou nem isso – logo são apontados como culpados.
Escândalos dessa natureza são mais difíceis de apurar e, muitas vezes, não há o interesse de esclarecer. O que se quer é o barulho.
É claro que estou falando da delação premiada de Paulo Roberto da Costa, o diretor da Petrobrás que está nos jornais e revistas – em breve estará na TV – fazendo uma delação premiada contra o PT e o governo Dilma.
Não custa lembrar que a suspeita mais consistente, até o momento, aponta para o próprio Paulo Roberto. Ameaçado de cumprir 30 anos de prisão por corrupção, ele tem todo interesse em diminuir a própria acusação em troca de denúncias que possam envolver políticos e autoridades. Li num jornal que, se fizer o serviço direitinho, Paulo Roberto poderá, dentro de poucos dias !, voltar para casa com um chip no tornozelo.
Outro aspecto é que ninguém sabe o que ele disse — oficialmente. Sabemos de acusações que lhe são atribuídas pelos jornalistas mas não há denúncias entre aspas, assinadas, que poderiam ter um valor maior do que palavras impressas que tanto podem virar coisa séria como apenas embrulhar peixe na feira do dia seguinte.
O fato de que o depoimento de Paulo Roberto foi criptografado e se encontra guardado num computador que não pode ser acessado via internet torna o conteúdo da denúncia – e seu vazamento – ainda mais misterioso.
As informações são verdadeiras? Não se sabe — até porque não tivemos uma investigação com base em provas e outros indícios para atestar sua consistencia, ou não.
As informações estão sendo divulgadas com isenção, ou de forma seletiva, de acordo com a preferência politica de quem publica a história? Também não podemos saber antes de ter acesso ao conteúdo integral dos depoimentos.
O que sabemos é que entre as personalidades acusadas, nenhuma denúncia foi confirmada, por mais vaga que fosse. Os envolvidos desmentiram mas não receberam o devido crédito por suas palavras.
Você não precisa acreditar neles e achar que têm todo interesse em falar mentiras. Mas se é assim, por que acreditar que o delator sempre fala a verdade?
Estamos falando de reportagens que querem construir um pré-julgamento quando faltam quatro semanas até a eleição, o que torna a comparação com o mensalão de 2005, ensaiada por vários veículos, particularmente irônica.
Não custa lembrar que a suposta compra de votos do esquema Delúbio-Marcos Valério nunca foi demonstrada e o desvio de milhões de reais do Banco do Brasil é desmentido por todas as auditorias realizadas na instituição.
Restaram, é claro, as reportagens sobre o assunto e, graças a elas, um dos mais perversos exercícios de criminalização da atividade política.
Por que achar que dessa vez tudo está sendo feito corretamente? Temos uma “nova” midia, para fazer companhia a uma “nova” política?
Impossível saber. A experiência ensina que não se deve julgar aquilo que não se conhece, certo?
Já vimos este filme, que tem sempre o mesmo personagem. Em 1989, a campanha de Collor trouxe Lurian para o horário político, usando um depoimento comprado para acusar Lula.
Em 2006, a denúncia da AP 470 parecia sob encomenda para impedir a reeleição — mas não funcionou.
Em 2012, o julgamento deveria atingir os candidatos do PT mas eleições municipais. Também não funcionou.
*Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília. É também autor do livro "A Outra História do Mensalão". Foi correspondente em Paris e Washington e ocupou postos de direção na VEJA, IstoÉ e Época. Também escreveu "A Mulher que Era o General da Casa".

domingo, 7 de setembro de 2014

Denuncismo seletivo e deduragem vantajosa

Denuncismo seletivo e deduragem vantajosa


Por José Cláudio de Paula.

Não existe informação inocente, ainda mais quando uma revista tem acesso a algo que corre em segredo de justiça. É óbvio que informações veiculadas na mídia tradicional sobre a Petrobras serão usadas como arma eleitoral contra o PT e contra integrantes da base aliada do governo federal. Não é estranho o denuncismo seletivo da mídia tradicional em períodos pré-eleitorais. As suspeitas se referem à Petrobras, empresa estatal que a direita brasileira quer privatizar e que o capitalismo internacional não se cansa de cobiçar. O volume das denúncias é inversamente proporcional às pressões para que a companhia seja privatizada. Os amplificadores das denúncias não confessam isso abertamente, mas está claro que o objetivo do enxovalhamento é promover a desmoralização da gestão pública na maior companhia estatal brasileira, com o objetivo de entregá-la nas mãos de particulares.
O ponto de partida das denúncias é outro problema para sua credibilidade. O autor das listas de supostos beneficiários do suposto esquema de desvio de valores na estatal é réu confesso, acusado de participação na irregularidade. É possível entender a situação de desespero de alguém que esteja às vésperas de uma condenação. Nessa situação, não é absurdo que qualquer coisa seja dita, desde que isto sirva para amenizar a penalidade a ser decidida no futuro. A existência da delação premiada já é uma aberração e um contra-senso éticos. Não é simples explicar para as futuras gerações que a deduragem merece ter alguma vantagem. É importante que os construtores do futuro tenham em mente que a prática da delação pode ser equivalente (ou maior) do que o próprio crime, principalmente quando o denunciante tem o único objetivo de obter vantagens pessoais com a deduragem.
Minha geração conviveu com pessoas que recusaram a delação como possibilidade, mesmo diante da prática odiosa da tortura. O reconhecimento do valor de denúncias formuladas com a finalidade de obter vantagem pessoal, para mim e para muitos dos meus contemporâneos, é um crime hediondo, cuja penalidade é difícil de mensurar. Denúncias formuladas em condições de tortura psicológica devem, no mínimo, ser relativizadas, e seus autores devem ser submetidos a tratamento psicológico. Isto não significa, de modo algum, que devamos aceitar, por outro lado, a impunidade como critério. As denúncias, mesmo tendo sido formuladas em situações de desequilíbrio individual, devem ser apuradas. Suspeitos e acusados devem ser investigados e, se for o caso, devem ser condenados. O que não se admite é que suspeitas e denúncias sejam utilizadas pela mídia tradicional como se fossem sentenças transitadas em julgado. O delator foi demitido da Petrobrás há dois anos, por prática de corrupção e entre os acusados e suspeitos citados por ele não há sequer o nome de um tucano, o que torna ainda mais clara a ocorrência de denuncismo seletivo por parte da mídia tradicional.
José Claudio de Paula Jaú, São Paulo, Brazil Nascido na cidade de Divinolândia, interior de São Paulo e residente, durante mais de duas décadas, no bairro de Itaquera, na zona leste da cidade de São Paulo, mora, atualmente em Jaú-SP, para onde voltou recentemente depois de residir no litoral, em Praia Grande; na região metropolitana da Capital, em Guarulhos; e em outras cidades do interior do estado como Bariri, Barra Bonita e Ribeirão Preto.

sábado, 6 de setembro de 2014

Qual vai ser o impacto das acusações de Costa nas eleições?

Qual vai ser o impacto das acusações de Costa nas eleições?


Postado em 05 set 2014
Por : Paulo Nogueira
Quanto as acusações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa pesarão nas eleições?
Preso por corrupção, Costa acusou um número incerto de políticos – as especulações variam entre 32 e mais de 60 — de serem beneficiários de um esquema de propinas em obras da Petrobras nos tempos em que ele foi diretor de abastecimento.
Ele decidiu fazer a chamada “delação premiada”, para reduzir substancialmente uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão.
Costa é uma amostra do preço das coligações pela governabilidade. Ele foi indicado para o cargo de diretor da Petrobras pelo PP, o partido de Maluf.
Ele já está na capa da Veja, conforme se poderia prever, com estardalhaço.
É provável que jornais e revistas se atirem sobre o caso com fúria, na esperança de minar a candidatura de Dilma.
A apatia da imprensa em escândalos como o do helicóptero dos Perrellas e o do aeroporto de Cláudio, para não falar das propinas do metrô de São Paulo, tende a se substituir por uma entusiasmo frenético na cobertura da delação de Costa.
Cuidados jornalísticos elementares serão ignorados. Já estão sendo, aliás. Em alguns sites, a palavra de Costa é tomada como a última expressão da verdade, muito antes de qualquer investigação.
Torça para não estar na relação, porque você não seria acusado, mas culpado antecipadamente.
Minha convicção é que o impacto das acusações nas eleições será menor, bem menor, do que gostariam os antipetistas.
A indignação, real ou fingida, vai atingir os que chamam os petistas de petralhas. São os eleitores de Aécio, no primeiro turno, e de Marina, no segundo.
Eles votariam em qualquer coisa para tirar o PT do poder. Detestam o lulipetismo, o bolivarianismo, o dilmismo – em suma, qualquer coisa que remeta ao PT.
Eles não precisam das acusações de Paulo Roberto Costa, ou de quem quer que seja, para militar e votar contra os “petralhas”.
Do outro lado, quem está com Dilma dificilmente se movimentará para outro candidato.
Há uma justa desconfiança das intenções por trás de denúncias de corrupção.
Ao longo da história recente, escândalos – muitas vezes simplesmente inventados, e outras tantas brutalmente ampliados – foram a arma da mídia para desestabilizar governos populares.
De Getúlio a Jango, de Lula a Dilma, tem sido sempre a mesma história.
As delações de Costa devem ser apuradas, e os culpados punidos. Ponto.
Mas daí a manipular o público para favorecer os privilegiados de sempre vai uma longa distância.
O povo parece ter percebido isso, nos últimos anos, e eis uma avanço de consciência que deve ser saudado.