domingo, 7 de setembro de 2014

Denuncismo seletivo e deduragem vantajosa

Denuncismo seletivo e deduragem vantajosa


Por José Cláudio de Paula.

Não existe informação inocente, ainda mais quando uma revista tem acesso a algo que corre em segredo de justiça. É óbvio que informações veiculadas na mídia tradicional sobre a Petrobras serão usadas como arma eleitoral contra o PT e contra integrantes da base aliada do governo federal. Não é estranho o denuncismo seletivo da mídia tradicional em períodos pré-eleitorais. As suspeitas se referem à Petrobras, empresa estatal que a direita brasileira quer privatizar e que o capitalismo internacional não se cansa de cobiçar. O volume das denúncias é inversamente proporcional às pressões para que a companhia seja privatizada. Os amplificadores das denúncias não confessam isso abertamente, mas está claro que o objetivo do enxovalhamento é promover a desmoralização da gestão pública na maior companhia estatal brasileira, com o objetivo de entregá-la nas mãos de particulares.
O ponto de partida das denúncias é outro problema para sua credibilidade. O autor das listas de supostos beneficiários do suposto esquema de desvio de valores na estatal é réu confesso, acusado de participação na irregularidade. É possível entender a situação de desespero de alguém que esteja às vésperas de uma condenação. Nessa situação, não é absurdo que qualquer coisa seja dita, desde que isto sirva para amenizar a penalidade a ser decidida no futuro. A existência da delação premiada já é uma aberração e um contra-senso éticos. Não é simples explicar para as futuras gerações que a deduragem merece ter alguma vantagem. É importante que os construtores do futuro tenham em mente que a prática da delação pode ser equivalente (ou maior) do que o próprio crime, principalmente quando o denunciante tem o único objetivo de obter vantagens pessoais com a deduragem.
Minha geração conviveu com pessoas que recusaram a delação como possibilidade, mesmo diante da prática odiosa da tortura. O reconhecimento do valor de denúncias formuladas com a finalidade de obter vantagem pessoal, para mim e para muitos dos meus contemporâneos, é um crime hediondo, cuja penalidade é difícil de mensurar. Denúncias formuladas em condições de tortura psicológica devem, no mínimo, ser relativizadas, e seus autores devem ser submetidos a tratamento psicológico. Isto não significa, de modo algum, que devamos aceitar, por outro lado, a impunidade como critério. As denúncias, mesmo tendo sido formuladas em situações de desequilíbrio individual, devem ser apuradas. Suspeitos e acusados devem ser investigados e, se for o caso, devem ser condenados. O que não se admite é que suspeitas e denúncias sejam utilizadas pela mídia tradicional como se fossem sentenças transitadas em julgado. O delator foi demitido da Petrobrás há dois anos, por prática de corrupção e entre os acusados e suspeitos citados por ele não há sequer o nome de um tucano, o que torna ainda mais clara a ocorrência de denuncismo seletivo por parte da mídia tradicional.
José Claudio de Paula Jaú, São Paulo, Brazil Nascido na cidade de Divinolândia, interior de São Paulo e residente, durante mais de duas décadas, no bairro de Itaquera, na zona leste da cidade de São Paulo, mora, atualmente em Jaú-SP, para onde voltou recentemente depois de residir no litoral, em Praia Grande; na região metropolitana da Capital, em Guarulhos; e em outras cidades do interior do estado como Bariri, Barra Bonita e Ribeirão Preto.

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