Ser covarde, é...

Ser covarde, é...

quarta-feira, 30 de março de 2016

“Temer Presidente”.

"Temer Presidente" O delírio de quem acha que vai ficar no poder sem voto.

Por Fernando Brito

Os gritos de “Temer Presidente” da reunião do PMDB, que conta já ter derrubado o Governo, são a expressão patética de quem entende a política apenas como um jogo de apoios, intrigas, cargos e golpes de esperteza.

Num país onde nenhuma força política é capaz de se sustentar sozinha no Governo, é inacreditável que a cúpula do PMDB – e a cúpula do PMDB hoje são Temer, Renan e Cunha – ache que possa se manter no poder apenas com acertos conchavados e entrega de nacos do Governo ao PSDB e ao baixo clero da Câmara.

Li no Facebook – não cito o autor por não saber se o nome conhecido corresponde à realidade – que ” Temer, e o PMDB, se preparam para praticar a segunda coisa que melhor sabem fazer: trair. A primeira é se aliar a quem quer que seja. A grande questão é que por mais que a traição agrade a alguns setores, ninguém perdoa os traidores. Michel Temer entrará particularmente para a história como um Judas em busca de suas trinta moedas. O seu destino, tal qual Judas, será a corda ao pescoço”.

No século 21, numa sociedade de massas e na sexta, sétima ou oitava economia do mundo (depende das circunstâncias qual delas) como é o Brasil, Governo algum é capaz de se sustentar sem legitimidade.

Vejam que mesmo com a eleição de 2014, bastou a não aceitação do resultado e a adoção do programa econômico do adversário para que a legitimidade de Dilma, ainda que com votos, se corroesse.

Que dirá a de quem não teve e não teria voto algum.

Há uma deficiência de leitura política da elite brasileira própria e coerente com o seu atraso.

Somos uma sociedade de massas, muito, mas muito mais do que éramos há meio século, quando um golpe militar e político teve poder para implantar a censura e o medo.

O que vão fazer com a internet? Desplugá-la? Abolir o Facebook, encarcerar blogueiros, mandá-los ao exílio?

Só rindo sarcasticamente disso.

‘Temer Presidente” pode ser gritado num salão com um cento de políticos, mas não pode ser gritado em esquina alguma do país.

A história do golpe de 2016 passa-se, paradoxalmente, antes em seu futuro que em seu presente.

Neste, dado o estado vergonhoso das instituições, poderá até prevalecer.

Mas, no “day after“, não terá como se impor.

Seremos um país sem governo legítimo, sequer legítimo na alegação de que teve votos para se constituir.

Nem mesmo nos atos da direita na Avenida Paulista terá aceitação, se não lhes der sangue humano para beber.

Com Temer ou sem ele, ou caminho de um governo nascido do golpe é o do autoritarismo.

E o autoritarismo é o passado, do qual o poeta, este vidente, já cantou: ” é uma roupa que não nos serve mais”.

sábado, 19 de março de 2016

O MINISTRO BARROSO NÃO PODE MAIS SE OMITIR DIANTE DAS BARBARIDADES DE GILMAR.

O MINISTRO BARROSO NÃO PODE MAIS SE OMITIR DIANTE DAS BARBARIDADES DE GILMAR.
POR PAULO NOGUEIRA.


Sem um único voto exceto o de FHC ao conduzi-lo ao STF, Gilmar Mendes é um dos mais

desequilibrados, mais petulantes e mais descarados políticos em ação no país.

Mas qualquer coisa que ele faça já não é surpresa.

O que realmente surpreende é a falta de resposta à altura para seu trabalho cotidiano de

desmoralização da Justiça.

Gilmar se vale da omissão generalizada – excetuada aí a voz das ruas – para continuar a cometer

suas barbaridades.

Ele não se tornou este monstro jurídico de um dia para o outro. Veio subindo degraus, sem que

ninguém se opusesse, num caso de tolerância 100%.

Como bobo não é, notou desde o princípio que a imprensa lhe deu retaguarda e apoio para as

crescentes transgressões.

Tarde demais agora para fazer alguma coisa?

Não, não e não. Numa de suas sentenças mais sábias, Epicuro disse que nunca é cedo demais e nem

tarde demais para fazer qualquer coisa virtuosa.

Gilmar Mendes pode e deve ser detido.

Seu colega Barroso deu um primeiro passo, dias atrás. Numa sessão do STF, ele disse que não se

comporta como se estivesse num diretório acadêmico e nem age como comentarista político. Era uma referência ao vociferante colega Gilmar.

Foi insuficiente, mas foi alguma coisa.

Trata-se, agora, de elevar o tom. Não basta sussurrar quando o adversário berra. Não basta apelar

ao bom senso quando ele transgride deliberadamente.

Situações extremas demandam respostas à altura. E este é o caso de Gilmar.

Sob pena de conivência com a desintegração do Estado de Direito incentivada por Gilmar, seus

pares no STF que zelam pelas instituições têm que deixar clara sua reprovação.

Gilmar transformou o STF num circo extraordinariamente perigoso para as instituições.

Nada seria tão importante num processo de reabilitação moral da Justiça quanto remover este foco

abjeto de afronta de injustiça.

Gilmar é um exemplo péssimo para os jovens aspirantes a seguir a carreira na Justiça. Ele é a

negação daquilo que um juiz deve ser.

Bom juiz é aquele cuja decisão não se conhece antecipadamente. Ele vai examinar os fatos e depois se pronunciar.

Você sabe exatamente como ele vai votar. Numa casa de apostas de Londres, decisões de Gilmar não pagariam nada. Porque os apostadores saberiam exatamente o que ele faria.

Essa parábola não poderia ser mais reveladora.

Tudo isso para reforçar a necessidade de uma reação enérgica a este juiz-que-não-é-juiz.

Ninguém com mais autoridade que Barroso para liderar isso.

Barroso não tem escolha. Ou ele mostra à sociedade que Gilmar não é referência de juiz e o

desmascara vigorosamente – ou passará para história como mais um personagem de um período

sinistro da Suprema Corte e da Justiça como um todo.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Acham Que Pegaram Lula E Dilma. Na Verdade, Pegaram Você

“Acham Que Pegaram Lula E Dilma. Na Verdade, Pegaram Você”, Diz Renato Janine Ribeiro

Para o filósofo e ex-ministro, o grampo de Dilma e Lula abre precedente para que arbitrariedades sejam cometidas contra qualquer cidadão.
Em um texto publicado em sua página pessoal no Facebook, o filósofo e ex-ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, criticou o grampo de conversas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff, interceptado pela Polícia Federal e divulgado na imprensa do País na noite de ontem (16).
Ao comentar o episódio, Janine enfatizou o caráter arbitrário da medida, condenada por juristas como Dalmo Dallari, e advertiu que ela abre precedente para que decisões de exceção sejam cometidas contra qualquer cidadão brasileiro.

Leia a seguir o texto na íntegra

“Esqueçam por um momento que foram Dilma e Lula os grampeados ilegalmente ontem à tarde. Pensem que, agora, não há mais limite algum ao grampo ilegal e a seu uso igualmente ilegal. A qualquer momento, um policial e um juiz podem mandar gravar você. Você, empresário, psicólogo, o que seja. Conheço psicólogos que atendem pelo telefone. Podem ser grampeados – e com boas razões, porque, afinal, há clientes que superfaturam ou corrompem, e que contam isso ao terapeuta. Há sacerdotes que ouvem confissões. Confissão é de coisa errada, não é? Ótima razão para gravar e apurar. Empresários podem sonegar, ótima justificativa para grampeá-los, todos, não é? Mesmo que não soneguem. Isso já começou, quando o sigilo acusado-advogado foi rompido. Claro, o acusado é bandido, não é? E nestas gravações, caro amigo, cara amiga, podem descobrir coisas que nem desonestas são, mas que vão te causar um mal danado. Podem descobrir, empresário, que você pretende lançar um novo produto na praça. E podem divulgar este segredo para seu concorrente. Podem descobrir que o analisando teve um filho antes de casar, que pretende reconhecê-lo, mas que está difícil fazer isso porque vai dar problemas com o cônjuge. Todo mundo tem uma vida íntima. Esta vida íntima pode ser gravada. Pode ser divulgada pela Internet ou vendida a uma pessoa que não gosta de você.

É por isso que as liberdades burguesas – faço questão de usar o nome meio pejorativo que a esquerda lhes deu, mas que tem uma certa razão, porque são liberdades do indivíduo contra a interferência do Estado – são tão importantes. Hoje muitos estão felizes porque acham que pegaram Lula e Dilma. Na verdade, pegaram você. Você não tem mais proteção contra os agentes da lei. Eles farão com você o que quiserem. Poderão chantagear você.

E não venha com o quem não deve não teme. A vida íntima não é feita de ilegalidades. Ela é feita de segredos, sim, que ninguém tem o direito de invadir. Ninguém tem o direito de saber uma multidão de coisas que são suas. OK, Mark Zuckerberg sabe. Mas ele está interessado em big data e não em você especificamente. Então fique contente, e quando sua vida pessoal for exposta, lembre que você apoiou isso.

(Reflexão depois de ouvir a gravação Lula-Eduardo Paes. Nada de relevante para a sociedade saber, Nada mesmo. Puro exercício de prepotência: vejam quem manda. E mesmo isso – a brincadeira de Paes que Lula, você tem alma de pobre – está vindo à tona. Quando pegarem sua vida íntima, debocharem de seus gostos, venderem sua intimidade, aproveite sua descida aos infernos para fazer contrição, confissão, talvez comunhão).”

segunda-feira, 14 de março de 2016

Policia Federal como bolo de cereja do dia 13.


Polícia Federal como cereja do bolo do dia 13


Desde que o Partido dos Trabalhadores assumiu a gestão do Pais, um mantra passou a ser repetido pela dita “grande imprensa” - o tal “aparelhamento do estado”. Logo, os seus seguidores passaram a repeti-lo, inclusive dentro da Polícia Federal, mesmo que nenhum cargo de confiança tenha sido entregue a qualquer petista ou simpatizante. O detalhe é que, quando é usado tal argumento para demonstrar a inconsistência dessa assertiva, leia-se, mantra, a resposta que se ouve é um lacônico “graças a Deus”.

O oportunismo classista de uma entidade de classe dos delegados federais, na manifestação de ontem, demonstra a clara falta de isenção. Reflete, no fundo, o sentimento de uma categoria, que de há muito já mostrou preferências eleitorais. Desse modo, a palavra isenção não vai além de uma simples retórica, dentro da Polícia Federal. Basta um simples olhar nas páginas de muitos delegados federais nas redes sociais.

Abro espaço para falar de um aparente perfil dominante da Polícia Federal.
Não preciso falar do perfil policial da época da ditadura, sobejamente conhecido ou presumido. Quero lembrar que nesse mesmo espaço, deixei documentado que em diversas oportunidades a PF não realizou concursos em São Paulo, porque até cobrador de ônibus tinha um salário melhor do que o de um agente ou escrivão. Assim, em que pese o grande número de vagas existente em São Paulo, os policiais vinham de outras regiões mais pobres.
Desse modo, o que atraiu o atual contingente da PF foram os salários, substancialmente melhorados, diga-se de passagem, na gestão do Partido dos Trabalhadores. A propósito, o salário de um policial da PF era uma ninharia e o restante eram gratificações e mais gratificações, criadas e extintas conforme a conveniência do gestor de plantão.
Por que falo disso? Porque bons salários atraem outro tipo de público. Leia-se, só os que estudaram em escolas particulares, universidades caras ou públicas, versado em uma ou mais línguas e outras habilidades é que passaram a ter acesso à PF. Disso se deduz que são pessoas egressas predominantemente da classe média, alta ou baixa, que compõem o novo perfil. A PF, predominantemente, é formada por classe media, aquela na qual predominam determinados valores elitizados. E, sequer pode-se falar tanto em vocação, já que, segundo a lenda dos “canas-duras”, a categoria agrega procuradores da República e juízes frustrados. A prevalecer o raciocínio dos “canas-duras”, ser delegado federal “foi o que deu pra hoje”, sempre ressalvando as exceções, conjecturas e elucubrações. Sob qualquer ângulo que se analise esse perfil, a conclusão óbvia é da predominância dentro da PF dos denominados valores “classe média”, aquela classe social sobre a qual ironicamente se diz que, “compra o que não precisa com o dinheiro que não tem, para se exibir para pessoas das quais não se gosta”. É, pois, de se imaginar, que respeitadas as exceções, que a influência desse ideário sobre qualquer operador do Direito pode arranhar a imparcialidade.
Desse modo, bom ficar claro que os ocupantes de cargos da PF, Ministério Público e Justiça Federal seguem a mesma linha e não vêm de outro planeta. São egressos da sociedade com suas contradições. Assumem funções públicas com a bagagem cultural socioeconômica de suas respectivas origens. No caso, ficam explicados os tratamentos reverenciais, tais como “excelência”, as mesas e cadeiras mais altas e os ternos olhares do “você sabe com quem está falando?”.
A imparcialidade é uma utopia humana. Presa na subjetividade, ela exige um permanente exercício para que não se exteriorize o inverso – a parcialidade. Não é o que temos visto. O juiz Sérgio Moro, por exemplo, apesar da atribulada agenda e do volumoso processo que se presume compor a Lava Jato, ele não mede esforços para aceitar convites para receber prêmios, fazer palestras, com invitáveis pronunciamentos de conotação política. Até sua genitora vem sendo homenageada por ter trazido ao mundo um novo Messias.
Com esse perfil classe média, visível na PF e noutras instituições, soa natural a identificação de tais servidores com políticos conservadores. Mas não para por aí. A PF também abriga um segmento de delegados mais radical ainda. Nesse outro grupo, constata-se uma verdadeira paranóia anticomunista e grandiloquências politiqueiras exteriorizadas por muitos em redes sociais. O exemplo mais visível estaria em um servidor que, segundo a lenda, almejava um cargo nos Estados Unidos. Como teria sido preterido, hoje, não poupa ofensas à Presidente Dilma Rousseff e aqui ali mostra os “avanços do comunismo no Brasil”.
Sem isenção aparente, se o tal aparelhamento da PF existe, ele está pelo avesso. O verdadeiro aparelhamento da instituição é outro, marcado pelo perfil não isento de muitas de suas autoridades.
Desse modo, a presença de delegados federais no protesto de ontem não parece ser novidade. Fatos que pareciam isolados, simples fogueiras de vaidade, como as duas investidas contra o ex-Presidente Lula, se afiguram compor um mesmo universo. Serviram, na prática, para reacender a indignação dos derrotados nas últimas eleições presidenciais. Tudo em sintonia com o insuflar da dita “grande mídia”. Não deu outra. O movimento de ontem ganhou expressão numérica, mas permanece vazio de conteúdo. Mas a PF não perdeu a condição de cereja desse bolo.
*Armando Rodrigues Coelho Neto - jornalista e advogado, delegado aposentado da Policia Federal, ex-representante da Interpol em São Paulo

sexta-feira, 11 de março de 2016

Você acha que Moro quer combater a corrupção?

Você acha que Moro quer combater a corrupção?

Jorge Furtado, via Brasil 247 em 8/3/2016

Lula é o cara chato que cobrava propina da UTC?
Não. Esse era o Aécio.
Lula recebia 1/3 da propina de Furnas?
Não. Esse é o Aécio também.
O helicóptero com 450kg de cocaína era do amigo do Lula?
Não. Era do amigo do Aécio.
Lula comandava o estado que roubou R$1 bilhão do Metrô e da CPTM?
Não. Esses são o Serra e o Alckmin.
Lula tá envolvido no roubo de R$2 bilhões da merenda?
Não. É o Alckmin também.
Lula pegou emprestado o jatinho do Youssef?
Não. Esse era Álvaro Dias.
Lula foi o cara que montou o esquema Petrobras com Cerveró, Paulo Roberto Costa e Delcídio?
Não. Esse era o FHC.
Lula nomeou o genro diretor da Petrobras?
Não. Foi o FHC também.
Lula é o compadre do banqueiro André Esteves?
Não. Esse era o Aécio, de novo.
Lula é meio-primo de Gregório Marin Preciado, aquele que levou US$15 milhões na venda de Pasadena?
Não. Esse é o Serra, aquele que a Lava-Jato apresenta com tarja preta pra imprensa.
Lula foi descoberto com uma dezena de contas no exterior, ameaçou testemunhas, prejudicou alguma investigação?
Não. Esse é o Cunha, aliado da oposição.
Lula ameaçou empresários, exigiu US$5 milhões, só de um deles?
Não. Esse também é o Cunha, o homem do impeachment da oposição.
O filho do Lula aparece na revista de milionários Forbes?
Não. É a filha do Serra…
Isso é para quem acha que Moro e turma querem combater a corrupção.
Jorge Furtado é cineasta.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Lula: Ou vira Ministro ou aguarda ordem de prisão.

Lula: Ou vira ministro ou aguarda ordem de prisão.
Por Tereza Cruvinel, Colunista do 247, uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País.
Estão no ar os sinais de que em breve o juiz Sergio Moro vai pedir a prisão do ex-presidente Lula, que jamais aceitou a ideia de proteger-se contar exorbitâncias de instâncias inferiores do Judiciário assumindo um ministério no governo Dilma, o que lhe daria o foro especial do STF. Não tendo nada a temer, por que passaria a ideia de que burlava a Justiça? Mas esta decisão anterior de Lula baseava-se no pressuposto de que vivemos numa democracia em que as regras do Estado de Direito são observadas. Muito antes da violência de sexta-feira, entretanto, a Lava Jato já havia cruzado a fronteira. Recusando o cargo e o foro privilegiado, Lula estará na posição de um procurado pela ditadura que se recusava a fugir para o exílio, mesmo sabendo que acabaria sendo preso e torturado.
Não é a primeira vez que se cogita da blindagem de Lula contra os excessos da Lava Jato através de sua nomeação para um ministério. Eu mesma escrevi neste blog, na formação do ministério Dilma para o segundo mandato, que foi considerada a hipótese de ele tornar-se chanceler. Ela não prosperou porque ele a repeliu. Agora, as conversas sobre a hipótese estão em curso e se prevalecerem o bom senso e a ética da responsabilidade – para com todos que ele representa, para com seu partido e para com seu próprio legado – as providências precisam ser rápidas. Antes que Moro, alegando o risco de ele “fugir” para o foro privilegiado, antecipe a prisão que já parece programada.
Não há no Brasil quem não perceba que a prisão de Lula está nos planos da Lava Jato. Durantes meses a “força tarefa” desconversou, dizendo que ele não estava sendo investigado ou que era citado apenas como testemunha. E com isso o desarmava e o fazia crer que não precisava do foro especial previsto na ordem democrática que ele ajudou a construir. Mas agora os sinais estão aí para quem quiser ver, depois da condução coercitiva e dos abusos que alcançaram o caseiro do sítio de Atibaia e várias outras pessoas do Instituto Lula ou próximas do ex-presidente.
Um eloquente sinal de que a prisão virá está no fato de que a Polícia Federal reforçou a segurança do juiz Sergio Moro. Segundo o Correio Braziliense, o presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Federal no Paraná, Algacir Mikalovski, informou ontem (8/3) que a corporação recrutou “dezenas” de homens em esquema de revezamento para garantir proteção permanente de 24 horas a Moro. O juiz de camisa preta não pediu a providência, mas a PF decidiu adotá-la motivada por “ameaças” que teriam se intensificado após a condução coercitiva de sexta-feira passada. O que eles constaram é que se Moro mandar prender Lula, as reações populares serão muito mais fortes dos que as ocorridas no final de semana que se seguiu ao depoimento coercitivo. Aproxima-se um final de semana tenso, em que podem haver manifestações conflitantes, contra e a favor de Dilma, Lula e PT.
Nas redes sociais circulam, inclusive, notícias não confirmadas por fontes oficiais, de que a PF em verdade planejava levar Lula para Curitiba e por isso o levou para a sala da corporação no aeroporto de Congonhas, com a desculpa de que era para garantir sua segurança. Ali ele seria embarcado para Curitiba. mas a PF teria enfrentado a resistência da Polícia da Aeronáutica, responsável pela segurança do aeroporto. Este plano pode não ter existido e ser fruto de especulações. mas o simples fato de Lula ter sido levado para Congonhas já foi uma forma de intimidá-lo com a hipótese de que estava sendo levado para Curitiba. Ele disse ter se sentido “prisioneiro”. Talvez como um prisioneiro da ditadura quando lhe colocavam o capuz. O prisioneiro, já não sabendo para onde estava sendo levado, chegava ao destino “quebrado”.
Se a prisão é questão de tempo, Lula não pode mais recusá-la por conta do que vão dizer e do que vão pensar. Ele não estará fugindo da Justiça. Vai responder mas perante um tribunal isento e comprometido com as garantias constitucionais, o STF. Moro, a Lava Jato e sua força tarefa, composta por procuradores e policiais federais que se entendem como justiceiros, já não podem jurar isenção e neutralidade. Nem os apoiadores tentam negar as evidências de que perseguem um desiderato político, pondo em risco a democracia e o Estado de Direito.
Compreendendo isso, Dilma deve mesmo convidar Lula para uma pasta. Compreendendo isso, Lula deve aceitar. E o STF esclarecerá as acusações levantadas contra ele mas observando as garantias que a Constituição assegura.