domingo, 25 de setembro de 2016

As Elites Conservadoras, o Pelourinho e o PT

As Elites Conservadoras, o Pelourinho e o PT

*Lula Miranda

Se todos os grandes partidos cobram propinas em suas gestões, por que só o Partido dos Trabalhadores está sofrendo essa verdadeira devassa e perseguição, tanto pelo Judiciário quanto pela grande imprensa do país?

E o PMDB, o PSDB, o PP, o PTB – notórios “ladrões” da República?

Tá aí uma pergunta legítima de se fazer. Ou você não havia ainda se feito essa pergunta? Ou nem sequer quer que ela seja feita - não é mesmo?

Por que apenas os políticos, tesoureiros, marqueteiros, banqueiros e os empresários, de algum modo associados ao Partido dos Trabalhadores ou que a este tenham prestado serviço, são investigados, acusados, presos e condenados - nessa ordem. Não são sequer julgados de fato e de direito, pois são todos, prévia e sumariamente, condenados com base em "delações premiadas", nas quais os verdadeiros criminosos são postos em liberdade com o singelo adereço de uma tornozeleira eletrônica preso ao pé.

Por que só o PT?

Insisto, de modo inconveniente, decerto, na pergunta que não quer calar.
É uma pergunta que todos devemos nos fazer, antes de qualquer julgamento definitivo; antes de condenar, de modo precipitado, intempestivo e peremptório; antes de determinar a "desgraça", o "fim" desse partido político que foi tão importante em nossa história contemporânea.
Segue uma possível resposta: é o velho mecanismo da intimidação e subjugação pela violência, pelo medo, pela punição e castigo. Nem precisa ter lido Foucault!
Se nos tempos de antanho dispunha-se da chibata, dos pesados grilhões e do pelourinho para dar espetacular publicidade às punições "exemplares" a que eram submetidos os escravos fujões, e assim impedir que outros seguissem o (mau) exemplo, hoje as elites conservadoras dispõem do Judiciário, de parte do MP, e da grande imprensa de negócios e negociatas.
Ou seja: o Judiciário, o Ministério Público (a PF, a PM) e a grande imprensa fazem o papel de capatazes ou de "João das Mortes" (de caçadores de escravos fujões e cangaceiros), chibata e pelourinho - mais ou menos nessa ordem.
O recado é claro: não tentem mudar a ordem das coisas, tampouco ousem juntar-se àqueles que querem mudar a ordem "natural" das coisas e o "legítimo" curso da história, que, não custa lembrar, é escrita pelos vencedores de sempre: "escravo é escravo, e deve saber o seu devido lugar na sociedade; e aqueles que a estes se juntarem em sua vil e vã sanha libertadora, serão severa e emblematicamente castigados".
Depois que as nossas elites conservadoras punirem, de modo exemplar, os supostos libertadores de escravos, a escravidão voltará a imperar, o "couro a comer" na carne, e a chibata voltará a estalar no lombo dos pretos, das putas e dos pobres em praça pública.
Ou você ainda não havia se dado conta de que os trabalhadores de hoje são os escravos de ontem?
Ou você ainda não havia entendido direito o recado?
Ou ainda não havia se dado conta que a Casa Grande hoje está em festa?
E que tem um bando de canalhas, os mesmos de sempre, sorrindo nas fotos estampadas nos jornais e nas imagens veiculadas no Jornal Nacional.

*Lula Miranda Poeta, cronista e economista. Além de colunista do 247, publica artigos em veículos da chamada imprensa alternativa, tais como Carta Maior, Caros Amigos, Observatório da Imprensa e Fazendo Média.

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