Ser covarde, é...

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domingo, 23 de abril de 2017

Lula desmascara Léo Pinheiro

Lula divulgou de maneira didática as contradições e a pressão por uma delação envolvendo seu nome. O material é sensacional.

Acompanhe a cronologia da pressão sobre Léo Pinheiro:

A primeira prisão de Léo Pinheiro data de novembro de 2014. No entanto, cinco meses depois, em abril de 2015, o Supremo Tribunal Federal decidiu que ele fosse colocado em prisão domiciliar.

Condenado a 16 anos de prisão, o empresário aceitou fazer uma delação premiada. Porém, num episódio que lembra um famoso vídeo do canal humorístico Porta dos Fundos, sua delação foi recusada em junho porque, segundo matéria publicada na Folha de São Paulo, não incriminava o ex-presidente.
No final de agosto, a Procuradoria-Geral suspendeu as negociações com Léo Pinheiro e a OAS. Os advogados de Lula pedem que sejam apuradas as informações de que a delação foi recusada por inocentar o ex-presidente.

Duas semanas depois de recusada a primeira delação de Léo Pinheiro, o empresário foi preso novamente. Segundo o despacho do juiz de primeira instância Sergio Moro, para "garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e segurança da aplicação da lei penal". Começava aí a uma nova fase de pressões na fabricação da delação.

Em outubro de 2016, um blog que atua como assessoria de imprensa clandestina dos promotores da Lava Jato publica uma nota revelando qual era o verdadeiro objetivo da prisão de Léo Pinheiro: obter qualquer afirmação que corroborasse a insustentável tese de que Lula seria dono de um apartamento no Guarujá.

A pressão se intensifica sobre o empresário em novembro, quando sua pena é aumentada em 10 anos. O Estadão noticiou o caso e fez referência à dificuldade em se conseguir uma delação de Léo Pinheiro.

Finalmente, em abril de 2017, Léo Pinheiro se dobra, troca de advogados e faz o depoimento que os procuradores queriam incriminando Lula. O empresário diz ter sido o único responsável dentro da OAS pela questão do triplex e deixa claro que não tem provas do suposto acerto.

Advogados deixam defesa de Léo Pinheiro por conflito de interesses

A prova de que a delação fabricada já estava até nas mãos da imprensa é que jornal Valor Econômico anuncia o depoimento horas antes dele acontecer, assim como o blog de assessoria clandestina de imprensa dos procuradores da Lava Jato em todos os vazamentos ilegais que saem da equipe.
Léo Pinheiro vai dizer hoje que triplex era de Lula, afirma Valor.
Na condição de réu, Léo Pinheiro tem o direito constitucional de mentir para se proteger. Como testemunha, no entanto, ele está proibido de mentir. O juiz de Curitiba foi questionado para esclarecer a situação, mas não viu contradição entre a negociação com o Ministério Público por benefícios penais e a busca da verdade no processo.
O depoimento de Léo Pinheiro contradiz depoimentos anteriores de funcionários da OAS, feitos com o compromisso de dizer a verdade, que disseram que Lula não seria o dono do apartamento, mas um potencial cliente. Além disso, uma série de documentos comprovam que até hoje a OAS é a detentoda da propriedade do imóvel.
Um Power-Point prova que o triplex não é de Lula.
A narrativa negociada com o réu Leo Pinheiro muda substancialmente a denúncia apresentada pelo MPF naquele famoso power-point. Os procuradores acusaram Léo Pinheiro de ter transferido a propriedade para a família Lula da Silva em outubro de 2009, quando a OAS assumiu formalmente o empreendimento. Era uma acusação contrária aos fatos, testemunhos e documentos. Uma acusação absolutamente insustentável.
Também era (e é) insustentável a tese de que, desde 2009, o imóvel seria dado em troca de três contratos da OAS com a Petrobras. Isso foi desmentido pelas auditorias externas e pelos depoimentos dos réus colaboradores Pedro Barusco e Alberto Youssef. Na farsa negociada com os procuradores da Lava Jato, Léo Pinheiro mudou sua versão e passou a dizer que:
a) João Vaccari exigiu que o triplex fosse "reservado" para Lula; e
b) que o custo do imóvel e das reformas teria sido "deduzido" de supostos valores comprometidos pela OAS com o PT.
Claramente, a falsa versão negociada com Léo Pinheiro destina-se a cobrir os furos e inconsistências da denúncia do power-point, além de transferir sem provas, para outra pessoa (Vaccari), a responsabilidade pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro pelos quais Pinheiro é acusado na ação. Trata-se de uma farsa em favor do réu e dos levianos promotores.
Vivemos uma situação pior à que ocorreu no mensalão, onde o que valeu foi o Domínio do fato.
Agora, os horrores jurídicos assombram pelo fato que o que prova os crimes de Lula, simplesmente as faltas de provas, levando a lava jato condenar Lula por "destruir" as provas. Como provar que alguém destruiu provas se elas não existem mais ou nunca existiram? Bem, isso fica a cargo do juiz tucano que quando é para beneficiar o Lula, ele declara que "isso não vem ao caso".

quinta-feira, 16 de março de 2017

O truque de janot para impedir a candidatura de Lula

O que poderia ser celebrado como sinal de normalidade institucional – os pedidos do Rodrigo Janot ao STF para abrir inquéritos das delações da Odebrecht – na realidade é apenas um truque do procurador-geral para [i] proteger o bloco golpista, em especial o PSDB; mas, sobretudo, para [ii] viabilizar a condenação rápida do Lula e, desse modo, impedir a candidatura do ex-presidente em 2018, isso se a eleição não for cancelada pelos golpistas.
Janot seguiu fielmente Maquiavel: "aos amigos, os favores; aos inimigos, a lei". Os golpistas, cujos indícios de crimes são contundentes, com provas de contas no exterior, jantares no Palácio Jaburu, códigos secretos para recebimento de dinheiro da corrupção e "mulas" para carregar propinas, serão embalados no berço afável do STF.
Lula, sobre quem não existe absolutamente nenhuma prova de crime, foi denunciado por Janot e será julgado por Sérgio Moro, um juiz parcial, que age como advogado de acusação. Ele é movido por um ódio genuíno e dominado por uma obsessão patológica de condenar Lula com base em convicções [sic]. Janot entregou a este leão faminto e raivoso a presa tão ansiada.
Os fatores que permitem prospectar esta hipótese da sacanagem do Janot são:
1. as listas parciais divulgadas em 14 e 15/03/2017 implodiriam qualquer governo, quanto mais o apodrecido e ilegítimo governo Temer – implodiriam, mas não implodirão, porque estamos num regime de exceção;
2. foram denunciados nada menos que: seis ministros [Padilha, Moreira Franco, Aloysio Nunes, Bruno Araújo, Kassab e Marcos Pereira] + os dois sucessores naturais do presidente em caso de afastamento do usurpador [Rodrigo Maia e Eunício Oliveira] + o idealizador da "solução Michel" para estancar a Lava Jato, atual presidente do PMDB [Romero Jucá] + o presidente do PSDB [Aécio "tarja-preta"] + quatro senadores da base do governo + cinco governadores + três deputados que apóiam Temer + três senadores da oposição + dois deputados de oposição;
3. uma pessoa iludida poderia concluir: "é uma decisão corajosa e imparcial do Janot"; afinal, ele investiga personagens poderosos e, aleluia, inclusive o PSDB. Ilusão: esta é, exatamente, a manobra diversionista do Janot;
4. os denunciados do governo golpista, todos eles, inclusive os sempre protegidos tucanos, têm foro privilegiado, e por isso serão investigados pelo STF, e não nas instâncias inferiores do judiciário [com minúsculo]. É verdade que Janot denunciou também golpistas sem foro privilegiado. Esses, porém, são as "genis" Eduardo Cunha e Sérgio Cabral, já presos; e Geddel Vieira Lima, que já está no corredor do cárcere;
5. o supremo [com minúsculo], demonstram estudos da FGV, é a instância mais lenta, mais politizada [eventualmente mais partidarizada, para não dizer tucana] e mais inoperante do judiciário. A primeira lista do Janot, por exemplo, entrou no sumidouro do STF há dois anos [em março/2015], e lá dormita até hoje, sem nenhuma conseqüência na vida dos políticos denunciados por corrupção;
6. a composição ideológica do STF é aquela mesma que, agindo como o Pôncio Pilatos da democracia brasileira, lavou as mãos no processo do impeachment fraudulento, e assim converteu o supremo em instância garantidora do golpe de Estado que estuprou a Constituição para derrubar uma Presidente eleita com 54.501.118 votos; 7. é fácil deduzir, portanto, qual será a tendência do STF na condução dos processos dos golpistas. Se esses julgamentos iniciarem antes de 2021, será um fato inédito.
A lista do Janot é um instrumento ardiloso da Lava Jato e da mídia para a caçada do Lula. Janot faz como o quero-quero, pássaro que grita longe do ninho para distrair os intrusos, afastando-os dos seus filhotes.
As instituições do país estão dominadas pelo regime de exceção que violenta a Constituição para permitir um processo agressivo e continuado de destruição dos direitos do povo, das riquezas do país e da soberania nacional.
O anúncio imediato da candidatura presidencial do Lula, abrindo uma etapa de mobilizações permanentes e gigantescas do povo, é a urgência do momento. É a garantia de proteção popular do Lula contra os arbítrios fascistas do regime de exceção e, ao mesmo tempo, fator que pode modificar a correlação de forças na sociedade.
O êxito dos protestos deste 15 de março, que levaram milhões de trabalhadores às ruas em todo o país, é um sinal positivo da retomada da resistência democrática e da luta contra o golpe e os retrocessos.
A democracia e o Estado de Direito somente serão restaurados no Brasil com a mobilização popular intensa e radical, e a candidatura do Lula é um motor para esta restauração.

Jeferson Miola
Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Canalhas! Canalhas! Canalhas!

Canalhas! Canalhas! Canalhas!

Postado em fevereiro 3, 2017 por Moisés Mendes

Esperei por muito tempo, sem grandes expectativas, pelo dia em que finalmente escreveria a palavra repetida neste título. Digito a palavra pela primeira vez para identificar os jornalistas que contribuíram para que a caçada a Lula se estendesse a dona Marisa Letícia e acabasse por provocar sua morte.

Não são canalhas uma única vez. São várias vezes canalhas. Canalhas! Canalhas! Canalhas! São mil vezes canalhas os que se aliaram ao golpe que derrubou Dilma Rousseff e passaram a cercar covardemente Lula, seus filhos, sua mulher, seus parentes, sempre com o pretexto lacerdista da moralização da política.

São canalhas os cúmplices dos corruptos golpistas no poder. São canalhas os que escreveram livros com ataques à Lula para tentar ganhar fama e dinheiro com acusações infantis e sem provas. São canalhas os que se dedicaram quase que diariamente a atiçar a Polícia Federal, o Ministério Público e a república de Curitiba contra Dilma e Lula.

São canalhas os jornalistas golpistas que devem ter escrito ontem sobre a morte de Marisa Letícia. Muitos de seus textos irão aparecer hoje nos jornais. São canalhas os que se atreverem a expressar sentimentos magnânimos, porque estariam acima de discordâncias e ideologias.

O jornalismo golpista ajudou a matar Marisa Letícia, processada desde setembro pelo juiz Sergio Moro.

Nunca Aécio Neves, o mais delatado dos políticos brasileiros, foi processado. Nunca abriram inquérito contra a irmã de Aécio, denunciada como recebedora de propinas para o tucano. Nunca investigaram José Serra, o homem dos R$ 23 milhões da Odebrecht na Suíça.

Nunca quiseram saber onde foram parar os R$ 10 milhões que o tucano Sergio Guerra recebeu de empreiteiras para melar uma CPI da Petrobras. Nunca condenaram nenhum tucano do metrô superfaturado e da merenda roubada de São Paulo.

Mas pegam os parentes de Lula e os parentes de amigos de Lula. E pegaram Marisa Letícia, porque era mulher de Lula e estaria envolvida na história fajuta do tríplex do Guarujá.

O jornalismo canalha ajudou na caçada a Marisa Letícia. O mesmo jornalismo canalha que poupa tucanos e amigos do homem do Jaburu e que agora irá simular que chora a morte de Marisa.

Jornalistas canalhas não devem evitar hoje a tentação da farsa dos textos de pesar pela morte de quem eles ajudaram a matar. Jornalistas canalhas devem ter a grandeza de serem canalhas autênticos.

E jornalistas canalhas autênticos devem escrever artigos cheios de lirismo e delicadezas sobre dona Marisa Letícia. Escrevam e publiquem. Os leitores sabem identificar o texto de um jornalista canalha.

(Apenas para lembrar, a expressão “canalha” foi consagrada pelo deputado Tancredo Neves, como reação ao golpe de 64, quando ele a repetiu duas vezes contra Auro de Moura Andrade, presidente do Senado, no momento em que este declarou que a presidência da República estaria vaga. O neto de Tancredo é um dos golpistas de hoje.)