quinta-feira, 26 de julho de 2018

Luis Nassif: Xadrez da lógica do PT com as eleições

Na terça-feira, 24/07/2018 participei de uma reunião com estrategistas da Executiva do PT. O tema principal da conversa foi a decisão de manter a candidatura de Lula até o último momento.

No geral, concordam com todos os riscos apontados no artigo “Xadrez da maior aposta de Lula”. Mas levantam argumentos sólidos a favor da tese da candidatura de Lula. Em todo caso, o que se tem, na opinião abalizada de um dos presentes, é uma nova etapa, caótica e imprevisível como foram os anos 30 e 80, tornando impossível definir como será o novo.

Peça 1 – os ativos do PT

Os dois principais ativos do PT são:

1 - Eleitoral: garante as eleições imediatas.

É o partido com maior número de eleitores e o candidato, Lula, favorito absoluto para as próximas eleições. Mas tanto o governo Dilma quanto o candidato Lula alvos do golpe do impeachment, tentando impedir sua candidatura. Atropelando a Constituição e as leis, o golpe tenta impor uma derrota eleitoral a Lula.

2 - Político: garante a perenidade do partido.

No caso de Lula-PT, seu acervo político é o projeto de desenvolvimento social do partido, já testado e aprovado no período Lula, com defesa da produção nacional e da distribuição de parte dos benefícios do desenvolvimento. É o que legitima partidos, garantindo sua perenidade. A intenção do golpe não foi apenas inviabilizar eleitoralmente o PT, mas matar politicamente Lula. É o que explica os abusos reiterados contra seus direitos, desde os factoides dos pedalinhos até a invasão da sua casa, revirando até sua cama, o grampo nos escritórios de advocacia que o defendem, a condução coercitiva e a sequência monumental de acusações repetidas por todos os meios de comunicação.

E, no entanto, o resultado final representou uma derrota política do golpe. O movimento tornou explícitas as jogadas políticas no Judiciário, Ministério Público, Executivo, Mídia, vitimizou Lula, gerou reações internacionais, aumentou sua popularidade e aprovação, conferindo-lhe uma vitória política expressiva. Prenderam o homem, nasceu a lenda.

A intenção da candidatura Lula, para o PT, é preservar esse ativo.

Peça 2– os problemas da frente ampla.

Como partido nacional, o PT padece das mesmas dificuldades do federalismo brasileiro: como manter a unidade nacional e, ao mesmo tempo, atender às peculiaridades de cada estado e cada candidato ao governo, cada qual montando seu arco de alianças?

Há convicção na Executiva do PT que, se não fosse o movimento em torno de Lula, o partido teria se dividido em arquipélagos regionais. Portanto, o primeiro motivo da candidatura Lula foi manter o PT unido.

O segundo motivo – e mais relevante – é a preservação da vitória política. A história está repleta de precedentes de partidos que abdicaram da disputa política e não mais se recuperaram. É o caso do PC italiano e do próprio PCB brasileiro pós 64, que perdeu o protagonismo na esquerda, sendo substituído pelo próprio PT.

No entendimento dos estrategistas do PT, montar uma frente de esquerda e entregar a cabeça de chave a alguém de fora do partido seria jogar fora o protagonismo futuro do PT. Ou, na expressão de um dos estrategistas do PT, “estariamos entregando de bandeja ao pacto autoritário a nossa visão de futuro. Assim, o golpe se materializaria”.

O terceiro motivo foi o fato do PT, e Lula, terem se aproximado novamente das bases, das quais se afastaram no período em que foram poder. As caravanas e conferências e, especialmente, o contraste violento com o governo Temer, os abusos contra Lula, elevaram sua mística a níveis inéditos entre as classes de menor renda.

As pesquisas qualitativas, mesmo as manifestações espontâneas em diversos locais públicos – como a rodoviária de Brasília – mostram o mesmo discurso da parte dos entrevistados: lembram o que ganharam no governo Lula, o que estão perdendo agora e encaram a volta de Lula como único ponto de esperança. O tema comum é: “Eu quero meu futuro de volta”.

Há a identificação cultural e afetiva com o homem do povo, fruto do carisma pessoal de Lula. Mas há também uma base profundamente material, reforçada pelo desalento atual com o desemprego e com a deterioração dos níveis de emprego.

Se Lula abrir mão da candidatura, poderá ser encarado como traição. Se for impedido de se candidatar, reforçará os laços com a base.

Há um quarto motivo, a resistência a Ciro Gomes devido à sua trajetória política errática, pelas posições que tomou, de claro antagonismo ao PT e a Lula.

Peça 3 – os trunfos.

Há esperanças vagas de que os tribunais não impeçam a candidatura Lula. Aferram-se ao caso Rosa Weber, que não acolheu representação do MBL para julgar antecipadamente o direito de Lula se candidatar. Seria um indício de que não haveria veto prévio à candidatura de Lula. Avança-se também na conversa com partidos de esquerda mais próximos.

Com PCdoB há alguma ambiguidade. Mesmo que a cúpula vá com Ciro, a base é lulista, devido à penetração de Lula no Nordeste. O PCdoB precisará desse lastro nas eleições de Flávio Dino, no Maranhão, e da senadora Vanessa Graziottin, no Amazonas.Com PSB a diferença é mais profunda. O novo PSB, que votou contra a reforma trabalhista, é essencialmente nordestino. No Sul, o PSB é mais conservador. Em Minas, a candidatura de Márcio Lacerda poderá atrapalhar o governador Fernando Pimentel. O divisor de águas é Pernambuco, estado no qual o PSB precisará muito do PT, devido à possível candidatura de Marilia Arraes. Fechando o acordo, o PT abrirá mão da sua candidatura.

No plano programático, foram anunciadas as cinco ideias centrais da campanha:

1 - Soberania popular

2 - Nova era de direitos

3 - Pacto federativo

4 - Novo modelo de desenvolvimento

5 - Transição ecológica para século 21

A entrevista de Fernando Haddad à Folha de hoje explicitou a proposta de casar responsabilidade social com ideias contemporâneas,de buscar a isonomia social através de leis e políticas testadas em grandes economias de mercado. Em suma, fugir da dicotomia rico x pobre, para modernos x anacrônicos.

Aliás, os setores liberais mais modernos já estão aceitando até acabar com a excrescência de isenção fiscal para ganhos de capital e dividendos.

Peça 4 – as agruras da direita.

Considera-se que direita tem a força, mas não tem a legitimidade.

De uma lapada só o golpe liquidou com o pacto social de Lula, com a Constituição de 1988 e com a herança de Vargas. Foi gestada pelo PSDB, com a Ponte para o Futuro, implantada no governo Temer e será aprofundada no governo Alckmin.

É um projeto de poder que consiste em:

1- VendaF das riquezas naturais

2 - Privatização selvagem

3 - Apropriação da renda do trabalhador e dos fundos sociais.

4 - Eliminação das políticas sociais.

5 - Destruição do conceito de nação.

Esse projeto não pode ser explicitado eleitoralmente, exigindo enormes malabarismos retóricos de seus defensores.

Na avaliação dos estrategistas do PT, a situação da direita é mais periclitante:

O quadro internacional.

A linha golpista dificilmente terá apoio do quadro internacional, devido ao acirramento da desglobalização. A Ponte para o Futuro tinha unidade de interesses externos e internos. A eleição de Donald Trump embolou. Agora, ficou difícil reconciliar o velho pacto do Real.

A armadilha recessiva. Golpismo não conseguiu se legitimar economicamente. Antes, as pessoas acreditavam que o desemprego era um problema de cada um. Agora, tornou-se claro que é um problema estrutural, de política pública com 28 milhões de pessoas procurando trabalho e até os que trabalham não tendo mais segurança.As propostas em off.

A direita não conseguiu produzir um projeto de país, uma visão de futuro minimamente razoável, nem um candidato competitivo. O único nome em que apostam, agora, é Geraldo Alckmin, que, na campanha, terá de esconder não apenas a natureza de suas propostas, como as alianças com o fisiologismo mais nefasto da República e as ligações com o governo Temer. É pouco?

Peça 5 – o plano B.

Por tudo isso, a ideia é levar a candidatura Lula até o último momento. Sabem dos riscos, da aliança do golpe que junta Judiciário-mercado-mídia-Temer-PSDB. Mas entendem que o risco maior seria a esquerda passar por diluição no momento em que a direita radicaliza seu programa. Para agosto, estão programados eventos em todo o país, pela libertação de Lula.

Se o Judiciário explicitar o estado de exceção e negar o registro, nesse caso lançar-se-á um candidato do PT que será a sombra de Lula. Terá que ter personalidade, lealdade, e, ao mesmo tempo, se limitar a ser o intermediário da palavra de Lula. Na campanha, ele falará em nome de Lula e dirá que todas suas decisões são decisões de Lula.

Há convicção de que o ungido teria condições de passar para o segundo turno.

As pesquisas de opinião são amplamente favoráveis a Lula.

Há duas regiões que se equilibram: Nordeste, com o lulismo avassalador; e São Paulo com sua dose de antilulismo. Mesmo assim, notam-se melhorias do apoio a Lula no estado.

No Sudeste – Rio, Minas Gerais, Espírito Santo – a situação é parelha.

As incógnitas são o Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – e o centro-oeste. Por lá, região mais conservadora do país, observa-se um crescimento surpreendente da candidatura Lula.

Mesmo assim, a expectativa maior é de derrota do segundo turno. Mas, na opinião dos estrategistas, evita-se o pior dos mundos: entrar em uma frente de esquerda, ser derrotado e perder a base social.

Resumo

No último Xadrez apresentei todos os riscos da candidatura Lula. Neste, os argumentos em favor da sua manutenção. O PT segue a lógica normal da sobrevivência partidária e de seu projeto de país.

O leitor que pese os argumentos de lado a lado e tire suas conclusões.

terça-feira, 24 de julho de 2018

LULA Vence em todos os estados

LULA

Vence em todos os estados.

___________________

*Acre

Lula 64,18 %

Bolsonaro 14,47%

___________________

Alagoas

Lula48,36%

Bolsonaro 29,86%

___________________

Amapá

Lula 72,29%

Bolsonaro 33,01%

___________________

Amazonas

Lula 56,18%

Bolsonaro 22,95%

___________________

*Bahia

Lula 69,62%

Bolsonaro 23,75%

___________________

*Ceará

Lula 57,46%

Bolsonaro 23,31%

___________________

Distrito federal

Lula 71,25%

Bolsonaro 23,83%

___________________

Espírito santo

Lula 80,70%

Bolsonaro 19,18%

___________________

*Goiás

Lula 77,25%

Bolsonaro 22,40%

___________________

*Maranhão

Lula 68,90%

Bolsonaro 17,81%

___________________

Mato Grosso

Lula 60,36%

Bolsonaro 19,62%

___________________

Mato Grosso Sul

Lula 54,55%

Bolsonaro 12,68%

___________________

Minas

Lula 62,81%

Bolsonaro11,94%

___________________

Pará

Lula 53,67%

Bolsonaro 16,10%

___________________

*Paraíba

Lula 60,91%

Bolsonaro 28,68%

___________________

Paraná

Lula 47,88%

Bolsonaro 22,19%

___________________

*Pernambuco

Lula 68,09%

Bolsonaro 21,63%

___________________

*Piauí

Lula 65,71%

Bolsonaro 18,45%

___________________

Rio Janeiro

Lula 69,72%

Bolsonaro 32,61%

___________________

*Rio Grande Norte

Lula 76,51%

Bolsonaro 28,96%

___________________

Rio Grande Sul

Lula 69,39%

Bolsonaro 32,16%

___________________

Rondônia

Lula 69,85%

Bolsonaro 23,31%

___________________

Roraima

Lula 50,43%

Bolsonaro 28,29%

___________________

Santa Catarina

Lula 82,41%

Bolsonaro 13,76%

___________________

São Paulo

Lula 71,47%

Bolsonaro 27,27%

___________________

*Sergipe

Lula 61,13%

Bolsonaro 24,66%

___________________

Tocantins

Lula 51,23%

Bolsonaro 26,98%

domingo, 1 de julho de 2018

Futebol é o ópio do povo

Futebol é o ópio do povo.

Por Eddy Vomit



Como há muito já dizia o nosso saudoso escritor Nelson Rodrigues, o futebol é o ópio do povo. Este esporte bretão é capaz de remover as mais duras mazelas psico-sociais do ser-humano em apenas 90 minutos de quimeras-esverdeadas. Em todo planeta, o futebol fascina e serve como a verdadeira cartase da miséria humana, mas porquê este dominio em todas as classes sociais levando os homens a extremos atos de sandice? Bem, tentarei responder esta questão.

Desde os primórdios, que o homem tem dentro de si o germe da conquista, quer na condição de caça ou caçador. Na idade-média, a opressão religio-imperativa chegou ao cúmulo da Santa Inquisão, que de santa sabemos que nada tinha. Os exércitos se degladiavam por toda e qualquer forma de poder, aliás tudo gira em torno do poder. Mas o que é o poder? O poder nada mais é que mera ilusão de conquista de um ser ou entidade sobre outrem, mas que na realidade além de ser uma conquista passageira, o conquistador nada conquista à não ser os louros psicológicos de sua meta, pois os conquistados jamais são subjulgados no intérim da alma. Poder algo é fingir que se pode alguma coisa, mas o poder nada pode em vista do tempo e das ordens infinitas da grande providência. Temos exemplos famosos como as derrocadas de inúmeros impérios desde os egípicios até os alemães através dos séculos subjacentes. Comtêmporaneamente, temos o império da águia que pensa dominar o mundo, mas não consegue dominar nem a si mesmo. Mas e o futebol, onde entre nesta estória estaparfúdia?

O futebol é nossa "guerra pacífica", e nosso time ou seleção não passa de um exército na qual o torcedor pensa fazer parte e por isso se entrega de corpo e alma as duras provas cardiácas de uma partida futebolística. Os soldados da bola, jogam pela honra de sua camisa em busca de um poder mesmo que temporário numa vitória no campo de batalha, mas é ai que o torcedor se droga no ópio do futebol. Em suma, os nossos soldados da bola não passam de mercenários em busca de poder e riqueza e que tanto faz o escudo que defedem, mas a irracionalidade do torcedor o cega para estas nuances corruptivas e ele pensa que aquele mercenário esta ali por amor ao seu clube ou país, ledo engano. O jogador em sua maioria é profissional e vê no futebol um mero meio de vida, é claro que o emocional conta, mas só no campo esverdeado e apenas 90 minutos é que conta em sua condição de ator de chuteiras num teatro Shakespereano de mascaras horrendas e hipócritas. Ao sair de seu palco circular, aquele ator de uniforme esquece de todo o clamor desesperado do pobre torcedor que se esgoelou na incentivação nefasta de torcedor e tudo mais que possa ter ocorrido no gramado. Em suma no presente momento ele só pensa em sua gorda conta bancária e em sua gata loira que o espera no motel, enquanto o povo cansado e opiado pelas desgraças cotidianas volta de ônibus enlatado e se ilude sofrendo e vivendo com as vitórias ou derrotas de sua paixão desenfreada. Raríssimos são aqueles jogadores que gostam de verdade de suas entidades futebolísticas e a cada ano que passa, o mercado "capetalista" destroi ainda mais aquele fatidico amor pelas chuteiras. Nosso Brasil até hoje é conhecido como a Patria de chuteiras e isso é deveras triste no conceito de cartase humano.

O Brasil talvez seja um exemplo classico do opianismo popular em relação ao futebol, quer seja pela falta de educação ou de perspectivas da população que erra como orfãos solitários de uma mãe Pindorama e desajustada, quer seja pela irracionalidade bestial do brasileiro em relação ao esporte bretão. Devemos torcer sim, mas com uma certa desconfiança no amanhã pois nossos herois nunca foram exemplos de nada. Desmistifiquemos os deuses e plantemos a razão que o ópio futebolístico insiste em destruir. Entre Copas e derrotas o Brasil varonil deveria primeiro se preocupar com seu bem-estar humano e não com pseudo-cartases destrutivas. A mídia iconoclasta, como sempre alimenta o sonho utópico-ópio da seleção de futebol, isso serve para distrair o povo das verdadeiras intenções dos falcões governamentais que a cada dia dilaceram nossa medíocre vidinha-terrestre espoliando nosso orgulho e massacrando o proletário em prol do poder concentrado nas mãos do diabólico sistema capital que insiste em futebolizar as eras. Entre tragédias gregas e tupiniquins, o opiado povo brasileiro continua a se enganar por uma luta perdida num gramado-lamacento de dólares surrupiados por mídias escandalizadas em que fantoches de chuteiras pensam ser livres, mas são apenas bonecos dilacerados nas mãos dos "capetalistas" de plantão, afinal de contas, estes bonecos outrora também faziam parte do povo opiado e num passe medonho de uma falsa magia, se transformaram em semi-deuses analfabetos que correm atrás de uma bola de dinamite que a cada gol explode a já baixa-estima de uma população que pensa ser livre e que na verdade vive em profundo cárcere privado de grilhões verdes. E no final gritamos

gooooooooooooooooooooooooooooooollllllllllllllllllllllppppppppppppeeeeeeeeee!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Gleisi é inocente. E quem paga pelo que se fez a ela?

Gleisi é inocente.

E quem paga pelo que se fez a ela?

POR FERNANDO BRITO · 19/06/2018


Gleisi Hoffmann foi absolvida, por unanimidade, das acusações de corrupção e de lavagem de dinheiro, embora Edson Fachin, acompanhado por Celso de Mello, tenha tentado fazer um arranjo para incriminá-la por “caixa-dois” eleitoral.

E, por isso, a mídia vá dizer que ela foi absolvida por 3 a 2, quando todos os 5 ministros reconheceram (dois a contragosto) que não havia nenhum dos dos crimes que lhe foram imputados.

Infelizmente, não se pode chamar a isso uma vitória da Justiça.

É, antes, uma condenação de um sistema policial-judicial que, impunemente e por mais de três anos, enxovalhou a reputação de uma pessoa contra a qual nada se tinha além dos depoimentos dos dedo-duros de Sérgio Moro, que falam e acusam, como todos sabem, de acordo com a vontade dos lavajateiros.

Quem é que irá restituir o que essa mulher e sua família passaram? Quem vai devolver os sobressaltos e humilhações a que a histeria udenista os infernizaram?

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A máquina de moer reputações engasgou na hora de devorar Gleisi, mas continua funcionando a todo o vapor.

Mesmo quando ocorre, como se passou com ela, a demonstração de que não há provas, chegamos ao ponto de que dois ministros fazem um malabarismo antijurídico para que, afinal, a alguma coisa se possa condená-la, apenas porque “o Direito da Lava Jato” não admite que possa estar investindo contra inocentes, porque são todos “ideologicamente culpados”.

Vai custar até que se desmonte esta máquina perversa e, com toda a sinceridade, não de deve ser muito otimista quanto ao julgamento dos recursos pela mesma Segunda Turma do STF, marcado para terça-feira.

Fez-se um pingo de Justiça a Gleisi, verdade que depois de muitas injustiças. Mas contra Lula ainda há um oceano do mal a cruzar-se até que se restabeleça a verdade.

sábado, 16 de junho de 2018

STF pode determinar o futuro de Lula no próximo dia 26

É o entendimento.

érgio Moro, que ordenou a execução provisória da pena de 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex em Guarujá (SP). A prisão foi executada com base na decisão do STF que autorizou prisões após o fim dos recursos segunda instância da Justiça.

Na petição enviada ao Supremo, a defesa do ex-presidente alega que há urgência na suspensão da condenação, porque Lula é pré-candidato à Presidência e tem seus direitos políticos cerceados ante a execução da condenação, que não é definitiva.

"Além de ver sua liberdade tolhida indevidamente, corre sério risco de ter, da mesma forma, seus direitos políticos cerceados, o que, em vista do processo eleitoral em curso, mostra-se gravíssimo e irreversível", argumentou a defesa.

Além de Fachin, a Segunda Turma do STF é composta pelos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewadowski, Dias Toffoli e Celso de Mello.

sábado, 9 de junho de 2018

MANIFESTO AO POVO BRASILEIRO – LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

MANIFESTO AO POVO BRASILEIRO – LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Há dois meses estou preso, injustamente, sem ter cometido crime nenhum. Há dois meses estou impedido de percorrer o País que amo, levando a mensagem de esperança num Brasil melhor e mais justo, com oportunidades para todos, como sempre fiz em 45 anos de vida pública.

Fui privado de conviver diariamente com meus filhos e minha filha, meus netos e netas, minha bisneta, meus amigos e companheiros. Mas não tenho dúvida de que me puseram aqui para me impedir de conviver com minha grande família: o povo brasileiro. Isso é o que mais me angustia, pois sei que, do lado de fora, a cada dia mais e mais famílias voltam a viver nas ruas, abandonadas pelo estado que deveria protegê-las.

De onde me encontro, quero renovar a mensagem de fé no Brasil e em nosso povo. Juntos, soubemos superar momentos difíceis, graves crises econômicas, políticas e sociais. Juntos, no meu governo, vencemos a fome, o desemprego, a recessão, as enormes pressões do capital internacional e de seus representantes no País. Juntos, reduzimos a secular doença da desigualdade social que marcou a formação do Brasil: o genocídio dos indígenas, a escravidão dos negros e a exploração dos trabalhadores da cidade e do campo.

Combatemos sem tréguas as injustiças. De cabeça erguida, chegamos a ser considerados o povo mais otimista do mundo. Aprofundamos nossa democracia e por isso conquistamos protagonismo internacional, com a criação da Unasul, da Celac, dos BRICS e a nossa relação solidária com os países africanos. Nossa voz foi ouvida no G-8 e nos mais importantes fóruns mundiais.

Tenho certeza que podemos reconstruir este País e voltar a sonhar com uma grande nação. Isso é o que me anima a seguir lutando.

Não posso me conformar com o sofrimento dos mais pobres e o castigo que está se abatendo sobre a nossa classe trabalhadora, assim como não me conformo com minha situação.

Os que me acusaram na Lava Jato sabem que mentiram, pois nunca fui dono, nunca tive a posse, nunca passei uma noite no tal apartamento do Guarujá. Os que me condenaram, Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4, sabem que armaram uma farsa judicial para me prender, pois demonstrei minha inocência no processo e eles não conseguiram apresentar a prova do crime de que me acusam.

Até hoje me pergunto: onde está a prova?

Não fui tratado pelos procuradores da Lava Jato, por Moro e pelo TRF-4 como um cidadão igual aos demais. Fui tratado sempre como inimigo.

Não cultivo ódio ou rancor, mas duvido que meus algozes possam dormir com a consciência tranquila.

Contra todas as injustiças, tenho o direito constitucional de recorrer em liberdade, mas esse direito me tem sido negado, até agora, pelo único motivo de que me chamo Luiz Inácio Lula da Silva.

Por isso me considero um preso político em meu país.

Quando ficou claro que iriam me prender à força, sem crime nem provas, decidi ficar no Brasil e enfrentar meus algozes. Sei do meu lugar na história e sei qual é o lugar reservado aos que hoje me perseguem. Tenho certeza de que a Justiça fará prevalecer a verdade.

Nas caravanas que fiz recentemente pelo Brasil, vi a esperança nos olhos das pessoas. E também vi a angústia de quem está sofrendo com a volta da fome e do desemprego, a desnutrição, o abandono escolar, os direitos roubados aos trabalhadores, a destruição das políticas de inclusão social constitucionalmente garantidas e agora negadas na prática.

É para acabar com o sofrimento do povo que sou novamente candidato à Presidência da República.

Assumo esta missão porque tenho uma grande responsabilidade com o Brasil e porque os brasileiros têm o direito de votar livremente num projeto de país mais solidário, mais justo e soberano, perseverando no projeto de integração latino-americana.

Sou candidato porque acredito, sinceramente, que a Justiça Eleitoral manterá a coerência com seus precedentes de jurisprudência, desde 2002, não se curvando à chantagem da exceção só para ferir meu direito e o direito dos eleitores de votar em quem melhor os representa.

Tive muitas candidaturas em minha trajetória, mas esta é diferente: é o compromisso da minha vida. Quem teve o privilégio de ver o Brasil avançar em benefício dos mais pobres, depois de séculos de exclusão e abandono, não pode se omitir na hora mais difícil para a nossa gente.

Sei que minha candidatura representa a esperança, e vamos levá-la até as últimas consequências, porque temos ao nosso lado a força do povo.

Temos o direito de sonhar novamente, depois do pesadelo que nos foi imposto pelo golpe de 2016.

Mentiram para derrubar a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita. Mentiram que o país iria melhorar se o PT saísse do governo; que haveria mais empregos e mais desenvolvimento. Mentiram para impor o programa derrotado nas urnas em 2014. Mentiram para destruir o projeto de erradicação da miséria que colocamos em curso a partir do meu governo. Mentiram para entregar as riquezas nacionais e favorecer os detentores do poder econômico e financeiro, numa escandalosa traição à vontade do povo, manifestada em 2002, 2006, 2010 e 2014, de modo claro e inequívoco.

Está chegando a hora da verdade.

Quero ser presidente do Brasil novamente porque já provei que é possível construir um Brasil melhor para o nosso povo. Provamos que o País pode crescer, em benefício de todos, quando o governo coloca os trabalhadores e os mais pobres no centro das atenções, e não se torna escravo dos interesses dos ricos e poderosos. E provamos que somente a inclusão de milhões de pobres pode fazer a economia crescer e se recuperar.

Governamos para o povo e não para o mercado. É o contrário do que faz o governo dos nossos adversários, a serviço dos financistas e das multinacionais, que suprimiu direitos históricos dos trabalhadores, reduziu o salário real, cortou os investimentos em saúde e educação e está destruindo programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Pronaf, Luz Pra Todos, Prouni e Fies, entre tantas ações voltadas para a justiça social.

Sonho ser presidente do Brasil para acabar com o sofrimento de quem não tem mais dinheiro para comprar o botijão de gás, que voltou a usar a lenha para cozinhar ou, pior ainda, usam álcool e se tornam vítimas de graves acidentes e queimaduras. Este é um dos mais cruéis retrocessos provocados pela política de destruição da Petrobrás e da soberania nacional, conduzida pelos entreguistas do PSDB que apoiaram o golpe de 2016.

A Petrobrás não foi criada para gerar ganhos para os especuladores de Wall Street, em Nova Iorque, mas para garantir a autossuficiência de petróleo no Brasil, a preços compatíveis com a economia popular. A Petrobrás tem de voltar a ser brasileira. Podem estar certos que nós vamos acabar com essa história de vender seus ativos. Ela não será mais refém das multinacionais do petróleo. Voltará a exercer papel estratégico no desenvolvimento do País, inclusive no direcionamento dos recursos do pré-sal para a educação, nosso passaporte para o futuro.

Podem estar certos também de que impediremos a privatização da Eletrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa, o esvaziamento do BNDES e de todos os instrumentos de que o País dispõe para promover o desenvolvimento e o bem-estar social.

Sonho ser o presidente de um País em que o julgador preste mais atenção à Constituição e menos às manchetes dos jornais.

Em que o estado de direito seja a regra, sem medidas de exceção.

Sonho com um país em que a democracia prevaleça sobre o arbítrio, o monopólio da mídia, o preconceito e a discriminação.

Sonho ser o presidente de um País em que todos tenham direitos e ninguém tenha privilégios.

Um País em que todos possam fazer novamente três refeições por dia; em que as crianças possam frequentar a escola, em que todos tenham direito ao trabalho com salário digno e proteção da lei. Um país em que todo trabalhador rural volte a ter acesso à terra para produzir, com financiamento e assistência técnica.

Um país em que as pessoas voltem a ter confiança no presente e esperança no futuro. E que por isso mesmo volte a ser respeitado internacionalmente, volte a promover a integração latino-americana e a cooperação com a África, e que exerça uma posição soberana nos diálogos internacionais sobre o comércio e o meio ambiente, pela paz e a amizade entre os povos.

Nós sabemos qual é o caminho para concretizar esses sonhos. Hoje ele passa pela realização de eleições livres e democráticas, com a participação de todas as forças políticas, sem regras de exceção para impedir apenas determinado candidato.

Só assim teremos um governo com legitimidade para enfrentar os grandes desafios, que poderá dialogar com todos os setores da nação respaldado pelo voto popular. É a esta missão que me proponho ao aceitar a candidatura presidencial pelo Partido dos Trabalhadores.

Já mostramos que é possível fazer um governo de pacificação nacional, em que o Brasil caminhe ao encontro dos brasileiros, especialmente dos mais pobres e dos trabalhadores.

Fiz um governo em que os pobres foram incluídos no orçamento da União, com mais distribuição de renda e menos fome; com mais saúde e menos mortalidade infantil; com mais respeito e afirmação dos direitos das mulheres, dos negros e à diversidade, e com menos violência; com mais educação em todos os níveis e menos crianças fora da escola; com mais acesso às universidades e ao ensino técnico e menos jovens excluídos do futuro; com mais habitação popular e menos conflitos de ocupações nas cidades; com mais assentamentos e distribuição de terras e menos conflitos de ocupações no campo; com mais respeito às populações indígenas e quilombolas, com mais ganhos salariais e garantia dos direitos dos trabalhadores, com mais diálogo com os sindicatos, movimentos sociais e organizações empresarias e menos conflitos sociais.

Foi um tempo de paz e prosperidade, como nunca antes tivemos na história.

Acredito, do fundo do coração, que o Brasil pode voltar a ser feliz. E pode avançar muito mais do que conquistamos juntos, quando o governo era do povo.

Para alcançar este objetivo, temos de unir as forças democráticas de todo o Brasil, respeitando a autonomia dos partidos e dos movimentos, mas sempre tendo como referência um projeto de País mais solidário e mais justo, que resgate a dignidade e a esperança da nossa gente sofrida. Tenho certeza de que estaremos juntos ao final da caminhada.

Daqui onde estou, com a solidariedade e as energias que vêm de todos os cantos do Brasil e do mundo, posso assegurar que continuarei trabalhando para transformar nossos sonhos em realidade. E assim vou me preparando, com fé em Deus e muita confiança, para o dia do reencontro com o querido povo brasileiro.

E esse reencontro só não ocorrerá se a vida me faltar.

Até breve, minha gente

Viva o Brasil! Viva a Democracia! Viva o Povo Brasileiro!

Luiz Inácio Lula da Silva

Curitiba, 8 de junho de 2018

quinta-feira, 31 de maio de 2018

PT dá sinal verde, declara apoio ao PSB e afirma que não colocará empecilhos em alianças na Paraíba

PT dá sinal verde, declara apoio ao PSB e afirma que não colocará empecilhos em alianças na Paraíba


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Nesta quinta-feira (31) 0 PT da Paraíba divulgou um manifesto sobre as eleições 2018, onde declara que não colocará nenhum empecilho para as alianças que o PSB vier a construir para a disputa majoritária no Estado.p> “Queremos afirmar também que o PT da Paraíba, a depender de nós, não será obstáculo para as alianças que forem necessárias à vitória do projeto liderado pelo PSB. Assim como o PT lidera o bloco democrático e de esquerda em nível nacional com a candidatura de Lula, é o PSB que comanda a montagem do palanque aliado em nosso estado. Todavia, defendemos um perfil progressista para a coalizão eleitoral. Mas, não seremos empecilho diante dos movimentos necessários à vitória do projeto e à derrota das forças do atraso”, diz o documento.

Sobre a eleição presidencial, o manifesto assinala que não haverá plano B e que o partido vai marchar com a candidatura de Lula. “O PT registrará a candidatura de Lula a presidente em 15 de agosto. Não há Plano B ou C. Lula será candidato porque é a maior esperança do povo brasileiro e vai apresentar um programa de governo voltado para o desenvolvimento, inclusão social e propondo um referendo revogatório destas reformas antipopulares de Temer. Lula presidente será capaz de unir as forças democráticas e de esquerda para recolocar o Brasil no rumo certo, baseado na soberania popular”.

Com informações de Os Guedes